Química

Perspectivas 2013 / Química – Indústria nacional pede insumos mais baratos para recuperar competitividade

Marcelo Fairbanks
26 de fevereiro de 2013
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    O setor petroquímico não dispõe de matérias-primas baratas, usa nafta, gasóleo e condensados mais caros, e ainda recebe gás natural entre US$ 9 e US$ 10,50 por milhão de BTU, por conta disso, a competitividade nacional está em queda. “A produção petroquímica brasileira estagnou desde 2004”, comentou. Em comparação, Roriz Coelho citou o Oriente Médio, com matérias-primas baratas, e a Ásia, com baixo custo de investimento e operação, como focos de crescimento mundial.

    “Os investimentos só aparecem se o custo total de produção for baixo”, explicou. Por isso, o shale gas recupera a indústria petroquímica norte-americana, da mesma forma que a China aproveita seu carvão e o potencial de shale gas para se manter ativa. “A tecnologia de produção está disponível para todos e a logística global ficou muito mais eficiente que há dez ou vinte anos, aumentando a concorrência entre as regiões”, considerou.

    Ao mesmo tempo, Roriz considera que o Brasil possui grandes reservas de óleo e gás, acima de 100 bilhões de barris de óleo equivalente, sem contar com reservas de shale gas, além de gozar de estabilidade política e mercado interno crescente. Ele concorda com os pleitos apresentados pela Abiquim e adiciona a eles mais um: “é preciso estimular toda a cadeia de produção e transformação de plásticos, do contrário serão importados produtos acabados e a demanda por resinas desaparecerá”.

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    Balança comercial da indústria química em geral

    Segue o tango – A indústria petroquímica argentina quer voltar aos velhos tempos em que liderava a América do Sul. O governo federal instituiu o Plano de Estruturação Industrial para 2020, abrangendo 11 setores da atividade que somam aproximadamente 80% do PIB industrial daquele país. Segundo José Maria Fumagalli, presidente da Cámara de la Industria Química y Petroquímica (CIQyP) da Argentina, enquanto o PIB nacional cresceu 3,2%, a produção física setorial registrou aumento de 2% entre janeiro e setembro de 2012 sobre igual período do ano anterior. As vendas locais, porém, caíram 1% em dólares, mesma tendência das exportações (queda de 6%). O PIB argentino para 2012 é estimado em US$ 450 bilhões.

    “O plano do governo com o PEI é duplicar o PIB industrial para US$ 140 bilhões, elevando o saldo comercial dos atuais US$ 12,5 bilhões para US$ 28 bilhões até 2020”, informou. Na área química, o principal efeito será a eliminação do déficit comercial. Isso exigirá esforços para a formação de profissionais qualificados, que já vêm sendo empreendidos desde 2003.

    Em relação ao comércio exterior, o atual governo instituiu três mecanismos de controle. Cada importação precisa começar com a apresentação de uma declaração jurada antecipada de necessidade de importação (Djai), na qual se apresentam aos órgãos oficiais detalhes sobre o produto desejado, seus preços no mercado local e de que modo essa importação ajudará o país a exportar outros produtos. Além disso, os controles aduaneiros foram reforçados e o preço para liquidação das exportações foi encurtado para 30 dias entre empresas vinculadas (matriz e filiais) e 90 para as demais, em média.

    Segundo Fumagalli, a CIQyP criou um mecanismo permanente de operação comercial para apoio às empresas associadas. “Vimos que o sistema se regulou e está funcionando normalmente”, declarou. O mecanismo fornece várias informações necessárias sobre produtos e mercados e apresenta pleitos para situações específicas. “Pedimos 83 intervenções a pedido dos sócios – 71 deles foram satisfeitos, 11 permanecem em negociação e um fracassou”, disse.

    O problema da Argentina reside em ter caído na tentação de maquiar os dados macroeconômicos, especialmente os relacionados à inflação. “As estimativas apontam uma taxa de inflação anual acima de 20% na Argentina, mas não há informações seguras, uma vez que o governo de lá interrompeu a apresentação das estatísticas qualificadas”, lamentou o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, na palestra de abertura da reunião anual da Associação Petroquímica Latino-Americana, realizada em novembro último, no Rio. “Eles quebraram o termômetro em vez de baixar a febre.”

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    Desempenho dos produtos químicos de uso industrial

    Segundo o economista, a inflação média em toda a região não passa de 6%. Isso mostra que esse deixou de ser um problema crônico regional, como ocorreu nos anos 80 e 90. Ele aponta para a América Latina um crescimento econômico inferior, mas próximo a 4% em 2012. Para 2013, ele aposta em aumento de 4% a 4,5% para a região. “O nível de emprego segue crescendo na região, mostrando seu dinamismo, e o desemprego está entre 6,5% e 7%, muito melhor que na Europa, com seus 12% de média”, considerou. Ao mesmo tempo, ele observa que os salários reais na região são crescentes, prejudicando a competitividade das indústrias. Mas é exatamente o reforço da demanda interna que tem garantido bons resultados para a região.

    Giannetti salienta que a crise econômica mundial, iniciada em 2008, chegou aos países em desenvolvimento apenas em 2012, derrubando os seus indicadores macroeconômicos. A região continua sendo atraente para investidores privados, contando com dívidas pública e fiscal inferiores às da Comunidade Europeia, por exemplo. “A região possui recursos naturais, política macroeconômica mais lúcida que no passado, inflação controlada (com exceções), todos esses fatores positivos para atrair investimentos”, comentou. Como problemas regionais, ele aponta a baixa disponibilidade de mão de obra qualificada, poucos esforços de P&D para agregar valor aos recursos naturais, dificuldades logísticas e alto custo do trabalho, somados a eventuais intervenções governamentais no mercado e ingerência oficial sobre empresas. O resultado da soma de prós e contras é favorável ao desenvolvimento regional para os próximos anos.



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