Perspectivas 2017 – Cosméticos: Inovação e diversificação de produtos estimulam vendas no país e também no exterior

Química e Derivados, Perspectivas 2017 - Cosméticos: Inovação e diversificação de produtos estimulam vendas no país e também no exterior

Após um tropeço em 2015, os negócios de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos encerraram o ano passado com um desempenho modesto, praticamente repetindo a performance do exercício anterior (0,2%), mas poderão voltar a crescer em 2017: 2,8%, segundo as projeções da edição de 2016 da Pesquisa de Beleza e Cuidados Pessoais da Euromonitor.

De acordo ainda com o instituto, entre as maiores categorias em valor de vendas, os produtos masculinos – alguns itens são usados também pelo público feminino – apresentaram uma evolução significativa em 2016: crescimento de 4,6% no comparativo com o ano anterior. Já os produtos para cabelo caíram 0,1% e as fragrâncias aumentaram 1,5%. Para 2017, a expectativa é que esses três subsetores se expandam, respectivamente, às seguintes taxas: 4,5%, 3,4% e 2,7%.

Dinâmico por natureza e movido a constantes inovações de produtos, a área de HPPC também tem se caracteriza por apresentar números superiores às das demais divisões industriais. Tanto é assim que, num espaço de 20 anos, apresentou um crescimento médio próximo a 11,4% ao ano, tendo passado de um faturamento ex-factory (líquido de imposto sobre vendas) de R$ 4,9 bilhões, em 1996, para R$ 42,6 bilhões em 2015.

Esses números são da Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) e colocam o Brasil como um dos principais mercados do planeta, atrás somente dos Estados Unidos, China e Japão.

Até agora, 2015 é o ponto fora da curva. Com o aumento do IPI aplicado em maio daquele ano, somado à recessão econômica que ampliou o desemprego, o setor se retraiu quase 9% pela primeira vez nos 23 anos anteriores, como atestam os dados da Abihpec.

A estimativa da Euromonitor é que, no período 2015-2020, deverá haver um crescimento acumulado de 14,3%, ou seja, em média de 2,7% ao ano. Essas avaliações ressaltam que, em 2020, as vendas finais ao consumidor, considerando também as taxas e impostos, assim como os mark-ups dos varejistas, poderão chegar ao patamar de R$ 115,095 bilhões (pelo mesmo critério de cálculo, as vendas em 2015 foram de R$ 100,6 bilhões).

O “excelente” desempenho é atribuído pela Abihpec aos seguintes fatores: participação crescente da mulher brasileira no mercado de trabalho; utilização de tecnologia de ponta com o consequente aumento de produtividade, que favorece os preços praticados, com aumentos menores do que os índices de preços da economia em geral; lançamento constante de produtos; aumento da expectativa de vida da população, que está criando a necessidade de o consumidor cuidar ainda mais do seu bem-estar; e a incorporação crescente do público masculino.

Nos “anos de ouro” da economia brasileira, quando houve aumento de renda, os produtos cosméticos passaram a fazer parte também do cotidiano das classes D e E e os novos integrantes da classe C passaram a consumir produtos com maior valor agregado.

O perfil brasileiro de consumo é dividido em 91% para produtos de massa e 9% premium. E a procura por fragrâncias se expande em ritmo mais elevado, de dois dígitos em volume, do que os dos demais produtos da seção.

A área premium registra forte crescimento no mundo, o que, pelas pesquisas da Euromonitor, tem levado as empresas de beleza a oferecer um conjunto cada vez maior de soluções de qualidade e personalização. Considera-se que, na China e na Coréia, mais de 50% dos compradores premium têm rotinas de beleza “extensas”, enquanto em países como França, Alemanha e Reino Unido os compradores premium tendem a ser “moderados”.

Nesse contexto, a busca por produtos com ingredientes naturais está se tornando uma “febre”. Em todos os mercados do planeta, uma boa parte dos consumidores se importa com a linha natural. “Quase seis em cada 10 compradores preferem, definitivamente, ingredientes naturais, mesmo quando isso significa renunciar a preços baixos”, revelou a pesquisa.

Ranking – O mercado brasileiro corresponde a 7,1% do consumo mundial, informa a Euromonitor. O país ocupa a 2ª posição mundial nas seguintes categorias de produtos: depilatórios, desodorantes, perfumes, masculinos e de proteção solar. E 3º em higiene oral, produtos infantis e para cabelos. É o 4º maior mercado em produtos para banho, 5º em maquiagem e 8º em produtos para pele.

Levantamento da Abihpec aponta que o Brasil conta com 2.613 empresas regularizadas na Anvisa, sendo 20 de grande porte, com faturamento líquido de impostos acima dos R$ 200 milhões, representando 75% do faturamento total do ramo obtido no país. A maior parte das empresas está localizada na região Sudeste (1.598), seguida do Sul (500).

