Química

Perspectivas 2013 / Química – Indústria nacional pede insumos mais baratos para recuperar competitividade

Marcelo Fairbanks
26 de fevereiro de 2013
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    Sem as mudanças almejadas pelo setor, pouco será possível mudar. As estimativas da Abiquim indicam que o investimento setorial em 2012 somou US$ 4,8 bilhões e os projetos anunciados para ocorrer entre 2013 e 2016 somam US$ 16,5 bilhões, quantia insuficiente para duplicar a capacidade produtiva setorial até 2020, como previsto no Pacto Setorial.

    Química e Derivados, Marcos De Marchi, Abiquim, produção se concentra nas commodities

    De Marchi: produção local se concentra nas commodities

    Desequilíbrio – Marcos De Marchi, vice-presidente da Abiquim e coordenador da comissão de economia da entidade, aponta um sério desequilíbrio na balança comercial química do Brasil. “A média de preços das nossas exportações é de US$ 1.050 por tonelada, enquanto as importações têm preço médio de US$ 2.500/t, sem considerar os fertilizantes”, apontou. Isso indica a baixa sofisticação do setor.

    Investimentos em pesquisa, desenvolvimento e tecnologia poderiam contribuir para reduzir essa diferença de valores, capacitando o setor a produzir itens de química fina, mais valiosos. “Nos últimos anos, os investimentos em P&D do setor no Brasil ficaram abaixo de 1% do total de vendas e estão em queda, enquanto no Japão esse percentual chega a 4,1%; nos EUA, 2,1%; e na Europa, mesmo com a crise, 1,5%”, comentou o presidente executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo.

    Segundo De Marchi, o consumo aparente nacional de petroquímicos ficou praticamente estagnado entre 2011 e 2012. “Verificamos a queda da atividade industrial, pois aumentaram muito as importações de produtos finais e isso representa um sério risco de desindustrialização para o país”, enfatizou.

    Ele informou que a taxa de ocupação de capacidades no setor químico ficou em 82% durante o ano passado, uma ociosidade avaliada como moderada. “Há dez anos registramos ocupação acima de 80%, mas nem assim os investimentos se intensificam”, afirmou. De Marchi atribui esse fato à perda de competitividade setorial, justificada pela falta de matérias-primas competitivas em disponibilidade e preço, péssima infraestrutura e tributação excessiva, estes os pontos mais críticos, embora existam outros.

    Figueiredo comentou a criação de um conselho de competitividade, sob o comando do BNDES e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), com participação da Abiquim, Abiplast, Anda (fertilizantes), Sindag (defensivos agrícolas), Abrafati, CUT, Força Sindical e UGT. Esse grupo debateu os problemas do setor e concluiu pela necessidade de aumentar os investimentos locais, buscar a substituição de importações, reduzir custos de matérias-primas, reforçar a atividade de P&D, melhorar a infraestrutura e incentivar a inserção internacional das empresas do ramo.

    Segundo o presidente executivo, o gás natural brasileiro custa quatro vezes mais caro que nos EUA. “Só o custo do transporte do gás até o ponto de consumo custa tanto quanto o insumo”, salientou. A burocracia emperra também o registro de moléculas de defensivos agrícolas, sendo necessário criar um órgão específico para essa tarefa, segundo o conselho. Os pleitos estão sendo analisados pelo governo federal.

    Química e Derivados, Fernando Figueiredo, Abiquim, baixo investimento em P&D

    Figueiredo: baixo investimento em P&D limita avanço do setor

    As deficiências de infraestrutura causam problemas graves ao setor. O apagão elétrico nordestino do final de outubro derrubou a Unidade de Insumos Básicos de Camaçari-BA, da Braskem, ou seja, parou o polo petroquímico baiano. Segundo Rui Chammas, vice-presidente de insumos básicos da companhia, os efeitos desse apagão foram muito menores do que os provocados pelo apagão do início de 2011. “De lá para cá, estabelecemos novos procedimentos de parada segura que se provaram mais eficazes”, explicou. “Com isso, só perdemos um forno, que coqueou, mas essa parada não programada tomou uma semana para reestabelecer a produção da Unib.” Uma semana parada significa a perda de um quarto da produção do polo em um mês, ou quase 2% da sua produção anual.

    José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), lamenta que o custo do capital para investimento no Brasil ainda seja muito elevado, apesar dos esforços recentes do governo federal para baixar juros. “Tanto para investimento quanto para capital de giro, o custo financeiro é equivalente a 7,5% do preço final dos produtos industrializados no Brasil”, informou.

    Nos últimos dez anos, o crescimento das vendas internas desses produtos foi enorme, resultado da inserção de quase 50 milhões de pessoas na classe média nacional. “Porém, 40% desse crescimento foi atendido por importações. Em 2011, 100% do incremento de vendas foi atendido por importações”, lamentou. Com isso, a tendência é o setor industrial reduzir sua participação no PIB, hoje estimada em 13,9%.



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