Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Perspectivas 2017 – Etanol: Produção e demanda caem, mas usinas investem nos canaviais e esperam preços adequados

Hamilton Almeida
20 de março de 2017
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    Química e Derivados, Nastari: regulação definirá a competitividade do etanol

    Nastari: regulação definirá a competitividade do etanol

    Nastari recorda: “O Brasil já chegou a exportar 4,68 bilhões de litros de etanol na safra 2008/09. No ano civil de 2008, foram 5,1 bilhões de litros. Desde então, a crise do setor de açúcar e etanol, causada pela intervenção no preço da gasolina, e a alteração da política fiscal, fez com que diminuísse a disponibilidade de produto para exportação”.

    Com relação ao nível dos preços praticados, Rodrigues explica que ele é formado diariamente, dependendo da oferta e da demanda: “Tudo vai depender da política de preços da gasolina mantida pela Petrobras, que está alinhada com o mercado internacional. É isso que vai fazer flutuar o preço do etanol”.

    O etanol também depende da política tributária: 85% do mercado se concentra nos Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Na análise de Nastari, no último ano, os preços subiram refletindo a menor oferta. “Estimamos que, em 2017, os preços do etanol continuarão pressionados por uma oferta ainda controlada”, acrescenta.

    RenovaBio – Para Rodrigues, já é possível divisar, entretanto, uma alteração na oferta de cana por conta da renovação dos canaviais e a busca de maior produtividade. O que poderá impactar a produção de açúcar e de etanol nos próximos anos.

    A maior mudança, no entanto, na opinião do executivo, deverá ser protagonizada pelo programa RenovaBio, que ele considera um marco na história do desenvolvimento do setor, comparável ao lançamento do Proálcool (1975) e do surgimento dos carros a etanol e flex – a oferta de cana dobrou no país, entre 2004 e 2008, por causa dos veículos flex.

    “Desde que foi lançada a frota flex do Brasil, em março de 2003, o consumo de etanol hidratado cresceu bastante, passando de 4,75 bilhões de litros em 2004/05, para 14,54 bilhões de litros em 2016/17”, observa Nastari. “O consumo de etanol anidro passou de 7,69 para 11,91 bilhões de litros. No mesmo período, o consumo de etanol para alcoolquímica e todos os usos industriais e domiciliares passou de 1,02 para 1,68 bilhão de litros”.

    Rodrigues narra que o governo pretende colocar a nova regulação em consulta pública, em março próximo: “A grande expectativa para 2017 é que se concretize a regulação e se defina a participação do etanol na matriz energética. Aí, os empresários terão mais segurança para investir”. Nastari concorda: “O setor precisa de uma regulação que defina como se dará a competitividade do etanol em relação à gasolina”.

    O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix Bezerra, anunciou o lançamento do programa RenovaBio 2030 em audiência pública da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas do Senado Federal, no dia 8 de novembro do ano passado. A audiência teve por objetivo debater a influência dos biocombustíveis no cumprimento das metas brasileiras estabelecidas no Acordo do Clima de Paris.

    De acordo com a definição do Ministério, o RenovaBio 2030 é uma iniciativa que busca garantir a expansão da produção de biocombustíveis no país, baseada na previsibilidade, na sustentabilidade ambiental, econômica e financeira, em harmonia com o compromisso brasileiro na COP21 e compatível com o crescimento do mercado.

    Por meio do diálogo entre governo e os diversos agentes que atuam no mercado de energia, o RenovaBio buscará convergências sobre a relevância do biodiesel, do etanol e de novos biocombustíveis, com vistas à definição do papel dos biocombustíveis na matriz energética nacional. O resultado dessa iniciativa será fundamental para o diagnóstico setorial, para a identificação de necessidades e para o planejamento de ações de curto, médio e longo prazos.

    A COP 21, a Conferência do Clima da ONU, realizada no final de 2015, em Paris, definiu metas para frear as emissões de gases de efeito estufa, uma maneira de enfrentar as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global. Essas emissões cresceram 3,5% no Brasil, em 2015, em relação a 2014, segundo balanço divulgado pelo Observatório do Clima, rede que reúne 40 organizações da sociedade civil.

    Em conformidade com o Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG), o país emitiu 1,927 bilhão de t de CO2 contra 1,861 bilhão de t em 2014. O desmatamento foi, segundo o estudo, o principal responsável pelo aumento, o que contrariou a tendência de queda no lançamento de poluentes, esperada em um ano de recessão, com retração de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

    O Brasil poderá, assim, dobrar a produção de etanol em 13 anos, ou seja, atingir um patamar em torno de 56 bilhões de litros em 2030. Dentro dos conceitos de sustentabilidade ambiental e econômica, deverão ser estabelecidas regras para comercialização e o investimento em novos biocombustíveis, como o etanol de segunda geração (a partir do bagaço ou da palha da cana), o biodiesel HVO (óleo vegetal hidrotratado), o diesel de cana, o biogás/biometano (substitui o diesel na frota que transporta cana) e o bioquerosene.

    “Mais do que antes, o etanol é o combustível do futuro. Quando se leva em conta o conceito do poço-a-roda, os biocombustíveis representam a única solução disponível para atingir as metas de descarbonização previstas no Acordo do Clima de Paris. As principais montadoras preconizam o uso de misturas elevadas de etanol para permitir a adoção de motores cada vez menores, com elevadas taxas de compressão”, explicou Nastari.

    “O Brasil e outros países com potencial para desenvolver a produção sustentável de etanol de biomassa, principalmente de cana-de-açúcar, têm uma oportunidade muito grande de estabelecer as bases seguras para o desenvolvimento sustentado desta atividade tão importante para a economia, a geração de empregos e o meio ambiente”, prossegue o consultor. “Mas, para que isso aconteça é preciso definir a regulação de mercado que viabilize esta expansão pelo setor privado. Sem isso, continuaremos falando apenas de potencial”.



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