Economia

22 de Abril de 2016

Perspectivas 2016 – Energia: Empresas buscam suprimento de eletricidade no mercado livre para reduzir riscos adicionais

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Química e Derivados, Perspectivas 2016 - Energia: Empresas buscam suprimento de eletricidade no mercado livre para reduzir riscos adicionais
    Pelas atuais projeções, as tarifas da energia elétrica regulamentadas pelo governo não devem aumentar este ano em índices tão drásticos quanto aqueles registrados em 2015, que chegaram ao patamar de 50% e complicaram ainda mais a conjuntura já bastante adversa para a atividade industrial no Brasil. Porém, interessadas em reduzir os impactos hoje muito significativos desse insumo no processo de composição de seus custos e, simultaneamente, precaver-se das idas e vindas das políticas governamentais, quantidade ainda maior de indústrias deve recorrer ao chamado mercado livre, cujas tarifas são diretamente negociadas entre compradores e vendedores.

    Cerca de 2 mil empresas já são atendidas pelo mercado livre, atualmente responsável por cerca de 27% da energia consumida no país (e 60% do total destinado à indústria). No ano passado os preços desse mercado caíram e atraíram ainda mais a atenção dos potenciais clientes: considerando-se, por exemplo, o conjunto das regiões Sudeste e Centro-Oeste – comprador de mais de 60% da energia ali comercializada –, entre dezembro de 2014 e o mesmo mês do ano passado o preço do MWh (megawatt-hora), caiu cerca de cinco vezes, passando de R$ 601 para R$ 116 (valores referentes ao chamado PLD – Preço de Liquidação das Diferenças –, uma espécie de preço de referência desse mercado).

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    Entre as razões dessa queda aparecem a redução estimada em 1,7% na demanda por energia no país, em comparação com 2014, e uma situação hidrológica mais favorável, aumentando os volumes armazenados nos reservatórios das usinas, ampliando-se então a disponibilidade de energia hidrelétrica.

    Para aderir a esse mercado livre, empresas precisam cumprir alguns requisitos, relacionados principalmente a um patamar mínimo de consumo de energia (ver box). Porém, de maneira geral, quem tem uma conta de energia próxima a R$ 110 mil mensais pode pensar em migrar para o mercado livre, afirma Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc (maior empresa desse mercado, responsável pela gestão de cerca de 15% da carga de energia por ele fornecida). “Com essa migração, conseguirá reduzir sua conta mensal em cerca de 30%”, acrescenta.

    Mas o preço não é o único atrativo do mercado livre: nele estabelecendo contratos que podem durar três, quatro, cinco anos, ou mais, as empresas podem trabalhar com maior previsibilidade a sua dependência desse insumo. “Já a política governamental é sempre uma caixa preta, veja-se o que aconteceu no ano passado com os preços do mercado regulamentado”, ressalta Vlavianos.

    Ancorada nesse benefício, desenvolve-se agora uma “segunda onda” de adesão de empresas ao mercado livre (na primeira, vieram os consumidores intensivos desse insumo, quase todos já integrados a ele). “Agora chegam também shoppings centers, hospitais, indústria automobilística, indústria do plástico, entre outras”, detalha o presidente da Comerc.

    Química e Derivados, Camila: preços livres tendem a ficar estáveis até 2017

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    Esse aumento da procura se reflete na carteira de clientes da Cromerc, que engordou de aproximadamente 250, no final de 2014, para quase quinhentos atualmente. “Ou seja: apenas no último ano agregamos uma quantidade de clientes similar àquela conquistada nos quatorze anos anteriores de nossa existência”, enfatiza.

    E, ao menos até meados de 2017, não há perspectivas de aumento dos preços da energia do mercado livre, destaca Camila Schoti, gerente de energia da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres). “Só haverá elevação desses preços se ocorrer uma mudança no atual regime de chuvas, ou uma expansão na demanda por energia”, pondera. Mas Camila salienta: no Brasil essa demanda permanece caindo, e segundo estimativas da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), em janeiro último foi 8,7% inferior àquela registrada no mesmo mês de 2015. “É uma queda muito significativa”, observa a gerente da Abrace.


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