Perspectivas 2011 – Tintas – Setor espera crescer 6,7% em 2011, mas aponta entraves para evolução duradoura

química e derivados, perspectivas 2011, tintasO setor de tintas espera superar em 2011 todos os indicadores de vendas alcançados no ano anterior. As projeções de desempenho dos principais segmentos consumidores – imobiliário, automotivo e industrial – contribuem para alimentar a expectativa de vendas de 1.450 milhões de litros de tintas e vernizes em 2011, um acréscimo de 6,7% ao volume registrado em 2010.

O percentual de crescimento anunciado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) é menor do que os 10,3% alcançados em 2010 sobre 2009, mas isso se explica pela retração do mercado brasileiro (e do mundial) neste ano. Portanto, os 6,7% de ampliação de vendas devem ser considerados até mesmo como ambiciosos.

“Os dados de mercado comprovam que o crescimento do mercado nacional é estrutural e não circunstancial, com todos os segmentos consumidores evoluindo acima do PIB”, comentou . “O setor também se destaca pelos investimentos em inovação, gerando melhores produtos, e pelas iniciativas de sustentabilidade.”

Embora tenha razões para voar alto, o setor não trafegará em céu de brigadeiro. “Há três problemas que causam preocupação ao setor: a disponibilidade de matérias-primas, a capacitação da mão de obra de pintura e a taxa de câmbio”, apontou Dílson Ferreira, presidente executivo da entidade. “Esses fatores não comprometem o sucesso do setor a longo prazo, mas impedem um crescimento ainda maior.”

Numa rápida exposição, Ferreira mostrou que o programa Minha Casa Minha Vida, mantido pelo governo federal, já está com projetos aprovados para a construção de dez milhões de moradias. Caso todos os projetos saiam do papel, isso significará um crescimento de 2% ao ano no mercado nacional de tintas. Porém, caso o mercado cresça 5% ao ano durante cinco anos consecutivos, a Abrafati estima uma demanda adicional de 500 mil pintores. “Não se trata só de colocar a tinta na parede, precisamos de gente qualificada para usar as tintas de melhor qualidade e que tenham preocupações de higiene, saúde, segurança ocupacional e sustentabilidade”, explicou. A entidade mantém programas de capacitação de pintores profissionais que precisam, porém, ser replicados pelo país. Também é preciso formar profissionais especializados nas lojas de tintas, para orientar melhor os consumidores.

A taxa de câmbio merece uma avaliação bipolar. A indústria de tintas exporta e importa muito pouco em termos de produtos acabados, mas importa insumos para a sua fabricação. Portanto, o real apreciado contribui para reduzir custos. “Por outro lado, o real fortalecido inibe a exportação de produtos pintados no Brasil com as nossas tintas, como, por exemplo, os automóveis”, ponderou Ferreira.

Na área da construção civil, a análise da relação cambial deveria ser feita em paralelo com a da carga tributária incidente em todos os materiais consumidos. A Abrafati, ao lado de outras entidades setoriais interessadas, pleiteou com sucesso ao governo federal a prorrogação da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre materiais de construção – seria encerrada em 31 de dezembro e agora valerá até 31 de dezembro de 2011. “Entendemos que essa isenção deveria ser permanente e abranger mais itens além dos que atualmente são beneficiados, mas foi uma vitória importante”, comentou Ferreira.

A entidade setorial também participa de outras iniciativas como o pedido de revisão ou reversão da substituição tributária do ICMS cobrado no estado de São Paulo, ainda em fase de negociação. Outros pleitos dizem respeito à eliminação do imposto de importação cobrado de insumos sem produção nacional suficiente para suprir o mercado. É o caso do dióxido de titânio, dentro de uma cota de 90 mil t/ano, e de todo o monômero de acetato de vinila (VAM). “Nesse caso, aplica-se a alíquota zero, mas queremos que essa medida se torne permanente”, considerou.

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Oliveira: setores automotivo e de construção seguem firmes

Segmentos hiperativos – A continuidade dos programas oficiais de desenvolvimento e transferência de renda aumentará o poder de compra das classes C, D e E, com reflexos positivos no consumo de bens e serviços. Resta saber se esses bens serão feitos no país ou importados. “Precisamos considerar a disponibilidade de matérias-primas, o comportamento da Europa e as assimetrias entre o Brasil e a China para evitar problemas futuros”, comentou Antonio Carlos de Oliveira.

