Farmacêutico e Biotecnologia

Pesquisa cria enxertos ósseos a partir de casulos de bicho-da-seda – CFQ

Quimica e Derivados
14 de setembro de 2020
    -(reset)+

    Química e Derivados -

    Biomaterial resistente poderá ser usado em próteses humanas e veterinárias

    Quais semelhanças podem existir entre ossos humanos e o bicho-da-seda? Pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP) desenvolveram um material que combina hidroxiapatita (fosfato de cálcio) com uma proteína encontrada no casulo do bicho-da-seda, a fibroína. A mistura possui características químicas e estruturais próximas às dos ossos trabeculares, que são encontrados no interior dos ossos longos e representam cerca de 20% do esqueleto humano.

    A pesquisa foi feita no Programa de Pós-Graduação em Bioengenharia, oferecido em conjunto pelo IQSC, Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) e Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP). A autora do estudo, Daniela Vieira, faz, atualmente, doutorado na Universidade McGill, em Montreal, no Canadá. Ela explica que os ossos humanos possuem excelentes propriedades mecânicas – devido a essa característica a fibroína de seda foi escolhida.

    “A fibroína de seda é um biopolímero que apresenta propriedades mecânicas muito superiores aos demais biopolímeros utilizados hoje em dia na regeneração óssea, como o colágeno e a celulose. Além disso, os ossos são formados por uma combinação de material cerâmico e polimérico. Para a maior similaridade ao osso humano, há a necessidade de encontrar um polímero que possa ser substituído e realize a mesma função”, explica.

    O diferencial da tecnologia é a forma como ela foi obtida, por meio de uma técnica chamada coprecipitação. No método, a fibroína da seda é dissolvida em uma solução líquida com cálcio, principal componente da hidroxiapatita. Amostras de fosfato são então adicionadas à mistura e, após reações químicas, o material é seco e prensado em forma de blocos, com a hidroxiapatita já incorporada à fibroína da seda.

    A tecnologia possui como a principal vantagem a redução do preço de produção, já que não utiliza altas temperaturas. “Estimamos um custo 25% inferior aos processos tradicionais utilizados atualmente. Além disso, já comprovamos a similaridade com o osso trabecular em termos de resistência e porosidade”, acrescenta.

    Além do valor mais acessível, outra vantagem do biomaterial é a diminuição das chances de rejeição pelo organismo de quem recebe o enxerto. “Nossos testes preliminares demonstraram 100% de compatibilidade com o corpo humano. Por isso, acreditamos que o material não tenha contraindicação. Porém, estudos específicos devem ser efetuados para comprovar essa nossa hipótese”.

    A tecnologia também poderá ser aplicada para outros fins, como produção de cartilagens. O material já começou a ser testado em camundongos e está na fase de testes com células ósseas e animais. Futuramente, também será utilizado em porcos e bois. A estimativa é que o produto esteja disponível no mercado em um ano para uso veterinário e em dois anos para utilização em humanos.

    Química e Derivados -

    CFQ

    O Conselho Federal de Química é uma autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público, sediada em Brasília (DF). Ao lado dos Conselhos Regionais de Química (CRQs), constitui o que se chama de “Sistema CFQ/CRQ”, irradiando para todas as unidades da federação o conjunto de práticas que regem a atividade.
    As diretrizes de atuação do CFQ incluem, além da evidente valorização e promoção da Química como vetor de desenvolvimento para o Brasil, o compromisso de garantir a oferta à sociedade de bons produtos e serviços dentro da infinidade de possibilidades técnicas oferecidas pela Química nos tempos atuais.
    Mais informações: http://cfq.org.br/



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *