Perspectivas 2012 – Limpeza – Classes C e D prometem manter ciclo de alta no consumo de domissanitários

química e derivados, limpeza, perspectivas 2012O setor de limpeza doméstica quer no mínimo repetir o feito do ano passado e crescer 6,7% em 2012. Para isso, vai lançar novos produtos, combater a informalidade, debater marcos regulatórios e ambientais, lutar pela redução de tributos e fortalecer as micro, pequenas e médias empresas que atendem a 95% do mercado.

O desempenho da atividade em 2011 ficou três pontos percentuais acima do Produto Interno Bruto (PIB) e correspondeu a um faturamento de R$ 14,4 bilhões, acima dos R$ 13,5 bilhões registrados em 2010. O setor emprega perto de 21 mil trabalhadores.

Desde 2004 a indústria de domissanitários apresenta resultados positivos em seu faturamento, justificados, de acordo com os especialistas na área, pela essencialidade de seus produtos, ligados diretamente à saúde e ao bem-estar da população. “Nossas linhas devem continuar crescendo, principalmente nas classes C e D. Mas, independentemente desse quadro, temos que reforçar algumas medidas da nossa pauta de atuação e de posicionamento no mercado brasileiro”, diz Maria Eugenia Saldanha, presidente executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla).

Embora cauteloso, o setor não sente os efeitos da crise financeira que abala a Europa e os Estados Unidos. Nem mesmo o PIB contraído – segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), pode ser de no máximo 3% em 2012 – assusta a cadeia de produção. “Na Procter & Gamble, acreditamos que, independentemente de qualquer crise, sempre é possível crescer e oferecer produtos de qualidade superior e com proposta de valor adequada ao momento dos consumidores”, diz Luis Siqueira, da gerência de marketing da empresa.

Os fabricantes acreditam que as pessoas não vão deixar de lavar suas roupas, limpar suas casas e cuidar da aparência em virtude da situação econômica mundial. O setor tem características próprias e deve manter o ritmo de produção dos últimos anos.

Lançamentos – As empresas não revelam detalhes, mas novos produtos devem aparecer no mercado em 2012. Entre as novidades estão os detergentes em pó concentrados, os que preservam o vigor original das roupas, os que possibilitam a lavagem de roupas brancas e coloridas ao mesmo tempo e os que não prejudicam o meio ambiente.

“Ainda não podemos dizer nada, mas estamos trabalhando para tornar a vida do consumidor mais fácil”, diz Siqueira, responsável pelo marketing de Ace, Ariel e Downy, marcas da norte-americana Procter & Gamble. O destaque da P&G no Brasil, em 2011, foi o amaciante Downy, com uma fórmula que possui um poder de duração de seu perfume nas roupas quatro vezes superior ao dos amaciantes tradicionais.

A inovação está atrelada à possibilidade de colocar nas prateleiras dos supermercados um mix de produtos que traga agilidade, rapidez e confiança na remoção da sujeira doméstica e das roupas. Em 2011, a Gtex Brasil, dona das marcas Baby Soft, Urca, Scarlim, UFE, Aromas e Encantos e Rio lançou aproximadamente 60 novos produtos em todas as categorias de limpeza. “A expectativa é mantermos o mesmo volume este ano”, diz.

A Gtex fabrica desde os tradicionais amaciantes de roupas, desinfetantes, limpadores perfumados e multiuso, lava-roupa em pó e líquido até os de alta performance como tira manchas e pré-lavagem. O portfólio da empresa atende 93% da cesta de materiais de limpeza para o lar. José Renato, gerente de marketing do grupo Gtex, diz que a cesta de produtos foi responsável pelo crescimento de 4% da companhia em 2011. Segundo ele, nos últimos cinco anos a empresa triplicou de tamanho e hoje é a sexta do mercado. Os principais motivos desse crescimento foram as novas aquisições e inovações.

