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Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Petrobras: 50 anos

Marcelo Fairbanks
24 de outubro de 2003
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    Química e Derivados: Petrobras: Café Filho recebe amostra de petróleo.

    Café Filho recebe amostra de petróleo.

    Como resultado das novas descobertas, o gerente-executivo de E&P espera modificações importantes no plano estratégico a anunciar em 2004. “Com certeza, investimentos para a obtenção de óleo leve e gás natural serão priorizados”, afirmou. A explicação é simples: as refinarias brasileiras não conseguem processar o óleo pesado nacional, exigindo mistura com leves, atualmente importados. A Petrobrás já exporta petróleo pesado, mas importa os leves. Caso a produção destes aumente, será possível reduzir as importações, com alívio da balança comercial. Isso quer dizer que algumas das plataformas ainda a licitar possivelmente serão deslocadas da Bacia de Campos, local originalmente previsto para instalação, para o Espírito Santo e Santos.

    Novas exigências – A meta de produção prevista para 2005 sofreu uma redução de 4% na revisão de planejamento de 2003, por causa de atrasos ocorridos nos projetos P-43 (Barracuda), P-48 (Caratinga) e P-50 (Albacora Leste). Segundo Nepomuceno, o desvio de 4% é aceitável, em face da magnitude das encomendas. Já as plataformas P-51 (Marlim Sul) e P-52 (Roncador), para 180 mil bpd, estão atrasadas, mas não afetaram a meta de 2005, podendo, talvez, apresentar algum impacto nos anos subseqüentes. Ambas ficaram famosas durante a campanha eleitoral do ano passado. O então candidato Lula atacou o modelo de licitação, que contemplava baixos índices de nacionalização, inferiores a 40%, assumindo como meta de governo a exigência de maior conteúdo nacional em projetos de grande envergadura. A licitação da P-51 foi anulada, e a da P-52 foi vencida pelo consórcio Fels Setal/Technip, com valor renegociado para US$ 768 milhões, mas ainda depende de aceitação final.

    Química e Derivados: Petrobras: petrobras_grafico.“A Petrobrás tem interesse em desenvolver no Brasil uma cadeia completa de suprimentos, tanto por razões estratégicas, como para ajudar a desenvolver o País”, explicou Nepomuceno. O conteúdo mínimo nacional dos projetos passou para 65%, com a possibilidade de ampliação nos próximos anos. “Estamos abertos para cooperação tecnológica com qualquer empresa, de qualquer origem”, disse, apoiado no histórico da companhia que sempre apoiou a indústria local.

    Embora seja uma empresa de capital misto, público e privado, a Petrobrás precisa seguir algumas diretrizes de governo. As licitações públicas são exigência legal, por exemplo. Como maior acionista, o Estado brasileiro pode impor algumas exigências, como o índice de nacionalização. No governo passado, a prioridade era concedida para o retorno financeiro dos projetos, o que favoreceu a adoção de regimes de contratos nas linhas turn key e até BOT (built, operate and transfer). Essas modalidades não foram descartadas na nova administração, mas passaram a ser encaradas de forma crítica. “A companhia tem um compromisso sério com segurança, meio ambiente e saúde, que impõe um controle mais rígido de todos os contratos”, afirmou. Como exemplo, ele citou o fato de a companhia exigir que todas as suas prestadoras de serviços contratem planos de saúde para os respectivos trabalhadores.

    Um problema ainda a resolver é a definição de conteúdo nacional. A atividade petroleira possui algumas características peculiares. Nepomuceno cita o fato de a maioria das sondas ser alugada junto a supridores internacionais, a exemplo do que todas as empresas de petróleo de mundo praticam. “Uma sonda alugada deve ser encarada como conteúdo local ou não?”, questiona.

    Existe também a necessidade de ampliar a participação do gás natural na matriz energética nacional. O País já possui um contrato de fornecimento com a Bolívia que pode chegar a 24 mil m³/dia e descobriu novas reservas em Santos. “Essas reservas estão próximas da costa, e podem ser exploradas com baixo custo”, afirmou. Para ele, é preciso desenvolver o consumo do gás e também as operações industriais, por meio das quais é possível obter produtos de maior valor.

    As novas descobertas chegam em momento muito oportuno. Nepomuceno explica que o consumo de gás, óleo e derivados abate anualmente 10% de todas as reservas mundiais, exigindo reposição. “O ideal para cada companhia é contar com reservas para 50 anos, pelo menos, exigindo esforços constantes”, informou. O gerente critica a classificação do petróleo como commodity pura.

    “Trata-se de um produto estratégico, com muitas e importantes implicações”, considerou. As maiores reservas mundiais hoje estão localizadas na Rússia e no Oriente Médio. Na Rússia, o clima prejudica o desenvolvimento da produção, além das dificuldades políticas internas – recentemente, o dono da maior produtora de petróleo foi preso, e a companhia confiscada pelo governo russo.

    Já o Oriente Médio, desde a invasão do Iraque pelos americanos, vive momentos de grande tensão política. “Nesse panorama, a abertura de novas áreas, em regiões menos conflituosas, é muito bem-vinda”, comentou.

    Além dos poços em alto-mar, uma especialidade da Petrobrás, que chega a perfurar abaixo de 1,8 mil metros da superfície do Atlântico (o campo de Roncador tem poço sob 1.886 m de lâmina d’água), a empresa aponta como área promissora a Bacia Amazônica. Em terra firme, embora isolada pela Floresta Tropical, já são retirados do campo de Urucu 60 mil bpd, de excelente qualidade, com 43ºAPI.



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