Perspectivas 2011 – Cosméticos – Setor mantém ciclo de alta com investimentos em pesquisa e marcas

química e derivados, perspectivas 2011, cosméticosO setor de higiene pessoal, perfumes e cosméticos deverá completar quinze anos de crescimento a taxas vigorosas no mercado brasileiro. Apenas os fármacos (19,9%) conseguem superar o excepcional desempenho do setor de higiene e beleza (13,8%), no comparativo dos níveis de participação alcançados entre todos os produtos químicos de uso final produzidos no país.

Assim, o faturamento do setor deverá alcançar US$ 13,8 bilhões em 2010. Um percentual de crescimento, em dólar, de 21,4% em relação a 2009, ano no qual foram contabilizados exatos US$ 11,4 bilhões. Em reais, o faturamento do último exercício deverá se posicionar na casa dos R$ 24 bilhões, com 10% de crescimento em relação a 2009.

Os investimentos empreendidos pelas indústrias em 2010 também foram 40% maiores em relação a 2009 e talvez fiquem marcados como o início da grande arrancada na marcha de crescimento observada ao longo dos últimos quinze anos. Em dólar, o setor investiu US$ 1,54 bilhão em 2010, contra US$ 1,08 bilhão do ano anterior, já tendo reservado investimentos da ordem de US$ 10,8 bilhões até 2015, em produção e inovações que caracterizam a indústria cosmética como uma das mais dinâmicas e arrojadas do país.

“Apesar de a carga tributária brasileira estar no limite do suportável, o nosso setor mantém planos de investimentos, principalmente em marcas, e continua crescendo”, afirmou João Carlos Basílio da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, a Abihpec, durante o Encontro Anual da Indústria Química, Enaiq 2010, realizado pela Abiquim, a Associação Brasileira da Indústria Química, em dezembro.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento do setor em 2010, correspondentes a 1,69% do faturamento, ultrapassaram em muito a média percentual histórica de 0,65% que o Brasil costuma despender, aporte que deverá dar maior sustentação às pesquisas e inovações em produtos e marcas em 2011.

No ano passado, só o consumo de desodorantes aumentou em 11,7% em comparação com o ano anterior, e passou a figurar, por esse feito, entre os dez itens de maior crescimento da cesta básica, apurados por pesquisa empreendida pela Nielsen Company.

Nesse ranking, aliás, os desodorantes já posicionaram o país na liderança dos maiores mercados mundiais desde 2008, fazendo jus aos saudáveis hábitos de higiene adotados em países de clima tropical, que podem tornar-se ainda mais proeminentes com o lançamento de produtos de qualidade e baixo custo. Em 2009, o Brasil também ocupou a vice-liderança mundial em seis categorias: produtos infantis, com 14% de participação no total mundial; perfumaria (13,1%), proteção solar (10,2%), produtos masculinos (8,6%), produtos para banho (8,5%) e produtos para higiene oral (8,3%), além de ocupar a também honrosa terceira posição em produtos para cabelos (9,8%) e maquiagens (5,1%).

Como terceiro mercado mundial, o Brasil ganha notoriedade lá fora, e incrementa a produção e a diversidade em produtos para poder oferecê-los aos consumidores brasileiros de todas as classes e também fazer face à concorrência e à grandiosidade do mercado mundial.

De acordo com as últimas estatísticas divulgadas, o mercado mundial movimentou, em 2009, US$ 350,3 bilhões, de acordo com pesquisas realizadas pelo Euromonitor Internacional.
No topo da lista dos maiores mercados estão os Estados Unidos. O país deteve 16,8% de participação no mercado mundial ao alcançar, em 2009, faturamento de US$ 58,9 bilhões. Na segunda posição vem o Japão, que alcançou faturamento de US$ 39,9 bilhões e participação de 11,4% sobre o total mundial. Em terceiro, o Brasil, com faturamento de US$ 28,4 bilhões (em preço ao consumidor) e participação de 8,1% no mercado global. Na sequência, entre os maiores, vem a China (US$ 20,8 bilhões), a Alemanha (US$ 17,4 bilhões), a França (US$ 16,3 bilhões), o Reino Unido (US$ 15 bilhões), a Itália (12,5 bilhões), a Espanha (US$ 10,7 bilhões e a Rússia (US$ 10,4 bilhões).

Química e derivados, carga tributária, João Carlos Basílio da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, a Abihpec
Basílio: mesmo com carga tributária, setor promete investir em marcas

No mundo todo, a maior fatia do faturamento (US$ 80 bilhões) advém da venda de produtos para a pele. Nesses itens de cuidados e tratamentos, o Japão está na liderança, com faturamento de US$ 16,52 bilhões, e participa com 20,6% sobre o resultado total, sendo seguido pelos Estados Unidos, com faturamento de US$ 9,99 bilhões e participação de 12,5%, enquanto o Brasil ainda poderá crescer muito mais, ocupando, até o momento, uma modesta sexta posição, com faturamento de US$ 3,59 bilhões e participação de 4,5% sobre o total.

