Resinas Termoplásticas – Elevar a sua competitividade e reduzir o déficit

Um parêntese: o advento do shale gas (gás de xisto) e a dimensão gigantesca dessa nova fonte de gás natural promoveu uma revolução energética nos Estados Unidos, tornou a sua indústria petroquímica extremamente competitiva e abriu novas perspectivas para a produção de polietilenos com matérias-primas a custos bastante atrativos (ver PM no 438, de abril de 2011, pág. 25). Esse contexto ameaça a competitividade do mundo petroquímico global, de cabelos em pé desde então, particularmente os produtores que se abastecem com matérias-primas de alto custo.

O caminho apontado pelo coordenador da Coplast para que a indústria brasileira consiga igualar as condições de competitividade passa pela disponibilidade futura de hidrocarbonetos, tanto de petróleo como de gás, das reservas do pré-sal. Ele aposta nessas riquezas como uma fonte competitiva de matéria-prima para a indústria petroquímica brasileira; e também vislumbra uma possibilidade nas próprias reservas nacionais de gás de xisto. “É importante que se tenha um direcionamento dessas matérias-primas para que as indústrias químicas e petroquímicas possam ter essa condição competitiva”, atenta.

Muitas polêmicas – Outras discussões que prometem acalorar este ano envolvem os preços praticados no país para as principais resinas brasileiras; o recente redesenho da petroquímica nacional, que concentrou também a oferta de PVC nas mãos de um único produtor, a Braskem, que já detinha toda a produção de PE e PP do país; e o acréscimo recente de outro pedido de antidumping provisório para o polipropileno da África do Sul, da Coreia do Sul e da Índia, sendo que vigora, desde 2010, medida de defesa comercial para o PP dos Estados Unidos. Além de antidumping, com mais de vinte anos, para o PVC dos Estados Unidos e do México. A concentração produtiva e as medidas protecionistas incomodam a indústria de transformação nacional, que reclama de ter cerceado o seu acesso aos mercados nos quais há disponibilidade e preço competitivo de matéria-prima e de ter de pagar pelas resinas brasileiras preços, em média, 35% acima dos patamares internacionais.

“Eu não tenho delegação para falar de política comercial e de preços dos associados da Abiquim”, preserva-se Guidolin. Mas ele comenta que os produtos químicos e petroquímicos seguem com a precificação internacional. “Se sobe no Brasil é porque teve alta no restante do mundo também; com o mercado global, os procedimentos são globais.”

Com respeito às proteções antidumping adotadas pela indústria petroquímica nacional, o coordenador da Coplast comenta que se trata de medidas de defesa comercial, mecanismos legítimos da indústria para se defender contra práticas de comércio desleais e validados pela Organização Mundial do Comércio. “Não podemos discordar da legitimidade de se defender contra práticas desleais de comércio. É legítimo o estabelecimento de medidas antidumping que resultam de investigações feitas com bastante profundidade pelo governo; e recentemente a própria indústria de transformação tem buscado também esses mecanismos, solicitando investigações com relação aos seus produtos.”

Um acordo firmado no final de 2013, para a compra de 70,59% do capital da Solvay Indupa, produtora de soda/cloro e de PVC na Argentina e no Brasil, eleva a Braskem à posição de maior produtora de PVC da América Latina e a quarta das Américas. O negócio, que ainda depende das aprovações dos órgãos reguladores, acresce 540 mil toneladas anuais à capacidade instalada de PVC da Braskem, elevando-a para 1,25 milhão de toneladas anuais (ver PM no 470, de dezembro de 2013). Ainda assim, a oferta da resina em solo brasileiro é deficitária diante das necessidades de abastecimento local – a importação de PVC representa quase um terço do mercado brasileiro.

O último investimento da Braskem em ampliação de capacidade de PVC, de R$ 1 bilhão, aconteceu em 2012, com a inauguração de uma planta, em Marechal Deodoro-AL, de 200 mil toneladas anuais, após dois anos para a sua construção. O empreendimento, somado às outras unidades produtoras da empresa, elevou a disponibilidade total do polímero para 710 mil toneladas anuais.

Em outubro do ano passado, a petroquímica anunciou investimentos de R$ 50 milhões para expandir a sua capacidade de produção de polietileno linear de baixa densidade em 120 mil toneladas anuais, direcionando 100 mil toneladas desse volume aos tipos sintetizados com catalisadores metalocênicos. Para tanto, a Braskem planeja converter uma de suas linhas industriais de produção de polietileno em Camaçari-BA. A ideia é iniciar a nova operação no primeiro semestre de 2015. Os polietilenos de base metalocênica oferecem propriedades de maior resistência, brilho, transparência e selagem e se destinam particularmente às aplicações em filmes especiais, bobinas técnicas e filmes industriais. A atual capacidade produtiva desses polímeros, segundo informações da fabricante, supera as 350 mil toneladas anuais.

O mercado de poliestireno no Brasil vem modificando o seu contorno nos últimos anos e a incorporação da Innova (então Petrobras), ocorrida também no segundo semestre do ano passado, deve dar musculatura competitiva à Videolar em estirênicos, mas deixa o fornecimento local mais enxuto, restrito a apenas dois produtores: a Videolar e a Unigel.

A Videolar produz PS em Manaus-AM e agora passa a dispor da produção integrada de etilbenzeno, de estireno e de poliestireno da Innova, localizada no Polo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. A capacidade instalada da compradora sobe para 275 mil toneladas anuais.

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