Química

Perspectivas 2014 – Entrevista: Setor químico nacional precisa resolver questões além da matéria-prima

Marcelo Fairbanks
19 de fevereiro de 2014
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    QD – Mas a Oxiteno e a Braskem, por exemplo, estão investindo mais no exterior.
    PW – São companhias brasileiras com estratégias mundiais de negócios. A Oxiteno, por exemplo, depois do projeto de álcoois graxos, tem investido mais no exterior. No México e nos Estados Unidos, por exemplo, as oportunidades são muito boas e precisam ser aproveitadas.

    QD – Quais seriam as mudanças prioritárias para recuperar o ânimo dos investidores no setor químico?
    PW – É preciso resolver as questões que travam todas as atividades industriais. Especificamente para o setor, seria importante definir preços mais competitivos de matérias-primas e de energia. Além disso, a produção mineral, fundamental para a química inorgânica, também precisa de uma regulamentação melhor para avançar.

    QD – Como fica a Petrobras nessa visão?
    PW – Temos aí um problema conceitual. A Petrobras é sócia da Petrocoque, da Deten, da Braskem e de uma série de outras companhias. Por quê? Os tempos mudaram. O governo, a sociedade e a companhia precisam decidir se essa é a melhor configuração. Talvez seja necessário repensar o modelo petroquímico atual.

    QD – Mas foi tão complicado montar o modelo atual, com uma empresa com musculatura para disputar o mercado global. E a participação societária da Petrobras nesse caso foi até desejada pelos acionistas.
    PW – Esse modelo não está mais funcionando a contento. A Braskem é uma companhia com estratégia internacional, mas a Petrobras tem o foco no Brasil. Há divergências, a começar pela definição do preço da nafta petroquímica. Houve uma sugestão recente, do Otto Perrone, para separar as partes. A Petrobras ficaria com as centrais de matérias-primas e as aproximaria do parque de refino, enquanto a Braskem se concentraria nos polímeros. Pode ser uma saída, desde que os contratos de suprimento de insumos a longo prazo fiquem adequadamente ajustados, é claro.

    QD – Mudando de assunto, a química verde tem espaço após a chegada do shale gas?
    PW – O Bndes está apoiando alguns projetos nesse sentido, em especial para o aproveitamento do bagaço de cana. Faz bem. Há iniciativas interessantes para desenvolvimento de tecnologia nessa área no Brasil. Mas o cenário está mudando por causa do shale gas. O uso dos chamados combustíveis verdes, por exemplo, está perdendo força, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Desenvolver rotas químicas com produtos de origem natural renovável pode ser a melhor alternativa.



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