Equipamentos e Máquinas Industriais

Perspectivas 2012 – Máquinas – Setor só cresce se grandes empresas e o PAC cumprirem cronograma de obras

Domingos Zaparolli
15 de janeiro de 2012
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    As importações somaram US$ 24,357 bilhões até outubro e foram alavancadas por máquinas para logística e construção civil, máquinas para bens de consumo e máquinas para a indústria de transformação. Entre as principais origens das importações estão EUA, Alemanha e China. Henrique Prado Alvarez, diretor da divisão de equipamentos do grupo Combustol & Metalpó, um dos principais fornecedores de fornos industriais do país, classifica a importação que vem sendo feita no Brasil como indiscriminada e sem critério. “Isso deixa a indústria nacional numa situação bastante crítica. Isto é válido nas duas pontas, tanto para os componentes e materiais utilizados em nossos produtos, o que nos obriga a consultar e comprar do mercado externo, como também em fornos prontos, que competem diretamente com nossos produtos”, relata.

    Um importante indicador do desempenho do setor de máquinas e equipamentos é a procura por recursos financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o banco, as liberações para bens de capital não evoluíram em 2011 em relação ao ano anterior, quando as linhas Finame e Programa de Sustentação do Investimento (PSI) desembolsaram R$ 51,9 bilhões. A previsão inicial era de um crescimento de 3% a 4% no ano. Um fator determinante foi que a indústria brasileira cresceu abaixo da evolução do PIB. Segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), enquanto o PIB do país cresceu 2,8% em 2011, o setor industrial avançou 1,8%, sendo que a indústria de transformação cresceu apenas 1,1%; a construção civil, 3%; e a indústria extrativista, 2,2%. Com as frustrações de 2011, a indústria de máquinas e equipamentos reduziu seus investimentos. Após desembolsar por volta de R$ 8 bilhões em 2010 o setor deve ter fechado o ano com aportes inferiores a R$ 5 bilhões, acredita Bernardini.

    Petróleo e construção – Nas projeções da Abimaq para 2012 os segmentos de óleo e gás, construção civil, cimento e mineração devem impulsionar a demanda, enquanto devem ter dificuldades os segmentos de máquinas-ferramentas, por causa da importação; máquinas agrícolas, neste caso o impacto deverá ser a redução dos preços das commodities; e máquinas seriadas, principalmente para plásticos, um segmento, como diz Bernardini, no qual os clientes não querem máquinas nem nacionais nem importadas. “O que prevalece é a compra do produto final no exterior”, diz. Um estudo da consultoria Tendências também avalia que o setor de máquinas e equipamentos deverá ter um desempenho bastante heterogêneo em 2012.

    Segundo a consultoria, o ano vai ser propício para quem fabrica bens de capital sob encomenda, por conta dos pedidos das empresas de mineração, siderurgia, celulose, petróleo e gás. As vendas dos fabricantes de equipamentos para construção também devem ser impulsionadas pela ampliação do crédito imobiliário e pelo programa Minha Casa, Minha Vida, assim como pelas obras da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. Para o período de 2012 a 2015, as estimativas da Tendências são de um crescimento médio de 4,4% ao ano da produção de insumos típicos da construção civil.

    Os equipamentos para transportes também devem ser bastante demandados, principalmente em rodovias e ferrovias. Já a expectativa para o segmento de bens industriais seriados não é boa, principalmente para os fornecedores que dependem de encomendas de indústrias em que a concorrência com o produto final importado é forte, como têxteis, vestuário, materiais eletrônicos e vários segmentos do setor químico.

    Para 2012, o governo federal encaminhou ao Congresso uma proposta de orçamento para as estatais, lideradas pela Petrobras, de R$ 106,8 bilhões. A grande expectativa para os próximos anos, de fato, são as encomendas da indústria de óleo e gás. Um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) em parceria com a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) indica que os investimentos no setor de óleo e gás no país podem chegar a US$ 400 bilhões até 2020. A estimativa é que apenas em unidades produtoras devam ser investidos US$ 100 bilhões até o final da década. Outros US$ 10 bilhões devem ser investidos na construção de petroleiros e embarcações de apoio. A Transpetro, subsidiária da Petrobras na área de transporte, já pensa em lançar a terceira fase do Programa de Modernização e Expansão da Frota, o Promef III, com a encomenda de mais vinte navios. Com o Promef I e II foi licitada a construção de 41 petroleiros e 20 comboios hidroviários com investimento de R$ 9,6 bilhões. Outros oito navios estão em fase final de licitação.

    A demanda de bens e serviços estimada pelo atual Plano de Negócios da Petrobras prevê investimentos de US$ 224,7 bilhões até 2015, em mais de 700 projetos. A petroleira necessitará até o final da década de 54 sistemas de produção, 146 barcos de apoio e 40 novas sondas de perfuração. Os projetos de exploração e produção possuem um índice de nacionalização dos equipamentos superior a 65%, segundo a estatal que, em junho último, lançou um programa para facilitar o acesso ao crédito por parte de seus fornecedores, o Progredir, desenvolvido em conjunto com Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, HSBC e Santander, e com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp). A estimativa preliminar da petroleira é a de que tenham sido liberados R$ 1 bilhão em financiamentos por meio do Progredir em 2011.

    Fornecedores – A expectativa de que a Petrobras cumpra seu programa de investimentos motiva aportes de seus fornecedores. A Jaraguá Equipamentos, que conta com três unidades fabris em São Paulo e outra em Alagoas, inaugurou no início de dezembro uma fábrica no Complexo de Suape, em Ipojuca-PE, após investimentos de R$ 15 milhões. A nova unidade foi concebida após a empresa paulista fechar um contrato com a Petrobras de R$ 1,5 bilhão para fornecer tubulações e estruturas para os 18 fornos petroquímicos da Refinaria Abreu e Lima. O grupo ainda poderá ampliar os investimentos no local, com mais R$ 32 milhões nos próximos dois anos para atender aos pedidos da crescente indústria de bens de capital do Nordeste. Antes do final do ano, a Jaraguá ampliou seus negócios com um novo contrato com a Petrobras, este de R$ 648 milhões, para fornecer interligações e tubulações para o Comperj. A previsão é de 30 meses de trabalhos, que serão realizados em Ipojuca e Marechal Deodoro-AL.



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