O crescimento do PIB para 2011 deve ficar perto de 4,5%, menor que os 7,5% de 2010, resultado este devido à retração de 2009. Os dados constam dos relatórios do Banco Central e indicam também que a cotação média do dólar continuará próxima a R$ 1,70, e os juros básicos (Selic) seguirão elevados, acima de 11%. A arrecadação tributária deve crescer por conta de ganhos de eficiência nos órgãos encarregados da cobrança e não pelo aumento de alíquotas ou criação de novos impostos.

Com esse pano de fundo, Oliveira prevê a manutenção do crescimento da demanda por automóveis no Brasil, lastreada sobretudo em financiamentos de prazos longos e juros relativamente baixos (com captação de recursos no exterior). “Porém, as importações estão crescendo, chegando a 20% do mercado, dominando alguns nichos”, avaliou. A Abrafati iniciou 2010 com uma previsão de vender 48 milhões de litros de tintas automotivas originais. Em dezembro, a estimativa da associação era de passar de 50 milhões de litros. “Começamos 2011 com a expectativa de vender 52 milhões de litros desses produtos, ou seja, um crescimento de 4%”, calculou.

A produção automobilística nacional deve crescer acima disso. Oliveira explica a diferença pelos ganhos de eficiência que as montadoras e seus fornecedores estão alcançando nos sistemas de pintura. Isso se traduz em menor consumo de tintas, mas também pode suportar tecnologias mais modernas de formulações.

Na área de repintura, Oliveira identifica um movimento simétrico ao dos carros novos. “Quem quer trocar de carro precisa consertar o carro velho para vendê-lo bem, isso movimenta o setor de reparação”, comentou. A Abrafati estima a venda de 51 milhões de litros de tinta para repintura automotiva em 2010, volume que deve subir para 53 milhões de litros em 2011. “E a participação das tintas base água continua crescendo nesse segmento, contando com o apoio das companhias de seguros, que já aprovam e recomendam essa alternativa tecnológica”, comentou.

O grupo das tintas para indústria geral, ao contrário de outros períodos, apresenta forte estímulo de crescimento, especialmente em manutenção industrial e nas linhas marítimas (inclui plataformas de petróleo, frota naval e as iniciativas para exploração da camada pré-sal). “Nesse caso, estamos falando de tintas de altíssimo desempenho, capazes de suportar ambientes agressivos por décadas”, comentou Oliveira. Nesse grupo, porém, estão as tintas para o setor moveleiro e de eletrodomésticos, que também devem crescer, porém em ritmo mais lento. Isso se explica pelo incremento das importações desses itens.

O grupo de tintas para indústria geral cresceu 11% em 2010, chegando a um volume vendido de 174 milhões de litros. Para 2011, a Abrafati prevê a venda de 186 milhões de litros dessas tintas, com elevação de volume de 6,5%.

Química e Derivados, perspectivas 2011, Dílson Ferreira, presidente executivo da Abrafati
Ferreira: falta planejamento industrial de longo prazo

Maior segmento em volume de vendas de tintas no Brasil, o mercado imobiliário segue avançando em ritmo acelerado, com o impulso dos programas oficiais de moradia para baixa renda, redução de juros para financiamentos de longo prazo, além dos incentivos para a compra de materiais de construção que também beneficiam a reforma dos imóveis existentes. Segundo Oliveira, o desempenho de 2010 superou as expectativas setoriais, alcançando um volume de vendas de 1.083 milhões de litros, 10,3% acima das vendas de 2009. “Em 2011, com a transição de governo e seus respectivos ajustes, esperamos crescer mais 7% em volume, chegando a 1.159 milhões de litros”, afirmou.

Embora o panorama seja dos mais alentadores, a diretoria da Abrafati não esconde alguns temores. “Há novos players entrando na produção automobilística nacional, porém eles trarão todas as peças de fora (CKD), colocando sob risco toda a cadeia produtiva de peças e sistemas aqui instalada”, avaliou Oliveira. Esses carros entrariam prontos no Brasil, caso houvesse portos capazes de recebê-los.

“Falta planejamento industrial de longo prazo que una governo, setor privado e trabalhadores para criar e manter um desenvolvimento sustentável do país”, afirmou Dílson Ferreira. Agrupamentos por cadeia produtiva, como o Construbusiness, realizado em 29 de novembro, na Fiesp, com visão para 2022, são iniciativas para tanto.

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