Hábito do brasileiro – Maria Eugenia lembra que o lançamento de um produto com valor agregado deve sempre levar em consideração os hábitos do consumidor. “Um entendimento errado dos seus benefícios pode trazer resultados inesperados”, avisa a executiva.

Para Nelson Mammana, engenheiro químico e consultor de vendas da CCI Química, empresa nacional que desenvolve corantes, pigmentos formulados e branqueadores óticos, as empregadas domésticas, as donas de casas e as empresas de limpeza estão mais conscientes do custo-benefício do produto. Segundo comentou, um fator positivo é que os usuários estão mais atentos aos rótulos das mercadorias, e sabem que um produto mais barato tende a não satisfazer à sua expectativa de uso.

Mesmo assim, Mammana afirma que isso não garante a compra. Ele questiona se o mercado consumidor está preparado para pagar mais por novas formulações químicas: “A substituição do STPP (tripolifosfato de sódio) é possível a um mesmo custo? Surfactantes híbridos ou biosurfactantes são viáveis em nosso mercado? Produtos de baixa espuma e/ou alta concentração de surfactantes são para a nossa realidade?”

Por fim, o consultor indaga: “Nosso amaciante de roupas, com base em alguns sais de amônio quaternário, não apresenta biodegradabilidade, será que estamos preparados para substituí-lo a um custo maior para a mesma performance?”

Para Siqueira, da P&G, o consumidor brasileiro exige boa qualidade e serviços. Segundo ele, no atual momento vivido pelo país, em que mais consumidores passaram a ter maior poder de compra e condições de escolher melhores produtos, o desafio é continuar a servi-los e a trazer itens adequados ao perfil dessa nova e exigente classe média, ávida por experimentação.

Apesar de seus questionamentos, Mammana acredita que novas formulações estão surgindo para acompanhar as mudanças do perfil de consumo. Ele cita como exemplo os limpadores para pisos, novos conceitos de lustra-móveis, alvejantes mais seguros e o detergente líquido para lavar roupas, que se firmou definitivamente em 2011 e hoje tem grande aceitação, principalmente nas classes A e B.

Meio ambiente – O foco da Gtex para 2012 será o desenvolvimento da marca Amazon, que não agride o meio ambiente. A linha é formada por detergente em pó para roupas, lava-louças, sabão em barra e amaciante. Todos feitos à base de óleo de coco de babaçu. O grande desafio neste segmento é convencer os compradores da importância do tema e da eficácia da solução. Muitas empresas somente mudam a embalagem e não a fórmula, ‘queimando’ o real conceito desse segmento, e criando uma resistência natural. “Por isso, estamos reeducando o mercado e os nossos consumidores para que entendam por que somos verdadeiramente ecológicos”, explica Renato.

Michelle Yoshida, gerente de produtos da Gtex, diz que o trabalho está dando resultado, porque em todos os pontos de vendas a procura tem superado as expectativas. “A nossa assinatura ‘funciona para você, funciona para o planeta’ está levando o consumidor a testar o produto”, afirma.

Práticas sustentáveis e questões que envolvem diretamente a defesa do meio ambiente são conceitos relevantes para o desenvolvimento de qualquer negócio atualmente. Atenta a essas questões, a Abipla pediu ao governo federal uma redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para itens com benefícios ambientais. No momento, a entidade reúne informações para subsidiar uma proposta definitiva. Esta é uma ação conjunta com a CNI e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Com a publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (lei 12.305/10), deve ser concretizado em 2012 o acordo setorial com o Ministério do Meio Ambiente. A Abipla, em parceria com a Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp), incluirá no acordo o recolhimento de embalagens institucionais. Por conta do tamanho das embalagens e da distribuição, a categoria institucional possui peculiaridades que exigem o recolhimento e a destinação adequada dos recipientes.

Além disso, a associação busca a uniformização das alíquotas do IPI de todos os produtos de limpeza em 0%, alegando que são categorias voltadas para a saúde pública e para o bem-estar das pessoas.

