Domissanitários (sabões, detergentes e limpeza)

Perspectivas 2012 – Limpeza – Classes C e D prometem manter ciclo de alta no consumo de domissanitários

Gerson Trajano
15 de janeiro de 2012
    -(reset)+

    Para Nelson Mammana, engenheiro químico e consultor de vendas da CCI Química, empresa nacional que desenvolve corantes, pigmentos formulados e branqueadores óticos, as empregadas domésticas, as donas de casas e as empresas de limpeza estão mais conscientes do custo-benefício do produto. Segundo comentou, um fator positivo é que os usuários estão mais atentos aos rótulos das mercadorias, e sabem que um produto mais barato tende a não satisfazer à sua expectativa de uso.

    Mesmo assim, Mammana afirma que isso não garante a compra. Ele questiona se o mercado consumidor está preparado para pagar mais por novas formulações químicas: “A substituição do STPP (tripolifosfato de sódio) é possível a um mesmo custo? Surfactantes híbridos ou biosurfactantes são viáveis em nosso mercado? Produtos de baixa espuma e/ou alta concentração de surfactantes são para a nossa realidade?”

    Por fim, o consultor indaga: “Nosso amaciante de roupas, com base em alguns sais de amônio quaternário, não apresenta biodegradabilidade, será que estamos preparados para substituí-lo a um custo maior para a mesma performance?”

    Para Siqueira, da P&G, o consumidor brasileiro exige boa qualidade e serviços. Segundo ele, no atual momento vivido pelo país, em que mais consumidores passaram a ter maior poder de compra e condições de escolher melhores produtos, o desafio é continuar a servi-los e a trazer itens adequados ao perfil dessa nova e exigente classe média, ávida por experimentação.

    Apesar de seus questionamentos, Mammana acredita que novas formulações estão surgindo para acompanhar as mudanças do perfil de consumo. Ele cita como exemplo os limpadores para pisos, novos conceitos de lustra-móveis, alvejantes mais seguros e o detergente líquido para lavar roupas, que se firmou definitivamente em 2011 e hoje tem grande aceitação, principalmente nas classes A e B.

    Meio ambiente – O foco da Gtex para 2012 será o desenvolvimento da marca Amazon, que não agride o meio ambiente. A linha é formada por detergente em pó para roupas, lava-louças, sabão em barra e amaciante. Todos feitos à base de óleo de coco de babaçu. O grande desafio neste segmento é convencer os compradores da importância do tema e da eficácia da solução. Muitas empresas somente mudam a embalagem e não a fórmula, ‘queimando’ o real conceito desse segmento, e criando uma resistência natural. “Por isso, estamos reeducando o mercado e os nossos consumidores para que entendam por que somos verdadeiramente ecológicos”, explica Renato.

    Michelle Yoshida, gerente de produtos da Gtex, diz que o trabalho está dando resultado, porque em todos os pontos de vendas a procura tem superado as expectativas. “A nossa assinatura ‘funciona para você, funciona para o planeta’ está levando o consumidor a testar o produto”, afirma.

    Práticas sustentáveis e questões que envolvem diretamente a defesa do meio ambiente são conceitos relevantes para o desenvolvimento de qualquer negócio atualmente. Atenta a essas questões, a Abipla pediu ao governo federal uma redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para itens com benefícios ambientais. No momento, a entidade reúne informações para subsidiar uma proposta definitiva. Esta é uma ação conjunta com a CNI e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

    Com a publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (lei 12.305/10), deve ser concretizado em 2012 o acordo setorial com o Ministério do Meio Ambiente. A Abipla, em parceria com a Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp), incluirá no acordo o recolhimento de embalagens institucionais. Por conta do tamanho das embalagens e da distribuição, a categoria institucional possui peculiaridades que exigem o recolhimento e a destinação adequada dos recipientes.

    Além disso, a associação busca a uniformização das alíquotas do IPI de todos os produtos de limpeza em 0%, alegando que são categorias voltadas para a saúde pública e para o bem-estar das pessoas.

    Regulamentação – Na área de assuntos regulatórios, o setor terá de adotar o Sistema Globalmente Harmonizado (GHS) para classificação e rotulagem de produtos químicos perigosos. Em 2010, a Abipla participou dos esclarecimentos sobre o GHS, em colaboração com a Gerência Geral de Saneantes (GGSAN) da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ao longo de 2011, a associação produziu um inventário com a legislação vigente para os produtos conflitantes com o GHS.

    Em relação aos materiais biológicos, formulados à base de micro-organismos vivos, o tema está em discussão desde 2009, por necessidade de uma atualização da Resolução 179/06. A norma atual estipula que este tipo de produto só pode ser comercializado na forma de pó ou gel, não sendo permitida a forma líquida, que já ocorre fora do Brasil. A Abipla apresentou uma proposta de revisão da Resolução 179/06 na reunião do Mercosul de setembro de 2010. A Anvisa aceitou discutir o tema e uma nova regulamentação pode sair em 2012.

    Micro, pequenas e médias empresas – Elas representam 95% do mercado de produtos industrializados de limpeza no Brasil, e buscam vantagens competitivas para a sua sobrevivência. De acordo com a Abipla, uma considerável parcela é composta por empresas familiares, de sociedade limitada e sediadas nas proximidades dos grandes centros econômicos. A associação criou um grupo de trabalho para discutir propostas para dinamizar esse segmento. “Entre os principais desafios dessa fatia de mercado estão a alta carga tributária e o crescimento sustentável”, diz Maria Eugenia.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *