Química

Pesquisa de Opinião: Pesquisa revela como o público vê a química

Marcelo Furtado
5 de agosto de 2001
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    Pesquisa de opinião pública inédita revela que as pessoas no Brasil têm uma imagem negativa do setor químico. Apesar disso, consideram os produtos da indústria essenciais em suas vidas.

    Química e Derivados: Pesquisa: pesqimagem1. Apesar de reconhecida importância, a indústria química, como instituição, não possui imagem muito positiva junto à opinião pública. A despeito de suas contribuições ao conforto, higiene e saúde da vida moderna, é quase sempre associada a acidentes ambientais, contaminações, agrotóxicos e a um sem-fim de referências “venenosas”. O preconceito, muitas vezes pertinente, fala mais alto na avaliação das pessoas, fazendo com que elas não percebam a quantidade interminável de produtos de origem química presente em seus cotidianos, do simples desodorante, ou sabonete, até os fios e corantes das roupas, o couro macio do sapato e o medicamento milagroso restaurador das forças.

    Química e Derivados: Pesquisa: Olsén - a imagem predominante é a de poluidor.

    Olsén – a imagem predominante é a de poluidor.

    Essa constatação está longe de ser uma simples queixa. Trata-se na verdade da principal conclusão de uma pesquisa de opinião pública encomendada pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e divulgada há pouco, no dia 22 de agosto, em São Paulo, no último congresso do Atuação Responsável. Conduzido em maio de 2001 pela Indicator Pesquisa de Mercado, o estudo chegou a essa e a muitas outras conclusões depois de entrevistar 504 pessoas, de 18 a 65 anos, em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador e mais 300 moradores de outras duas cidades paulistas com forte presença da indústria química: Jacareí e São José dos Campos. Além desse universo, foram desenvolvidas enquetes mais elaboradas com quatro grupos formadores de opinião: professores universitários, representantes de ONGs, jornalistas e dirigentes de órgãos governamentais.

    Os resultados da pesquisa foram um misto de previsibilidade, sobretudo quando se evidencia os preconceitos contra o setor, com surpresa, já que ao se analisar as respostas dos entrevistados descobrem-se posições com potencial de simpatia à indústria. De acordo com o diretor da Indicator, Örjan Olsén, essa dicotomia fica melhor resumida por duas percepções-chave medidas ao final dos trabalhos: “as pessoas têm uma idéia positiva sobre os produtos da indústria química, inclusive considerando que a qualidade deles têm aumentado, mas, por outro lado, a imagem que personifica o segmento é a construída por meio dos problemas que o processo de produção ocasiona”, explica Olsén.

    Química e Derivados: Pesquisa: pesq1. Sabão é o preferido – Para ser melhor ilustrada, a análise do coordenador do estudo merece a lembrança de alguns “achados” da pesquisa. Uma pergunta espontânea direcionada a todos os públicos abordados, por exemplo, ressalta a noção de que os produtos gozam de boa reputação. Ao serem indagados sobre qual produto de uso diário não conseguiriam viver sem, os entrevistados deram as melhores respostas possíveis para o setor químico. Dos 13 produtos mais citados, oito fazem parte diretamente do setor, enquanto os demais ou possuem componentes químicos ou então sofrem beneficiamento em etapas do processo.

    Química e Derivados: Pesquisa: pesq2.Nas citações espontâneas, o primeiro colocado foi o sabão, com 17%, seguido pelo sabonete (16%) e a pasta de dente (13%). Também da química, houve a lembrança do detergente (9%), xampu e condicionadores (6%), água sanitária (6%), desodorante (5%) e perfume (5%). Além disso, os outros produtos lembrados também devem muito à química. A televisão, por exemplo, citada em 10% das vezes, ou o telefone (5%), possuem uma infinidade de plásticos e outros materais com tratamento ou origem química. O próprio arroz, lembrado por 10% das pessoas, ou o feijão (8%), não seriam suficientemente produzidos sem a ajuda de defensivos agrícolas e fertilizantes ou, indo mais longe, sem o transporte rodoviário, abastecido por óleo diesel, não chegariam aos consumidores.

    Além de aprovar os produtos, a opinião pública também concorda que a presença deles melhora suas vidas. Por meio de pergunta estimulada, 77% dos consultados acreditam que com eles suas vidas melhoram um pouco (37%) ou muito (40%). Em outro aspecto, quando perguntados sobre a evolução na qualidade dos produtos de limpeza, higiene, farmacêuticos e químicos em geral, 85% das pessoas demonstraram acreditar no aperfeiçoamento constante desses bens de consumo.

    Indústria problemática – As respostas positivas com relação aos produtos poderiam incentivar a crença numa tendência de aceitação do setor. Mas não é o que acontece. Uma outra etapa do questionamento, também para respostas espontâneas, não permite otimismos apressados. A indústria considerada causadora de maiores problemas para o Brasil, no ponto de vista de todo o público consultado, foi disparada a química, com 38% das respostas. Pior ainda: com igual percentual, também mereceu destaque na antipatia popular a indústria do petróleo, espécie de setor-mãe, do qual se origina a petroquímica.

    Em comparação com os outros setores, a primeira colocação no quesito impopularidade deixa a química numa situação constrangedora. Só para se ter uma idéia, nem mesmo a atacada indústria do cigarro foi tão lembrada: apenas 1% dos consultados a citaram, mesmo percentual registrado por papel e celulose, alimentos ou farmacêutica. Em terceiro lugar, depois da química e do petróleo, ficaram com longínqüos 3% a siderúrgica, metalúrgica e a automobilística. Nem mesmo o fato de esta última ser a fabricante dos produtos com maior culpa na poluição atmosférica (os carros), e de ser motivadora de milhares de mortes por ano no País, fez o placar final dessa enquete ser alterado.



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