Química

Perspectivas 2013 / Comércio – Cenário favorável aos negócios permitirá recuperar lucratividade

Marcelo Fairbanks
11 de março de 2013
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    Medrano atribui à maturidade da distribuição o fato de o mix médio de produtos privilegiar os fabricantes nacionais, mantendo uma relação de 80% para estes e 20% para os importados. É preciso considerar que alguns itens contam com produção local insuficiente para suprir a demanda. Outros itens são importados porque os clientes desejam contar com fontes alternativas de suprimento, até por razões estratégicas, ou para ter preços para comparar. “De qualquer forma, os preços internacionais de químicos caíram muito desde o início da crise, em 2008; isso nem sempre é dumping, mas uma circunstância de mercado”, considerou, ao avaliar a imposição de direitos de proteção de mercado para alguns produtos químicos locais.

    É preciso ainda considerar a dinâmica mundial do setor químico. Segundo Medrano, a China dá sinais de não se conformar mais com o papel de fornecedora de commodities de baixo custo e qualidade questionável, e deve ampliar sua posição em produtos de alto valor. Ao mesmo tempo, o advento do gás de xisto (shale gas) nos Estados Unidos proporciona matéria-prima barata em volume capaz de reanimar a indústria química e petroquímica de lá, especialmente dos derivados de etileno, além de aliviar a conta de energia dos americanos. “Um reflexo disso é o aumento anunciado da produção de cloro/soda, que terá reflexos no Brasil já em 2013”, comentou. “Apenas taxar os insumos químicos não ajuda a desenvolver o país.” Ele ofereceu o exemplo do México, país que está em fase de crescimento econômico e industrial acelerado, aproveitando em parte o encarecimento da mão de obra chinesa e a proximidade com o mercado norte-americano.

    Os movimentos de comércio internacional favorecem a distribuição, embora não seja ela a maior importadora de produtos químicos. “As grandes indústrias consumidoras importam diretamente os seus insumos principais, até indústrias químicas locais trazem de fora produtos para suprir a demanda local”, explicou. Tanto assim que a distribuição responde por 11% a 12% do mercado químico nacional, percentual crescente, porém ainda distante dos 20% a 25% verificados na Europa e nos Estados Unidos.

    Os clientes da distribuição procuram esse canal comercial para adquirir produtos de firmas idôneas, que recolhem os tributos devidos e garantem a qualidade, entregam no prazo combinado, mantêm estoques, oferecem prazo de pagamento, entre outros serviços. Nesse sentido, os aumentos de tarifas aduaneiras representaram aumento de custos. “Quem já está bem estabelecido e tem o nome conhecido leva uma clara vantagem”, afirmou.

    Oportunidades – A história da distribuição química aponta um ponto de inflexão de tendências por década. Segundo Medrano, os anos 1990 foram marcados pela abertura comercial e pelo Plano Real, que alteraram profundamente o setor, mudando o relacionamento com as distribuídas e com os clientes. Entre 2000 e 2010, houve um período de fortes investimentos em bases operacionais, algumas das quais ainda ociosas. Nos últimos anos, o Prodir tem alavancado as mudanças setoriais, conferindo ao setor uma valorização expressiva por meio da qualificação dos serviços e da responsabilidade ambiental.

    “Com o reconhecimento da importância e eficácia da distribuição, ela está atraindo mais distribuídas e ampliando sua participação”, informou Medrano. No entanto, a maior oferta de produtos é acompanhada pela transferência de serviços adicionais que devem ser prestados pelo distribuidor. Isso implica investimentos em laboratórios, estruturas operacionais e pessoal técnico. O dirigente setorial avalia essas exigências como salutares para o setor, porém adverte que isso também representa custos adicionais.

    A crise global de 2008 levou o setor a avaliar melhor suas operações, focando mais nos resultados do que no faturamento. “Nos anos 2000, houve uma febre de abertura de filiais com estrutura logística como forma de ampliar o faturamento, mas isso nem sempre trouxe resultados favoráveis”, comentou. “Ter vários sites só compensa se houver muita demanda para cada um deles.”

    A ênfase no crescimento a qualquer custo também arrefeceu. No passado, especialistas chegaram a prever que as empresas de porte médio tenderiam a sumir do mapa caso não se tornassem grandes multinacionais ou adotassem a estratégia de atuação por nichos de mercado. “Muitas companhias médias conseguiram definir seu campo de atuação e estão em ótima forma”, considerou Medrano.

    Isso se verifica pela composição do mix de vendas do setor. A mudança da relação tradicional de 70% de commodities e 30% de especialidades para os atuais 60%/40% indica o interesse setorial em agregar valor ao portfólio. “Commodities pagam o custo fixo, mas é preciso melhorar a rentabilidade, geralmente com a adição de especialidades, quase sempre importadas”, considerou. As investidas da distribuição no fornecimento de insumos para as indústrias de alimentos e de cosméticos são típicas desse fenômeno, embora os maiores clientes ainda sejam a produção de tintas e vernizes e a construção civil.

    No cenário atual, Medrano considera que ainda há espaço para concentração de negócios (fusão/aquisição) na distribuição química nacional. Isso não se vê mais na Europa e nos Estados Unidos, onde movimentos muito fortes já foram feitos. Há espaço também para a entrada de novos players no Brasil, um país estratégico para as companhias globais do ramo. Em 2012, a Univar fincou a sua bandeira no país, mediante a compra da Arinos Química, por exemplo.



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