Regulamentação – Na área de assuntos regulatórios, o setor terá de adotar o Sistema Globalmente Harmonizado (GHS) para classificação e rotulagem de produtos químicos perigosos. Em 2010, a Abipla participou dos esclarecimentos sobre o GHS, em colaboração com a Gerência Geral de Saneantes (GGSAN) da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Ao longo de 2011, a associação produziu um inventário com a legislação vigente para os produtos conflitantes com o GHS.

Em relação aos materiais biológicos, formulados à base de micro-organismos vivos, o tema está em discussão desde 2009, por necessidade de uma atualização da Resolução 179/06. A norma atual estipula que este tipo de produto só pode ser comercializado na forma de pó ou gel, não sendo permitida a forma líquida, que já ocorre fora do Brasil. A Abipla apresentou uma proposta de revisão da Resolução 179/06 na reunião do Mercosul de setembro de 2010. A Anvisa aceitou discutir o tema e uma nova regulamentação pode sair em 2012.

Micro, pequenas e médias empresas – Elas representam 95% do mercado de produtos industrializados de limpeza no Brasil, e buscam vantagens competitivas para a sua sobrevivência. De acordo com a Abipla, uma considerável parcela é composta por empresas familiares, de sociedade limitada e sediadas nas proximidades dos grandes centros econômicos. A associação criou um grupo de trabalho para discutir propostas para dinamizar esse segmento. “Entre os principais desafios dessa fatia de mercado estão a alta carga tributária e o crescimento sustentável”, diz Maria Eugenia.

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Maria: meta de profissionalizar médias e pequenas empresas

Para 2012, a Abipla vai implementar projetos que incluam de alguma forma os pequenos fabricantes. Uma proposta que pode ser efetivada é a do regulamento do Mercosul para boas práticas de fabricação, as quais abrangem um conjunto de medidas a serem adotadas pelas indústrias com o objetivo de assegurar a qualidade dos produtos.

No caso do Mercosul, o novo regulamento de boas práticas permitirá a harmonização entre os fabricantes dos países do bloco, com a finalidade de facilitar as relações comerciais. Ainda entre os pleitos para o regulamento estão as análises de matérias-primas já comercializadas, para a possível aprovação da ampliação de seus prazos de validade. A discussão da proposta foi finalizada em reunião em 2011. O passo seguinte à discussão será a publicação de uma consulta pública.

Informalidade – A Abipla vai combater a informalidade como medida para fortalecer o setor. Dados da associação mostram que o mercado informal responde por 50% do comércio de água sanitária e detergente. Presentes nas esquinas dos centros urbanos e em caminhões para venda a granel, os informais são quase sempre associados pela população aos cortes no orçamento.

Para a Abipla, a economia no bolso pode se refletir em prejuízos para a saúde, uma vez que os produtos informais não observam normas sanitárias ou ambientais e não têm controle de qualidade, colocando sob suspeita a sua eficácia no combate aos germes, fungos e bactérias que se acumulam nas superfícies e causam danos à saúde.

Segundo Maria Eugenia, a informalidade vem diminuindo e a institucionalização da nota fiscal eletrônica tem ajudado a combater a sonegação de impostos e os produtos piratas. A Abipla integra o Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade. O Fórum publicou uma cartilha com uma página sobre material de limpeza doméstica, com orientações para que a população possa identificar e evitar produtos clandestinos. A primeira atitude é observar se a embalagem traz instruções de uso e alerta de como proceder em caso de acidentes. A cartilha pede para desconfiar de preços muito baixos e evitar produtos sem identificação do fabricante, indicação de fórmula e composição química, prazo de validade, registro no Ministério da Saúde e telefone de contato do serviço de atendimento ao consumidor.

“Creio que a informalidade do mercado vem diminuindo, mas o Brasil é muito grande, e ainda vai existir o produto porta a porta, que na realidade é um item de subsistência, de classe de baixa renda. Apenas a fiscalização pode reduzir essa atividade”, observa Mammana.

 

 

 

 

 

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