Equipamentos e Máquinas Industriais

Perspectivas 2011 – Máquinas – Juros altos e câmbio ruim jogam a sombra da desindustrialização sobre o setor

Jose P. Sant Anna
10 de janeiro de 2011
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    Números – Alguns números apurados pelo Departamento de Economia e Estatística da Abimaq explicam o cenário atual. No acumulado de janeiro a outubro de 2010, as vendas do segmento atingiram a casa dos R$ 59,3 bilhões, valor 10,8% superior ao do mesmo período do exercício anterior. Apesar da recuperação, os negócios ficaram 14,6% aquém dos obtidos nos dez primeiros meses de 2008, momento anterior ao do surgimento da crise econômica mundial. “Ao equipararmos os números atuais com os de um ano atrás verificamos crescimento, pois em 2009 passamos por uma das piores crises dos últimos anos. Quando os comparamos a 2008 é possível perceber o quão longe estamos de retornar aos níveis pré-crise”, avalia.

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    Tabela 1: Saldo da balança comercial – Clique para ampliar

     

     

     

     

     

     

     

    A queda no faturamento em relação a 2008 não representou uma redução significativa do ritmo da produção. O índice de utilização da capacidade instalada do setor em outubro de 2010 ficou na casa dos 84,1%. Em outubro de 2009, era de 81,7% e em outubro de 2008 foi de 86,2%. Outra prova do ritmo aquecido se encontra no número de funcionários. Em outubro de 2010 o setor gerou 250 mil empregos, o mesmo patamar de outubro de 2008 e índice máximo dos últimos três anos. “As nossas empresas estão faturando menos, mas a produção não caiu. Houve redução dos preços, estamos recebendo menos pelas máquinas vendidas”, explica. Essa tem sido a arma usada para enfrentarmos os preços subvalorizados dos produtos da China e da Coreia do Sul que chegam por aqui. A produtividade por funcionário caiu de outubro de 2010 em relação a setembro de 2008 de R$ 34,8 mil para R$ 23,4 mil. Algo em torno dos 33%. “No nosso setor, ninguém vai investir se não tiver lucro”, adverte.

    Os diversos segmentos da indústria de base apresentaram desempenho desigual. Isso se verifica também entre os fornecedores com forte ligação com o segmento químico. As indústrias de válvulas, por exemplo, foram bem. Suas vendas cresceram 17,9% em relação a 2009 e 12,4% quando comparadas com 2008. Já as de bens sob encomenda, com atuação de destaque em empresas fabricantes de cimento, papel e celulose e indústria petroquímica, entre outras, foram as que apresentaram a pior condição entre os setores pesquisados. Eles registraram queda de 15% em relação ao ano passado e de 13,2% sobre 2008. “Os bens sob encomenda estão sendo quase todos importados. Mesmo na indústria petrolífera, onde se propaga a recuperação da indústria nacional, a maioria dos equipamentos vem do exterior”, queixa-se.

    Balança comercial – A valorização da moeda nacional, como não poderia deixar de ser, promove resultados negativos para a balança comercial dos bens de capital mecânico. O saldo do período de janeiro a outubro do ano passado foi negativo, da ordem de US$ 12,9 bilhões. Em 2009, no mesmo período, havia sido negativo de US$ 9,1 bilhões. As exportações, nos dez primeiros meses de 2010, ficaram na casa dos US$ 7,4 bilhões, contra US$ 6,2 bilhões no mesmo período em 2009 e US$ 10,3 bilhões em 2008. As importações, no mesmo período, saltaram para US$ 20,3 bilhões, contra US$ 15,6 bilhões em 2009, crescimento de 31,8%. Em 2008, as importações no período foram de US$ 18,7 bilhões. “Se não forem tomadas medidas urgentes e a economia crescer em torno de 5%, em 2011 podemos ter um déficit de US$ 19 bilhões”, calcula.

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    Tabela 2: Faturamento bruto mensal – Clique para ampliar

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     



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