Logística, Transporte e Embalagens

Perspectivas 2011 – Distribuição – Clientes em atividade garantem expansão de negócios, mas governo precisa fazer ajustes

Marcelo Fairbanks
10 de janeiro de 2011
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    química e derivados, distribuição de produtos químicos, Rubens Torres Medrano, presidente da Associquim e do Sincoquim

    Medrano: Brasil é competitivo só até a porta das fábricas

    Riscos e oportunidades – Os primeiros meses de 2011 devem ser dedicados a ajustar a economia nacional pela nova administração federal. “O governo Dilma precisa controlar o custeio do setor público, que acumula um déficit enorme, capaz de colocar em risco a estabilidade econômica”, afirmou Medrano. Fora isso, ele não espera mudanças muito drásticas em relação ao governo anterior.

    A elevação dos juros e as restrições impostas ao crédito aos consumidores em dezembro, especialmente nos veículos automotores, parecem ter sido absorvidas sem maiores dificuldades. A construção civil mantém o ritmo de lançamentos imobiliários, sustentando a atividade econômica. “2011 deve ser melhor que 2010”, prognosticou.

    No aspecto regional, a Associquim identifica um aumento significativo da demanda química nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. “Muitos players passaram a atuar nesses mercados, geralmente atraídos por seus clientes oriundos de outras regiões, como empresas calçadistas e automobilísticas, ou mesmo por contratos internacionais de suprimento”, comentou. “Vamos ver como ficará a situação por lá nos próximos anos com tanta concorrência.”

    Esse deslocamento de mercado traz de volta o debate sobre a necessidade de abrir bases regionais de distribuição. “Os custos de manter bases pelo país são muito elevados e os aspectos regulatórios são complexos, exigindo atenção redobrada”, aconselhou. As decisões devem ser tomadas com foco na rentabilidade das operações, segundo os critérios de cada distribuidor.

    A Associquim contratou a consultoria Maxiquim para conduzir um estudo sobre a imagem da distribuição química pela óptica do setor produtivo (clientes e fornecedores). “Com esse estudo, esperamos obter novas indicações de marketing, identificando pontos fortes e fracos da distribuição, necessários para manter um processo de melhoria contínua setorial”, explicou Medrano.

    O dirigente considera que todas as entidades setoriais precisam se fortalecer por meio da oferta de mais e melhores serviços aos seus associados. Da parte da Associquim, o programa Distribuição Responsável foi aprimorado em 2010, com a uniformização dos códigos e práticas do Brasil com os do Canadá e dos Estados Unidos. “Agora, qualquer produtor desses países encontrará no Brasil distribuidores com o mesmo nível de qualidade de serviços, facilitando novos acordos comerciais e reforçando o compromisso setorial com a sustentabilidade”, afirmou.

    A Associquim está atenta aos reflexos da nova política nacional de resíduos sólidos, lançada em 2010, preparando-se para prestar novos serviços aos associados, também por meio de parcerias com os fabricantes (via Fiesp) para compartilhar os riscos. “Pneus, baterias e lâmpadas já possuem regulamentação que obriga os fabricantes a receber e destinar corretamente os produtos usados, mas isso ainda não foi definido para os químicos”, comentou Medrano. Para os distribuidores, ele acredita que a responsabilidade adicional dirá respeito ao gerenciamento das embalagens usadas, de forma semelhante ao que é feito com os defensivos agrícolas.

    “Podemos avançar nas linhas de logística reversa dessas embalagens ou até adotar um novo modelo, privilegiando os contenedores tipo IBC (intermediate bulk container), mas tudo isso terá um custo. Quem pagará?”, indagou. A associação reforçou sua representação no setor legislativo para acompanhar os debates.

    No âmbito internacional, Medrano recomenda observar a evolução da distribuição química chinesa. “A associação chinesa ingressou como membro permanente do Conselho Internacional de Associações de Comércio Químico (ICCTA) em 2010 e iniciou o programa Social Responsibility, adequado às normas do conselho”, informou o dirigente que presidiu a entidade mundial por dois anos, período encerrado em maio passado. A China ainda não conta com uma distribuição química perfeitamente estabelecida, mas se esforça para tanto. Segundo Medrano, os chineses têm um mercado interno pujante e é crescente a preocupação com os cuidados ambientais e sociais, inclusive contra o trabalho escravo ou em más condições de higiene e segurança. “Os produtos químicos de lá estão melhorando rapidamente de qualidade, muitos participam até do programa europeu Reach”, comentou.

    Mais perto do Brasil, os Estados Unidos ainda lutam para superar os efeitos da crise de 2008. “Os bancos americanos estão lotados de dólares para emprestar, mas faltam bons projetos, que são mais fáceis de encontrar nos países em desenvolvimento, os Brics”, informou. A oferta de recursos é ampla nos países desenvolvidos, porém com a mesma dificuldade. Os efeitos da crise somados ao fortalecimento do real aproximaram os custos de produção do Brasil aos dos países desenvolvidos, principalmente em relação à mão de obra. “Os americanos recuperaram competitividade, tanto que exportam 7% da sua produção de automóveis e ainda têm a oportunidade de aproveitar o gás natural barato de descoberta recente (shale gas)”, afirmou.

    Esse cenário motivou algumas grandes empresas internacionais de distribuição a sondar empresários brasileiros para aquisições. “Houve consultas, mas os negócios não se concretizaram porque os preços oferecidos ficaram muito aquém das expectativas”, explicou Medrano. As ofertas recebidas pelos distribuidores locais ficaram em torno de um múltiplo de cinco vezes o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), uma queda brutal quando comparado aos múltiplos de 11 vezes praticados antes da crise. A distribuição nacional esperava ofertas de, pelo menos, sete vezes o Ebitda, segundo distribuidores que foram sondados (e auditados) por interessados que se dispunham a pagar múltiplos entre cinco e 5,5.



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