Perspectivas 2014 – Infraestrutura – Investimentos devem crescer 3,5% e participação privada promete se consolidar

O economista da Abimei, Otto Nogami, calcula que o país precisa investir de R$ 500 bilhões a R$ 600 bilhões por ano apenas em infraestrutura “para recuperar o que não foi feito até agora”. Para ele, o cenário econômico não é alentador. A tendência é de retração nos investimentos, maior pressão inflacionária, taxa de juros de dois dígitos (“12% não será assustadora”) e menor consumo das famílias.

A tendência para o setor industrial em 2014 é de queda, após uma leve alta nos negócios no último trimestre de 2013, segundo Nogami. “A economia brasileira precisa de mais investimentos para combater a inflação. Mas muitas empresas estão adiando os investimentos”, arremata.

Química e Derivados, Godoy: ideologia ainda atrapalha obras em saneamento básico
Godoy: ideologia ainda atrapalha obras em saneamento básico

Abdib – Mesmo sem ter ainda um número para exibir sobre os investimentos em infraestrutura em 2014, Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), tem a convicção de que, a longo prazo, a tendência é de crescimento.

“Com os governos dando mais foco na necessidade de investir em infraestrutura, temos observado, nos últimos dez anos, uma curva crescente de investimento a médio e longo prazos. Acredito que o investimento na infraestrutura vai continuar crescente”, afirma.

“Temos trabalhado para viabilizar os projetos de aeroportos, portos, rodovias e ferrovias inseridos nos últimos programas de concessão lançados pelo governo federal. Temos apoiado os planos dos estados, nas áreas de transporte e mobilidade urbana. Insistimos na necessidade de ampliar a participação privada na expansão da infraestrutura de saneamento básico no Brasil, mas ainda há muita ideologia política impedindo essa diretriz”, relata Godoy.

O empresário acredita, no entanto, que “é possível acelerar os atuais níveis de investimento em infraestrutura. Para isso, precisamos que as instituições e os governos tenham mais disposição política e eficiência administrativa, mesmo com todas as limitações que conhecemos, criadas pela burocracia e pela visão distorcida de alguns órgãos ou setores da administração pública”.

De acordo com Godoy, em 2012, o Brasil investiu algo em torno de 2,5% do PIB em infraestrutura, considerando os setores de saneamento básico, transportes, energia elétrica e telecomunicações. “Se incluirmos petróleo e gás natural, investimos 4,5% do PIB em 2012. Temos de trabalhar para atingir 4%, sem considerar petróleo e gás, até 2016”, salienta.

O presidente da Abdib declara que “isso seria fundamental para a economia crescer com sustentabilidade, inclusão e desenvolvimento social”. Por isso, os programas de concessão nos setores de infraestrutura são tão importantes. “Esses programas começaram a deslanchar no setor de transportes e, quando esses projetos forem transformados em canteiros de obras, vão impactar positivamente no resultado anual de investimentos em infraestrutura.”

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