Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Perspectivas 2011 – Cosméticos – Setor mantém ciclo de alta com investimentos em pesquisa e marcas

Rose de Moraes
10 de janeiro de 2011
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    Química e derivados, carga  tributária, João Carlos Basílio da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, a Abihpec

    Basílio: mesmo com carga tributária, setor promete investir em marcas

    No mundo todo, a maior fatia do faturamento (US$ 80 bilhões) advém da venda de produtos para a pele. Nesses itens de cuidados e tratamentos, o Japão está na liderança, com faturamento de US$ 16,52 bilhões, e participa com 20,6% sobre o resultado total, sendo seguido pelos Estados Unidos, com faturamento de US$ 9,99 bilhões e participação de 12,5%, enquanto o Brasil ainda poderá crescer muito mais, ocupando, até o momento, uma modesta sexta posição, com faturamento de US$ 3,59 bilhões e participação de 4,5% sobre o total.

    A segunda maior fatia do faturamento global decorre da venda de produtos para cabelos (US$ 62,29 bilhões), principalmente concentrada nos Estados Unidos (US$ 10,03 bilhões), Japão (US$ 6,7 bilhões) e Brasil (US$ 6,13 bilhões).

    Em terceiro e quarto lugares no cômputo geral dos maiores geradores de receita para as indústrias no mundo todo estão as maquiagens (US$ 42,61 bilhões) e as fragrâncias (US$ 36,61 bilhões).

    Peso na balança – Ao buscar respostas ao redor do mundo para quais fatores mais influenciam as decisões de compra de produtos de saúde e beleza, uma pesquisa global on-line realizada pela Nielsen entre mais de 27 mil entrevistados em 55 países no primeiro trimestre de 2010 revelou resultados interessantes sobre hábitos, preferências de compra e tendências de consumo, apontando igualmente caminhos para os planejamentos estratégicos das indústrias. Uma das informações importantes reveladas por essa pesquisa é que a América Latina e a Ásia-Pacífico são as duas regiões de maior destaque no consumo dessas duas categorias de produtos, com 96% e 92% dos entrevistados, respectivamente, declarando ter realizado compras desses itens no período em questão, com forte influência do preço e da marca na escolha do produto.

    Ao analisar os locais mais frequentados para compras, os supermercados foram os preferidos por 60% dos entrevistados. Na sequência, vêm as drogarias e farmácias (39%), e as lojas especializadas (33%), enquanto as compras pela web apareceram em último lugar (22%).
    Para 81% dos entrevistados, os produtos massificados para cabelos foram considerados tão bons quanto as opções mais caras disponíveis no comércio, prevalecendo igual opinião quando indagados sobre os produtos para a pele. Nesse aspecto, os consumidores nos Estados Unidos consideraram os produtos massificados de saúde e beleza como bons substitutos, enquanto os compradores pesquisados no Oriente Médio e na região da Ásia-Pacífico se mostraram mais predispostos a adquirir itens mais caros e sofisticados de produtos de primeira linha.

    Na ordem das tendências – Como rica fonte de ativos e insumos naturais, o Brasil amplia suas plataformas de desenvolvimento de novos produtos, buscando conquistar maior espaço no mercado mundial, e devendo, por isso, incrementar as exportações, principalmente de produtos diferenciados e de maior valor agregado.

    Entre as últimas inovações incorporadas pelas indústrias e lançadas em produtos finais, as que causaram maior impacto no setor, segundo Angel Lizárraga, diretor executivo da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), foram os ativos nanoencapsulados e os produtos multifuncionais, como bases para maquiagens com FPS e contendo ativos antiaging.

    “Por ser o terceiro maior mercado cosmético do mundo, o Brasil sempre tem de acompanhar as tendências até para não perdermos a competitividade no mercado internacional. Algumas, porém, envolvendo o maior desenvolvimento de cosméticos masculinos, podem demorar um pouco mais até serem incorporadas, mas isso é só uma questão de tempo, pois passarão a ser adotadas em função do market share que representam”, considerou Lizárraga.

    Em se tratando de tendências, novos conceitos em produtos nutricosméticos, nutracêuticos e cosmecêuticos também estão sendo levados em conta pelas indústrias em virtude dos benefícios que podem agregar. Os cosmecêuticos, por exemplo, associam-se a importantes ações terapêuticas, como os cremes antiaging que prometem aumentar a oxigenação da pele. Já os nutricosméticos, ou seja, os cosméticos contendo ingredientes nutricionais, constituem outra frente de novos desenvolvimentos para as indústrias, que já lançam, por exemplo, loções pré-sol com betacaroteno. Em nutracêuticos, isto é, produtos para ingestão oral, enriquecidos com ativos e/ou agregando benefícios, já podem ser encontrados, segundo informou Lizárraga, gelatinas com Demae e iogurtes com colágeno.

    “As aplicações de ativos antiaging dependem do tipo de produto a ser formulado e dos mecanismos biológicos que se pretende atingir. Se a intenção for minimizar processos oxidativos da pele, usaremos um antioxidante do tipo vitamina E, mas se pretendemos minimizar efeitos causados pelas contrações dos músculos faciais, como rugas, usaremos um bloqueador da comunicação celular”, informou o diretor.

    No rol das mais recentes criações, os especialistas já puderam constatar fórmulas capazes de fornecer à pele a quantidade de oxigênio necessária para combater os sinais do envelhecimento, desenvolvidas mediante um sistema de fixação de oxigênio que imita o processo que, naturalmente, ocorre com a hemoglobina. Outra fórmula de última geração é um sérum de tratamento para rosto e pescoço que propicia eliminar instantaneamente as toxinas da pele. Além dos novos ativos em lançamento no mundo, os especialistas também observam que substâncias já lançadas no passado, como o Resveratrol, ingrediente baseado em uvas, voltou a dar base a novos desenvolvimentos em cosméticos, um setor realmente movido por inovações.



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