Meio Ambiente (água, ar e solo)

Perspectivas 2011 – Ambiente – Setor de engenharia ambiental inicia o ano confiante e com agenda lotada de projetos

Marcelo Furtado
10 de janeiro de 2011
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    Infraestrutura – Além da tendência de ocupação do solo descontaminado, outra vertente de negócios que deverá tomar força total em 2011 é a ligada aos investimentos em infraestrutura no Brasil. “O país tem um gap grande na área e há muitas novas obras com demanda obrigatória, em seus licenciamentos ambientais, por investigações e até remediações”, disse Giovanna. Na mesma linha, a dirigente cita as demandas abertas com os dois grandes eventos esportivos, a Copa do Mundo de Futebol e a Olimpíada no Rio, que já começam a puxar muitos projetos, no bojo dos EIA-Rimas (estudos de impacto ambiental) exigidos para as obras.

    Exemplos dessa tendência são as várias investigações de solo e águas subterrâneas para as obras de ampliação do Metrô de São Paulo. “Há várias estações e linhas que ficavam embaixo ou na vizinhança de postos de gasolina que deixaram vazar combustíveis no solo”, afirmou Giovanna. As empresas de consultoria e engenharia ambiental trabalham aí não só fazendo o levantamento hidrogeológico como, muitas vezes, na remoção dos contaminantes.

    Tanto nas obras de infraestrutura como em outras para reocupação de solo, essas empresas podem (e devem) também auxiliar na conduta posterior à remediação, já na fase de novo uso. “É importante o novo ocupante saber até que ponto ainda há riscos na área anteriormente contaminada”, complementou a presidente da Aesas. Há casos, por exemplo, em que fica vedado o uso do lençol freático da área.

    Consolidação – No aspecto estrutural do setor de engenharia e consultoria ambiental, o cenário também promete melhorar. Segundo Giovanna, as boas perspectivas e os negócios de fato começando a ocorrer provocam consolidação entre as empresas do ramo, com a entrada até de pesos-pesados internacionais, como a americana Aecom, que comprou globalmente a ENSR (esta com escritório local). “Acredito que no máximo em cinco anos o setor estará mais amadurecido, com menos empresas amadoras e pequenas, que tradicionalmente prejudicam a imagem de todos”, disse.

    química e derivados, Giovanna Galante, superintendente da Essencis Soluções Ambientais, recuperação de solos

    Giovanna: reocupação de solos fomenta os projetos de remediação

    A reestruturação do setor deve tornar o mercado mais concentrado em grandes grupos, com atuação diversificada na gestão ambiental e mais profissionalizado. Isso já ocorre em empresas como a Haztec, que incorporou a Estre e com isso ampliou ainda mais o seu portfólio de ofertas de serviço e engenharia ambiental, desde a remediação e investigação de solos, passando pela fabricação e instalação de equipamentos e sistemas de água e efluentes, destinação de resíduos com aterros e incineradores próprios, coprocessamento, entre várias outras tecnologias.

    Na mesma linha de verticalização, a Essencis tem planos de ampliar sua já grande oferta. Além da remediação de solos, do incinerador e aterros próprios, da chamada logística reversa e do coprocessamento em fornos de cimento, a ideia, segundo Giovanna, é entrar no mercado de tratamento de água e de tudo o que for necessário para fechar o pacote de gerenciamento ambiental em clientes industriais. “A estratégia é nos tornarmos um competidor no modelo one-stop-shop”, afirmou.

    Mas o maior receio com esse crescimento e amadurecimento do setor é a escassez de mão de obra qualificada, uma preocupação que toma conta dos associados da Aesas. “Os profissionais vão ser contratados a peso de ouro”, lamentou Giovanna. Isso porque vale lembrar que o setor de engenharia e gestão ambiental é relativamente novo no Brasil e não há muitos engenheiros, geólogos e técnicos com experiência no mercado. “E para formar um recém-saído da universidade leva no mínimo dois anos”, complementou. E também não custa acrescentar que boa parte deles também é assediada por outros setores em ascensão, como o de petróleo e mineração. Reside aí mais um desafio – que passa pelo déficit educacional brasileiro – com urgência de ser enfrentado, sob o risco de comprometer o crescimento de um setor de comprovada vocação nacional.



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