Plásticos (Resinas, Aditivos, Máquinas e Mercado)

Transformação – Ter condições competitivas para frear o avanço dos importados é a maior preocupação do setor

Maria Aparecida de Sino Reto
8 de março de 2014
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    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - TransformaçãoO roteiro traçado pelo presidente da Abiplast para melhorar o desempenho do seu setor ainda contém ações que pretendem romper barreiras que impedem as indústrias de alçarem patamares mais elevados de competitividade, mas estão atreladas ao apoio do governo. O segmento pleiteia a isonomia entre IPI de matérias-primas e produtos finais, a revisão da lógica tributária da atividade de reciclagem (hoje a resina reciclada é sobretaxada ao pagar os mesmos impostos que a resina virgem) e condições de acesso a matérias-primas a preços competitivos.

    Contra o monopólio – O pedido relativo à obtenção de resinas a preços melhores carrega a intenção de por um fim às medidas de proteção comercial para o PVC e para o polipropileno e desacelerar as altas hoje sucessivas estabelecidas nos preços das resinas brasileiras. Roriz aceita a necessidade de ganho de escala e musculatura competitiva em âmbito global do fabricante brasileiro de matérias-primas, mas acha fundamental manter o mercado internacional como opção competitiva ao produto local.

    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - TransformaçãoO presidente da Abiplast critica os aumentos, na média 18%, ao longo de 2013, imputados aos preços das principais commodities, na opinião dele abusivos e impostos por conta da falta de concorrência. A Braskem já é a única produtora nacional de polietileno e polipropileno e, caso o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprove a recente aquisição da Solvay, também será a única fabricante local de PVC – a propósito, de toda a América Latina. “Preocupa a reserva de mercado brasileiro para a Braskem, um monopólio que não investe no Brasil, mas sim no México, nos Estados Unidos, na Alemanha, e estamos ficando cada vez mais distantes dos grades mais inovadores lançados no mercado mundial”, provoca Roriz. O acesso às inovações, diz, é estratégico para melhorar a competitividade dos transformadores que procuram diferenciais para os seus produtos e novos desenvolvimentos.

    Mas o mercado está aberto às importações, ok? Então, os transformadores insatisfeitos podem comprar no exterior resinas a preços melhores, afinal o mercado está aberto à concorrência internacional. A realidade, porém, não é bem assim. Com uma produção local deficitária em cerca de 450 mil toneladas anuais, segundo estimativas de Roriz, o antidumping contra as importações de PVC dos Estados Unidos e do México perdura há vinte anos. Em 2010, o governo acatou solicitação de medidas de defesa comercial em favor da produtora nacional da resina e imputou uma taxa de 10,66% às importações de polipropileno dos Estados Unidos e, recentemente, a Câmara de Comércio Exterior aprovou outro pedido de antidumping provisório para o polipropileno da África do Sul, da Coreia do Sul e da Índia.

    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - Transformação“Esse direito provisório restringe o acesso a outras fontes de fornecimento da matéria-prima além dos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, Índia, Coreia e África do Sul existem produções excedentes de polipropileno; o restante do mercado é comprador, existe déficit de resina; desse modo, com o antidumping fica cerceada a compra no mercado internacional”, reclama Roriz.

    Segundo informa o presidente da Abiplast, o anúncio do direito provisório de antidumping de PP acontece em um momento de forte pressão de alta nos preços domésticos de matéria-prima e provocou uma alta considerável no valor da resina: “Injetou de 8% a 9% na veia.” Em seus cálculos, as principais commodities brasileiras custam, em média, 35% acima do patamar internacional.

    Química e Derivados, Perspectivas 2014 - TransformaçãoExiste no mercado a prática de cobrança da chamada “taxa de conforto”, uma porcentagem acrescida ao preço da resina nacional, mas a indústria de transformação acha demais o acréscimo entre 10% e 15% acima do valor internado e ainda as alíquotas de importação e antidumping.

    Juntos, os polietilenos, o polipropileno e o PVC representam mais de 80% da matéria-prima utilizada pelo setor. Os transformadores não conseguem repor os seus custos nas mesmas proporção e velocidade que sofrem os aumentos. O ambiente de forte competição que permeia a indústria moldadora de plástico, aliado à pressão cada vez maior do mercado por preços melhores, como o setor automotivo, entre outros, impõem um freio ao repasse das elevações nos seus custos. Para dar uma ideia da situação, Roriz diz que contra um aumento de 17% nos preços do polipropileno no ano passado, os preços da transformação subiram 5,04%.



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