Perspectivas 2011 – Infraestrutura – Sem receber volume adequado de recursos, setor é o maior freio ao desenvolvimento

Primo entende que o setor privado poderia assumir um papel mais importante nesse cenário, porém requer estímulos. Ele avaliou como ruim o ambiente para negócios no Brasil, com regulamentações falhas e geradoras de incertezas, além de o custo de capital ser dos mais elevados do mundo. “Nessas condições, é melhor ser fornecedor de componentes do que líder de consórcio de grande porte”, avaliou.

As agências regulatórias precisam ser mais eficazes e funcionar com mais clareza para dar mais segurança aos investidores. Mesmo no caso do pré-sal, que ocupou espaço demasiado nas páginas dos jornais, a regulamentação ainda está por ser feita. “Saiu o tal marco regulatório, mas ele não foi ainda detalhado, exatamente a etapa mais complexa em âmbito normativo”, comentou.

Em escala global, o Brasil se destaca pelo tamanho do mercado interno (o oitavo), pela solidez dos bancos, pelos baixos custos da produção agropecuária e pelos seus serviços financeiros. Ao mesmo tempo, o país fica na rabeira dos rankings de taxa elevada de juros, regulação estatal exacerbada, burocracia para fazer negócios, rigidez nas relações trabalhistas e desperdício nas despesas públicas. Esses dados foram obtidos pelo Fórum Econômico Mundial e selecionados pela área econômica da Siemens.

Primo também salientou que o Brasil não buscou com avidez a inserção no cenário internacional, com participação de irrisório 1,1% no comércio mundial. Além disso, os indicadores de inovação tecnológica no país são minguados. “Menos de 3% das empresas instaladas no país são inovadoras”, afirmou. Esses números contrastam com a intenção manifesta do governo de transformar o Brasil na quinta economia mundial até 2015.

Outro gargalo ao desenvolvimento está na área de educação. “Teremos escassez de mão de obra qualificada pelos próximos dez anos, pelo menos”, avaliou Primo. Ele disse que os 35 mil engenheiros formados por ano no país são insuficientes para a demanda atual dos projetos. Como reflexo disso e do real fortalecido, ele revelou que o custo do trabalhador brasileiro para a Siemens já é o mais elevado de todas as unidades do grupo mundial. “Procuramos ser atraentes para os recém-formados, mantendo programas de treinamento concorridos, com 14 mil candidatos para cem vagas”, informou. No Brasil, 76% da força de trabalho do grupo tem menos de quarenta anos de idade.

O ano passado teve bons resultados para o grupo Siemens no Brasil. Foram faturados R$ 4.251 milhões, 10% a mais que os R$ 3.858 milhões de 2009. Foram registrados R$ 4.921 milhões em novos pedidos, com elevação de 23% sobre os R$ 4.015 milhões de 2009. “Teríamos conseguido chegar a R$ 5,4 bilhões em novos pedidos se as exportações não tivessem caído”, lamentou Primo, embora o avanço do consumo interno tenha compensado a perda.

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Gráfico 1: Setor público lidera investimentos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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