A segunda maior fatia do faturamento global decorre da venda de produtos para cabelos (US$ 62,29 bilhões), principalmente concentrada nos Estados Unidos (US$ 10,03 bilhões), Japão (US$ 6,7 bilhões) e Brasil (US$ 6,13 bilhões).

Em terceiro e quarto lugares no cômputo geral dos maiores geradores de receita para as indústrias no mundo todo estão as maquiagens (US$ 42,61 bilhões) e as fragrâncias (US$ 36,61 bilhões).

Peso na balança – Ao buscar respostas ao redor do mundo para quais fatores mais influenciam as decisões de compra de produtos de saúde e beleza, uma pesquisa global on-line realizada pela Nielsen entre mais de 27 mil entrevistados em 55 países no primeiro trimestre de 2010 revelou resultados interessantes sobre hábitos, preferências de compra e tendências de consumo, apontando igualmente caminhos para os planejamentos estratégicos das indústrias. Uma das informações importantes reveladas por essa pesquisa é que a América Latina e a Ásia-Pacífico são as duas regiões de maior destaque no consumo dessas duas categorias de produtos, com 96% e 92% dos entrevistados, respectivamente, declarando ter realizado compras desses itens no período em questão, com forte influência do preço e da marca na escolha do produto.

Ao analisar os locais mais frequentados para compras, os supermercados foram os preferidos por 60% dos entrevistados. Na sequência, vêm as drogarias e farmácias (39%), e as lojas especializadas (33%), enquanto as compras pela web apareceram em último lugar (22%).
Para 81% dos entrevistados, os produtos massificados para cabelos foram considerados tão bons quanto as opções mais caras disponíveis no comércio, prevalecendo igual opinião quando indagados sobre os produtos para a pele. Nesse aspecto, os consumidores nos Estados Unidos consideraram os produtos massificados de saúde e beleza como bons substitutos, enquanto os compradores pesquisados no Oriente Médio e na região da Ásia-Pacífico se mostraram mais predispostos a adquirir itens mais caros e sofisticados de produtos de primeira linha.

Na ordem das tendências – Como rica fonte de ativos e insumos naturais, o Brasil amplia suas plataformas de desenvolvimento de novos produtos, buscando conquistar maior espaço no mercado mundial, e devendo, por isso, incrementar as exportações, principalmente de produtos diferenciados e de maior valor agregado.

Entre as últimas inovações incorporadas pelas indústrias e lançadas em produtos finais, as que causaram maior impacto no setor, segundo Angel Lizárraga, diretor executivo da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), foram os ativos nanoencapsulados e os produtos multifuncionais, como bases para maquiagens com FPS e contendo ativos antiaging.

“Por ser o terceiro maior mercado cosmético do mundo, o Brasil sempre tem de acompanhar as tendências até para não perdermos a competitividade no mercado internacional. Algumas, porém, envolvendo o maior desenvolvimento de cosméticos masculinos, podem demorar um pouco mais até serem incorporadas, mas isso é só uma questão de tempo, pois passarão a ser adotadas em função do market share que representam”, considerou Lizárraga.

Em se tratando de tendências, novos conceitos em produtos nutricosméticos, nutracêuticos e cosmecêuticos também estão sendo levados em conta pelas indústrias em virtude dos benefícios que podem agregar. Os cosmecêuticos, por exemplo, associam-se a importantes ações terapêuticas, como os cremes antiaging que prometem aumentar a oxigenação da pele. Já os nutricosméticos, ou seja, os cosméticos contendo ingredientes nutricionais, constituem outra frente de novos desenvolvimentos para as indústrias, que já lançam, por exemplo, loções pré-sol com betacaroteno. Em nutracêuticos, isto é, produtos para ingestão oral, enriquecidos com ativos e/ou agregando benefícios, já podem ser encontrados, segundo informou Lizárraga, gelatinas com Demae e iogurtes com colágeno.

“As aplicações de ativos antiaging dependem do tipo de produto a ser formulado e dos mecanismos biológicos que se pretende atingir. Se a intenção for minimizar processos oxidativos da pele, usaremos um antioxidante do tipo vitamina E, mas se pretendemos minimizar efeitos causados pelas contrações dos músculos faciais, como rugas, usaremos um bloqueador da comunicação celular”, informou o diretor.

No rol das mais recentes criações, os especialistas já puderam constatar fórmulas capazes de fornecer à pele a quantidade de oxigênio necessária para combater os sinais do envelhecimento, desenvolvidas mediante um sistema de fixação de oxigênio que imita o processo que, naturalmente, ocorre com a hemoglobina. Outra fórmula de última geração é um sérum de tratamento para rosto e pescoço que propicia eliminar instantaneamente as toxinas da pele. Além dos novos ativos em lançamento no mundo, os especialistas também observam que substâncias já lançadas no passado, como o Resveratrol, ingrediente baseado em uvas, voltou a dar base a novos desenvolvimentos em cosméticos, um setor realmente movido por inovações.

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