Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Perspectivas 2013 / Química – México, a bola da vez

Marcelo Fairbanks
15 de março de 2013
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    Uriegas entende que a elevação dos custos de mão de obra na China favorece a evolução manufatureira mexicana. Ele informou que a diferença de salário entre México e China era de 238% em 2002, e foi reduzida para a casa dos 10% em 2012. “Além disso, um contêiner de 53 pés leva de quatro a cinco dias de viagem, ao custo de US$ 3.058,00 para ir de Monterrey a Chicago. Um contêiner de 40 pés leva 22 dias para chegar ao mesmo destino, vindo da China, ao custo de US$ 5.239,00”, explicou.

    Alexanderson concorda com o empresário, mas aponta a necessidade de reestruturar as contas nacionais. “Atualmente, 38% da receita federal é proveniente da Pemex”, informou. Outro problema que precisa ser equacionado é a redução, verificada nos últimos anos, do número de químicos e engenheiros químicos no país. “Estamos conversando com as universidades para mudar o currículo e tentamos motivar os jovens a optar pelas carreiras ligadas à indústria”, comentou.

    A Aniq criou o Instituto de Competitividade da Indústria Química, voltado para a capacitação especializada de profissionais nas áreas de logística (cadeias de suprimento), energia, vendas químicas, recursos humanos, comércio exterior, seguridade e saúde ocupacional. “Revisamos as carreiras e identificamos oportunidades para apresentar às universidades e estas puderam criar cursos novos com alta empregabilidade”, explicou. Outra linha de formação está voltada para profissões afins, como motoristas, instrutores e profissionais liberais que atuem no setor (advogados, contadores etc.). A Aniq também desenvolve competências e a certificação de padrões operacionais para atendimento a emergências químicas, operadores de destilações, de mesas de controle, expedição e operadores aduaneiros. Há cursos para diplomados que duram apenas seis meses e são oferecidos nas formas presencial e não presencial, com o respaldo de universidades.

    Ele explicou que a formação superior nas universidades privadas mexicanas tem mais credibilidade que nas públicas, mas cada curso completo custa em média US$ 75 mil. Daí a importância de contar com modalidades de formação que sejam mais adequadas às necessidades das indústrias químicas, que passam a receber jovens bem formados e prontos para o trabalho. “Os alunos também procuram cursos com melhor possibilidade de emprego futuro, e isso nos ajuda a dialogar com as instituições de ensino”, afirmou.

    A Aniq oferece estudos e serviços especializados em análise de mercados, salários e compensações, comércio exterior, riscos ambientais e satisfação do cliente. Outros serviços incluem análise e diagnóstico de consumo de energia, competitividade operacional e ambiental, entre outros, todos conduzidos por especialistas com larga experiência no ramo. A entidade fortalece parcerias com universidades, faculdades, centros de pesquisas e com associações congêneres, para atingir o objetivo de crescer entre 15% e 20% a formação de profissionais. “80% da receita da Aniq é obtida pela venda de serviços e só 20% vem das contribuições mensais dos associados, ou seja, precisamos oferecer serviços cada vez melhores”, avaliou Alexanderson.

    A reforma laboral recentemente instituída no México deve apresentar bons resultados em pouco tempo. “O modelo de sindicalização ficou mais parecido com o dos EUA: o trabalhador e a empresa podem escolher livremente o sindicato ao qual querem se filiar, e podem mudar mais tarde, caso não fiquem satisfeitos”, explicou. Ele também disse que, antes da reforma, cada trabalhador só fazia uma única tarefa dentro de uma companhia, elevando o custo total do trabalho. Agora, será possível fazer várias operações. “O trabalhador também poderá se qualificar e conseguir promoções, o que antes era muito difícil, tal a rigidez do sistema”, salientou.

    Etileno XXI avança – O maior projeto petroquímico em curso no México (e em toda a América Latina) é o complexo Etileno XXI, em Vera Cruz, uma associação entre o grupo mexicano Idesa (35%) e a brasileira Braskem (65%), que receberão etano de gás natural da Pemex a preços competitivos. Com isso, começará a produzir um milhão de t/ano de eteno e cerca de um milhão de toneladas de polietilenos (PEAD, PEBD) a partir de 2015. “O México consome quase 2 milhões de t/ano de polietilenos, mas só produz cerca de 600 mil t/ano, exigindo grandes importações”, comentou Uriegas. O complexo será direcionado para suprir uma grande parte do mercado interno.

    Roberto Bischoff, presidente da Braskem-Idesa, confirma para junho de 2015 a partida dos fornos de etano, com tecnologia Technip, e de suas três unidades de polietilenos (tecnologias Ineos e LyondellBasell). “A compra dos equipamentos críticos foi concluída ao custo de US$ 600 milhões, abaixo do orçado, pois fomos beneficiados pela queda dos investimentos mundiais provocada pela crise”, comentou.

    Os equipamentos foram encomendados em vários países: a torre de separação de eteno, com 80 metros de altura em peça única, foi comprada na Índia e exigirá uma operação logística especial para levá-la do porto ao local da obra. O reator tubular para PEBD virá da Alemanha, enquanto vários compressores estão sendo fabricados na Itália. “Temos um compromisso de comprar US$ 40 milhões em equipamentos brasileiros, com financiamento do BNDES, e vamos comprar bem mais do que isso, incluindo bombas da KSB e motores da WEG, por exemplo”, salientou.

    Cleantho de Paiva Leite Filho, diretor de desenvolvimento de negócios, confirma que o gás que alimentará o projeto será o etano, com baixo custo de transporte. “Metade do gás consumido no México vem dos EUA, sendo consumido principalmente na metade Norte do país. Faltam dutovias de transporte do gás, que estão sendo construídas”, comentou.



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