Ranking dos maiores grupos, pela classificação da Euromonitor: Unilever, Natura, Botica Comercial Farmacêutica, Procter & Gamble, L`Oréal, Colgate-Palmolive, Avon, Johnson & Johnson, Hypermarcas e Beiersdorf. A indústria gera ao redor de 6 milhões de postos de trabalho.

A reboque, o mercado de serviços de beleza – cabeleireiro, manicure e pedicure, atividades de estética e outros – vem apresentando crescimento constante, pelo menos desde 2009. A Abihpec calcula que há mais de 600 mil salões de beleza no país, que empregam 1,2 milhão de pessoas.

[adrotate banner=”278″]

As indústrias direcionam 2% das suas receitas para pesquisa e desenvolvimento. É o segundo segmento industrial que mais investe em inovação. Também se destaca nos investimentos em publicidade, estando atrás somente do comércio varejista e dos serviços ao consumidor, salienta pesquisa Ibope.

Os bons números nacionais camuflam, no entanto, outro aspecto da realidade: os tributos funcionam como uma trava ao desenvolvimento. Em 2015, o segmento foi penalizado com aumentos de ICMS em 18 Estados, além do forte impacto provocado pelo desdobramento do IPI da indústria para as distribuidoras. O aumento de imposto foi repassado ao preço final dos produtos, contribuindo com a recessão para a redução do consumo.

Em Minas Gerais, por exemplo, o ICMS incidente sobre os cremes dentais saltou de 12% para 27%, um aumento de 125%; e aumento de 50% em itens básicos como escova dental, sabonete, absorvente higiênico e papel higiênico (de 12% para 18%). No Paraná, a taxa incidente sobre protetores solares aumentou de 12% para 25% (108,3%).

A posição da Abihpec é que “a pretexto do aumento de recursos aos cofres públicos”, a elevação da carga tributária “vem como resultado final derrubando as vendas do setor e, por consequência, reduzindo as curvas de arrecadação, gerando efeito contrário ao pretendido pelos governantes”.

Química e Derivados, Perspectivas 2017 - Cosméticos: Inovação e diversificação de produtos estimulam vendas no país e também no exteriorUm ano interessante – Durante 2016, a Abihpec registrou um avanço de 20% no seu quadro associativo, crescimento que “reforça a importância do trabalho realizado pela entidade em prol da indústria de HPPC”. A Associação iniciou um trabalho estratégico de comunicação externa por meio de diversificados canais “para fortalecer a essencialidade do setor como fundamental para a sociedade”. Os produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos parecem sofrer uma espécie de preconceito, como se fossem supérfluos, embora os hábitos de consumo da população apontem para outra direção.

Resultado de um acordo de cooperação técnico-financeiro entre a Abihpec e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações), o projeto Beautycare Brazil totalizou US$ 137,7 milhões em vendas externas no primeiro semestre do ano passado.

Já em outubro, o projeto “superou as expectativas do resultado idealizado para o fechamento de 2016 pela Apex-Brasil”. Em 2015, as exportações para 97 países somaram US$ 162,6 milhões, o correspondente a 22,7% do total exportado de HPPC. Em vigor desde o ano 2000, a iniciativa tem o objetivo de promover a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

Em agosto do ano passado foi firmada parceria com a Alfândega da Receita Federal de São Paulo – abrange a capital e mais 29 municípios da Região Metropolitana –, para combater as falsificações, o contrabando e a pirataria de produtos, em sua maioria, cosméticos e perfumes. O mercado negro coloca em risco a saúde do consumidor, pois não oferece garantia de qualidade, tanto pela falta de testes em sua produção, como pelo uso de substâncias inadequadas na sua formulação. Além disso, causa prejuízos à indústria instalada no país e ao mercado de trabalho.

Estudos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estimam que houve um prejuízo de R$ 4 bilhões, em 2015. Com base nesse número, o presidente executivo da Abihpec, João Carlos Basílio, destacou, no Anuário 2016 da entidade, que mais de R$ 430 milhões poderiam ter sido gerados em renda de trabalhadores e mais 16 mil empregos formais poderiam ser estabelecidos, se não existisse essa presença de artigos falsificados e de comércio ilegal.

Nas primeiras operações realizadas, mais de 12 toneladas de produtos ilícitos foram apreendidas e destruídas, no valor de R$ 2 milhões. A Abihpec espera ampliar esse convênio para outras unidades da Receita Federal do Estado de São Paulo, assim como para outras unidades de federação.

[adrotate banner=”278″]

3 Comentários

  1. De fato entre um produto químico e um natural eu prefiro o natural.
    E tenho habito de fazer todos da minha casa usarem os produtos,dede o marido aos filhos e neto também.
    E para indicar e vender as outras pessoas primeiro eu gosto de conhecer e provar antes!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.