QUÍMICA.com.br – O Portal da revista Química e Derivados


Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras: 50 anos

Marcelo Fairbanks
24 de outubro de 2003
    -(reset)+

    Química e Derivados: Petrobras: Aquino - refinarias estão entre as melhores do mundo.

    Aquino – refinarias estão entre as melhores do mundo.

    Por enquanto está mantido o planejamento da empresa, que indica investir US$ 5,5 bilhões até 2007, quando será atingida a marca de processamento de dois milhões de barris por dia. “Além de ganhos eventuais de capacidade e da adaptação aos tipos locais de óleo, é preciso investir na melhoria da qualidade dos produtos, além das constantes atualizações em segurança e meio ambiente”, explicou.

    O temor de um “apagão dos combustíveis”, como chegou a ser comentado no ano passado, deve ser afastado segundo o diretor. Depois de visitar os principais especialistas em cenários de negócios em Nova York, Londres e Paris, foi possível comprovar que a situação econômica mundial é de clara retração. “Depois dos ataques de 11 de setembro [de 2001], o mundo mudou muito”, comentou. Dessa forma, há capacidades excedentes de refino em várias regiões.

    No caso brasileiro, Aquino considera que o parque atual de refino, com os investimentos programados, poderá atender à demanda dos próximos anos, embora admita que esse suprimento ficará apertado caso ocorra uma evolução drástica do PIB. “Certamente, o País precisará de uma nova refinaria em operação até o final da década, seja da Petrobrás ou por meio da entrada de outro parceiro”, afirmou. A região da América Latina ainda abrange um mercado de derivados não tão maduro quanto o da Europa e dos Estados Unidos, com boas possibilidades de crescimento de demanda.

    Isso justifica os esforços empreendidos pela companhia na internacionalização de atividades, hoje já significativas na Argentina (por meio da compra da Perez Companc e da parceira com a IG3 na Refap) e na Bolívia. Na área de exploração e produção há projetos em andamento em várias regiões, como a recente descoberta de óleo no Golfo do México, na costa americana, em parceira com a Unocal, além de perfurações na costa Africana. “A Perez Companc já produzia óleo na Venezuela, Peru, Equador e Bolívia”, explicou Aquino. Certamente, a companhia buscará integrar essas operações, de modo a aproveitar sinergia entre elas. “A diversificação do portfólio permite captar recursos em moeda forte a custos menores”, explicou.

    Além dessas possibilidades, o diretor salienta o fato de o uso de gás natural no Brasil ser ainda muito pequeno. Em face das novas descobertas da Bacia de Santos e da disponibilidade do gás boliviano, ele aposta no incremento de consumo do gás, inclusive atenuando a pressão de demanda sobre derivados de petróleo.

    Cumprindo à risca o plano de investimentos da companhia, a área de refino investiu os US$ 880 milhões programados para este ano, concluindo adaptações e revamps em algumas unidades das refinarias do Vale do Paraíba (Revap), Paulínia (Replan) e Mataripe (Rlam), voltadas primordialmente para usar óleo nacional pesado. Em 2004, entram em operação as unidades de hidrotratamento de diesel (HDT) na Reduc (Duque de Caxias-RJ), Regap (Betim-MG), Refap (Canoas-RS) e Repar (Araucária-PR). A Refap também ganhará craqueamento catalítico fluido para resíduos (RFCC), que possibilitará mudança no seu pefil de refino.

    Para os próximos anos, estão sendo previstas inaugurações de oito unidades de coque, que permitirão ampliar a produção das refinarias e reduzir a importação de coque verde para siderurgia. “Contamos com tecnologia própria para essas unidades”, afirmou Aquino.

    Na linha dos derivados leves, a gasolina passará por processo de hidrodessulfurização, de modo a reduzir o teor de enxofre. “Estamos finalizando o acordo com o licenciador da tecnologia, de origem francesa”, informou. Um dos detalhes ainda em negociação refere-se ao interesse da Petrobrás na transferência completa da tecnologia, o que lhe permitirá, no futuro, desenvolver aperfeiçoamentos. Na faixa do diesel, os HDTs já contam com tecnologia própria.

    Um dos pontos-chaves do refino consiste na automação e controle das unidades. “Já realizamos 92% dos investimentos em automação, em todas as instalações industriais, que já dispõem de controle avançado de processos e contam com sistemas de parada segura”, informou o diretor. A empresa adotou protocolos de comunicação da linha field bus. Os 8% restantes, a aplicar durante os próximos anos, contemplam tecnologia de transferência e estocagem de produtos, de modo a permitir a formulação de blends automaticamente.

    A área de segurança e meio ambiente segue as diretrizes do programa Pégaso, cuja primeira etapa será encerrada ao final deste ano. “A próxima fase vai definir as bases de atuação até 2008, com requisitos cada vez mais severos”, explicou. “Essa área nunca pára de avançar, é premissa da companhia.”

    Petroquímica no foco – A integração do refino com a petroquímica está na pauta da Petrobrás. Atualmente a companhia se destaca apenas como fornecedora de nafta, além de deter participações minoritárias nas centrais petroquímicas. “Os óleos nacionais oferecem pouca nafta em relação aos importados e, com o aumento da produção local, a disponibilidade dessa carga petroquímica será reduzida”, considerou Aquino. Em contrapartida, segundo afirmou, as importações estão liberadas para qualquer interessado.

    Ao mesmo tempo, a empresa estuda a chamada “petroquímica do entorno”, ou seja, o aproveitamento de correntes internas do refino e seus subprodutos para alimentar fábricas petroquímicas. “Essa atividade valoriza nossa cadeia de produtos”, disse, reafirmando o interesse para avaliar oportunidade de negócios. Esses projetos demandam alguns investimentos, que podem ser partilhados entre os interessados e a companhia. A única exigência é a rentabilidade razoável.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *