Logística, Transporte e Embalagens

Perspectivas 2017 – Infraestrutura: Graves deficiências nacionais pedem investimento em máquinas, logística e geração de energia

Antonio C. Santomauro
25 de março de 2017
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    Eletroeletrônicos – Setores da indústria eletroeletrônica mais diretamente vinculados à produção industrial, como automação e equipamentos, também projetam para este ano desempenho mais satisfatório, relativamente ao registrado em 2016. Em alguns casos, porém isso pode significar crescimento zero, ou mesmo queda menos acentuada (Tabela 3).

    Química e Derivados,

    Química e Derivados, Groszmann prevê bons negócios na automação de processos

    Groszmann prevê bons negócios na automação de processos

    A indústria dedicada à automação industrial, por exemplo, realizará este ano volume total de negócios no máximo similar ao auferido em 2016, projeta Raul Groszmann, diretor dessa área na Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica). Não haverá grandes projetos nos principais usuários dessa tecnologia, como óleo/gás, mineração e montadoras de automóveis, e os negócios se concentrarão em atualização e em pequenos projetos de automação de processos. “Deve haver investimento no setor alimentício, algo na área de energia, especialmente no campo das energias renováveis, e maturação de projetos lançados nos últimos anos pela indústria química”, especifica Groszmann.

    Ele até visualiza riscos para essa perspectiva de um ano ao menos estável para os negócios da indústria brasileira da automação industrial. Entre eles, as medidas de fechamento do mercado norte-americano prometidas por Donald Trump, que podem levar empresas que lá atuam a buscar presença mais ativa em regiões onde as empresas brasileiras têm presença intensa (como o Mercosul). “Além disso, está previsto para este ano o encerramento do programa Inovar Auto, que foi muito importante para que a indústria automobilística realizasse negócios no Brasil”, acrescenta o diretor da Abinee.

    Química e Derivados, Silva: vendas só voltarão com o fim da ociosidade industrial

    Silva: vendas só voltarão com o fim da ociosidade industrial

    Por sua vez, Antonio Cesar da Silva, diretor da área de Equipamentos Industriais da mesma entidade, prevê: o faturamento desse segmento da indústria eletroeletrônica – composto por fabricantes de bombas, geradores e inversores, entre outras categorias de produtos –, pode aumentar em aproximadamente 3%, relativamente a 2016 (quando seus negócios caíram quase 8%). “Mas esse resultado somente será possível se desaparecer a ociosidade em muitos setores industriais e ocorrer retomada de investimentos nos setores produtivo e de infraestrutura”, ressalva Silva.

    Válvulas e bombas – Para os fabricantes de válvulas industriais instalados no Brasil, as perspectivas para 2017 ainda não se mostram favoráveis, como afirma Djalma Bordignon, presidente do CSVI (Câmara Setorial de Válvulas Industriais), da Abimaq. Essa indústria tem como principal mercado o setor de óleo e gás, no qual o operador dominante é a Petrobras, que além de viver há algum tempo situação bastante complicada, anuncia em seus novos projetos participação mais intensa de empresas do exterior. “Em valor, 75% do consumo nacional de válvulas industriais já é importado”, calcula Bordignon.

    Segundo ele, no ano passado os negócios da indústria brasileira de válvulas industriais recuaram entre 40% e 50%, registrando movimento relativamente satisfatório apenas no mercado de máquinas agrícolas (que também este ano deve ser aquele onde a demanda por esses produtos será mais aquecida). “Em nossa indústria houve muitas demissões, foram fechadas pequenas e médias empresas, e algumas multinacionais que aqui estavam saíram do Brasil”, relata Bordignon. “Se o governo não ajudar com medidas como queda nos juros, câmbio mais competitivo para as empresas nacionais e mais financiamento, acho difícil essa situação melhorar”, pondera.

    Carlos Walter Martins Pedro, presidente da CSBM (Câmara Setorial de Bombas e Motobombas), da Abimaq, também qualifica 2016 como ano muito ruim para o segmento da indústria de máquinas e equipamentos no qual atua. “A retração foi muito forte, especialmente no segmento dos produtos engenheirados, destinados a setores como óleo/gás e saneamento, encontrando algum alento nas bombas residenciais, como reflexo da situação de escassez de água em algumas regiões do país”, detalha. “No geral, os negócios do setor caíram uns 3%”, diz Pedro.

    Química e Derivados, Pedro: economia previsível vai aumentar a demanda por bombas

    Pedro: economia previsível vai aumentar a demanda por bombas

    Em 2017, ele projeta, a indústria nacional de bombas e motobombas obterá faturamento similar ao de 2016. “Visualizamos um horizonte de maior previsibilidade na economia, com inflação controlada e queda nos juros. E nesse cenário pode aumentar a demanda por bombas e motobombas; a indústria brasileira precisa investir na atualização de seu parque”, observa o presidente da CSBM.



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