Plásticos (Resinas, Aditivos, Máquinas e Mercado)

Transformação – Ter condições competitivas para frear o avanço dos importados é a maior preocupação do setor

Maria Aparecida de Sino Reto
8 de março de 2014
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    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - TransformaçãoNão à toa, a indústria de transformação de plástico registra uma rentabilidade 30% abaixo da média da indústria de transformação brasileira como um todo. “Temos os custos mais altos e os preços equalizados pelo mercado internacional; é necessário restabelecer um bom nível de rentabilidade, adequado para atrair novos investimentos em modernização”, atesta, enfatizando que a situação atual ameaça a saúde financeira das empresas e o desenvolvimento de todo o setor.

    A maior contratação de funcionários pela indústria da transformação em 2013 (alta de 2,2%) em um cenário de avanço das importações também preocupa Roriz, pois significa que a indústria, por conta da baixa rentabilidade, está contratando mais em detrimento de investir em máquinas e equipamentos mais modernos e em processos de gestão para melhoria do processo produtivo, proposições para ganhar competitividade.

    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - TransformaçãoNão à toa, a produtividade do setor encolheu 0,5% em 2013. O índice recuou de 18,87 (volume produzido em tonelada/pessoal ocupado), registrado em 2012, para 18,77 em 2013. Enquanto isso, os investimentos na aquisição de máquinas avançaram apenas 4,8% no período – R$ 1,88 bilhão para R$ 1,97 bilhão. E sem mudanças que impulsionem as indústrias transformadoras de plásticos, os níveis de investimentos devem se manter, e a de produtividade, idem.

    Ele enfatiza que o crescimento do país dependerá dele ter uma indústria do plástico competitiva, porque a ela estão atrelados os principais segmentos industriais do país – autopeças, agronegócio, embalagens, construção civil, brinquedos. Os setores de infraestrutura (tubos, perfis e outros materiais plásticos para construção), de construção civil e de embalagens para alimentos tendem a desempenhar um papel relevante no crescimento da indústria de plástico neste ano, como explica: “Tem uma serie de investimentos em marcha em infraestrutura, em estádios, aeroportos e outras, e com a alta do câmbio fica mais vantajoso processar e embalar alimentos no país, ao invés de importar alimentos prontos embalados, como vinha ocorrendo.”

    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - TransformaçãoCrescimento pífio – A produção de transformados plásticos no país evoluiu apenas 1,6% em 2013, passando de um volume de 6,66 milhões de toneladas em 2012 para 6,76 milhões de toneladas no ano passado, com destaque para uma elevação significativa no segundo trimestre, que registrou 1,745 milhões de toneladas, contra 1,626 milhões de toneladas nos três primeiros meses do ano. “A indústria de transformação estocou no segundo trimestre na expectativa de um ano bom, apostando que o mercado iria deslanchar, o que não ocorreu.” De fato, a produção do setor encolheu no restante do ano. Em reais, a alta maior, de 8,6%, embute elevação de custos e repasse de parte desse aumento para os preços. O montante subiu de R$ 56,46 bilhões em 2012 para R$ 61,33 bilhões.

    E as importações continuam em compasso acelerado, em ritmos superiores às exportações, provocando imensos rombos na balança comercial do setor. Para ter ideia do estrago: em 2007, a conta no vermelho era de 1,24 bilhão de reais (0,65 bilhão de dólares). No ano passado o déficit atingiu, como já mencionado, R$ 5,05 bilhões (2,36 bilhões de dólares). Em 2013, a indústria brasileira exportou 255 mil toneladas de transformados plásticos, equivalente a US$ 1,44 bilhão. Os montantes até representaram uma evolução no comparativo com 2012, quando o setor comercializou no exterior 238 mil toneladas de produtos, que resultou em US$ 1,34 bilhão. Porém, as importações passaram de 708 mil toneladas, em 2012, para 731 mil toneladas em 2013, correspondendo a US$ 3,59 bilhões e US$ 3,80 bilhões, nessa ordem.

    “Cada vez mais estamos importando produtos de maior valor agregado”, infere Roriz. O presidente da Abiplast aponta os filmes, laminados de PVC, BOPP e utilidades domésticas entre os mercados mais afetados pela concorrência externa. “Os laminados de PVC sofrem bastante”, lamenta. A importação avança e absorve a maior parcela do crescimento do consumo brasileiro. O levantamento da entidade aponta uma elevação no consumo aparente de 9,1% em valores (subiu de R$ 60,8 bilhões, em 2012, para R$ 66,3 bilhões, em 2013) e 1,5% em volume: evoluiu de 7,130 milhões de toneladas para 7,236 milhões de toneladas, nessa ordem.

    Os transformadores brasileiros, como atesta Roriz, estão habilitados à tarefa de suprir a contento o mercado doméstico e ganhar espaço no comércio internacional, para tanto só dependem de que se desatem os nós que impedem o seu desenvolvimento. A solução passa pela integração entre os elos da cadeia. “As margens não podem ficar retidas apenas no segmento que tem o maior lobby ou força política, mas distribuídas na cadeia produtiva como um todo”, desafia.



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