Química

Perspectivas 2010: Petroquímica – Ano começa animado, com previsão de bons negócios e anúncio de consolidação setorial

Marcelo Fairbanks
15 de janeiro de 2010
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    Química e Derivados, Bernardo Gradin, presidente do conselho diretor da Abiquim e presidente da Braskem, Petroquímica - Ano começa animado, com previsão de bons negócios e anúncio de consolidação setorial

    Gradin propõe pacto para fortalecer toda a cadeia produtiva

    Reis comenta que muitos empresários já consideram superada a crise mundial e apostam em um crescimento econômico generalizado em 2010. “Ainda há problemas no ar, como exemplifica a situação de Dubai, um dos emirados árabes que está insolvente”, advertiu. Ele também criticou a fúria arrecadatória em todos os níveis federativos, mesmo com o objetivo de financiar obras públicas. “A fonte para o desenvolvimento nacional é o investimento industrial e o aumento da competitividade, nunca a arrecadação fiscal”, criticou.

    Reis lamentou a falta de uma política de preços adequada para dar uma destinação industrial nobre ao gás natural, hoje visto apenas como fonte de energia. “O setor químico precisa apenas de cinco milhões de metros cúbicos/dia de gás natural com preço diferenciado e suprimento garantido para impulsionar US$ 3 bilhões em investimentos na produção de fertilizantes nitrogenados, um dos itens de maior peso na nossa pauta de importações”, afirmou Reis.

    O setor de fertilizantes obteve em 2009 o pior resultado do agregado químico, com redução de 31,1% do faturamento líquido em dólares (23,8% de queda, em reais). Até o volume das importações foi cortado em 38,1%, ou 63,2% em dólares FOB. O secretário-executivo da Associação Nacional para a Difusão de Adubos, Eduardo Daher, atribuiu o mau desempenho do setor à queda de preços internacionais dos produtos agrícolas, que levou os produtores a investir menos em nutrientes para seus cultivos e a consumir estoques de fertilizantes. Para 2010, a situação não deve ser muito melhor. “Precisamos acabar com a guerra fiscal entre estados e melhorar muito a estrutura logística nacional”, afirmou Daher. Ele mencionou que o Brasil é o quarto maior mercado mundial para fertilizantes, porém o porto de Santos, o de maior relevância para o setor, é o 36º no ranking mundial de eficiência. Isso se traduz em custos elevados para os agricultores.

    Outro segmento que teve dificuldades em 2009 foi o das fibras têxteis artificiais e sintéticas. A importação de tecidos e itens de vestuário acabados, geralmente da China, com preços irrisórios, justificou a queda de 16% do faturamento líquido dolarizado, para um volume de vendas apenas 2,2% inferior ao de 2008.

    Segundo De Marchi, o governo federal deve manter os estímulos ao consumo na ponta, via mecanismos de crédito ao consumidor. Além disso, as indústrias compradoras de insumos químicos devem melhorar sua competitividade global. E também merecem ser protegidas contra importações clandestinas ou mesmo contra o dumping. “O mercado local precisa ser protegido corretamente contra esses abusos”, defendeu.

    Pacto nacional – A convergência de interesses e a necessidade de buscar incremento de competitividade para todas as cadeias produtivas ligadas à atividade química motivaram a Abiquim a propor o Pacto Nacional da Indústria Química, apresentado durante o Encontro Anual da Indústria Química (Enaiq), em dezembro. “Ou o setor segue como está, sob o risco de ataque a uma cadeia de valor frágil, ou fortalece essa cadeia para enfrentar melhor o futuro”, argumentou Bernardo Gradin.

    Ele salientou que a indústria química nacional pode chegar ao quinto lugar no ranking mundial aproveitando sua vantagem natural para impulsionar a química verde. Para isso, será preciso superar a diferença de US$ 30 bilhões de faturamento anual do setor no Brasil e na França.

    Nas contas da Abiquim, divulgadas por Gradin, considerando a taxa média de expansão anual do PIB de 4%, o setor precisará investir US$ 87 bilhões até 2020 apenas para suprir a evolução da demanda atual. Outros US$ 45 bilhões deveriam ser investidos para substituir importações, perfazendo um total de US$ 120 bilhões, ou seja, o dobro dos investimentos atualmente programados pelo setor.

    As matérias-primas para suportar esse crescimento poderão vir do pré-sal, ou de fontes renováveis, verdes, como o álcool e derivados de óleos e gorduras. As atividades da chamada química verde exigiriam US$ 16 bilhões para serem desenvolvidas até 2020. “Isso considerando a previsão conservadora que 10% de toda a petroquímica mundial terá fontes verdes nesse período”, comentou.

    Química e Derivados, Nelson Pereira dos Reis, Petroquímica - Ano começa animado, com previsão de bons negócios e anúncio de consolidação setorial

    Reis: falta gás para fazer mais adubos nitrogenados

    Além disso, os investimentos para aproveitar cerca de 20% dos produtos da camada do pré-sal no setor químico chegariam a US$ 32 bilhões até 2020. “Transformar esses projetos em realidade vai exigir a formação de um consenso dentro da cadeia produtiva química, com altos índices de sustentabilidade e competitividade para poder exportar mais, associados aos melhores padrões de gestão empresarial, qualificação profissional e inovação tecnológica”, afirmou.

    Com esses investimentos, Gradin estima a criação de três milhões de novos empregos formais, com boa remuneração e qualificação. Também interessa ao país agregar valor à produção crescente de petróleo e gás natural, reduzir a vulnerabilidade externa, alavancar a produção de bens de capital, fortalecer o mercado de capitais no país e melhorar os padrões ambientais.

    O pacto proposto se apoia em quatro pilares, exigindo a participação do governo e da sociedade também. O primeiro pilar é formado pela oferta de insumos básicos e de infraestrutura local em quantidade e preços adequados. É preciso contar com suprimento de óleo e gás compatível com os objetivos anunciados, dentro de uma política industrial competitiva. A oferta de eletricidade para a indústria precisa ser garantida e com custos razoáveis, além da alocação de investimentos no campo logístico.



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