Perspectivas 2010: Petróleo & Energia – Megainvestimentos da estatal não garantem gás para projetos do setor químico

Outras companhias, nacionais e internacionais, também declararam ter interesse em construir novas unidades de amônia no Brasil, desde que tenham acesso a gás natural de baixo preço. Ocorre uma dificuldade: pela lei, a Petrobras não pode vender o gás natural diretamente para os consumidores, mas por meio das distribuidoras estaduais (Comgás, CEG e outras). Seriam, portanto, duas operações consecutivas: da estatal para as distribuidoras e destas para os clientes. Ocorre que há impostos a recolher em cada transação, além da margem de lucro de cada agente. “Quando nós usamos nosso próprio gás há apenas uma transferência material, sem impostos”, explicou Gabrielli.

Mudanças globais – As recentes descobertas de grandes depósitos de gás natural em águas rasas do Golfo do México mexeram com o equilíbrio do mercado mundial. “Houve um descolamento dos preços do gás com os do petróleo”, comentou Gabrielli. A referência mundial dos preços do gás é o Henry Hub, ponto central de distribuição nos EUA. A queda nas cotações do gás americano colocou em xeque uma estratégia que aparentava ser definitiva, com o Oriente Médio se transformando num grande supridor de GNL para os EUA, além de assumir parte da produção petroquímica norte-americana, espremida pelo alto custo da matéria-prima. O gás barato do Golfo do México pode mudar tudo. Isso provocou a paralisação de muitos projetos petroquímicos do Oriente Médio.

“A dependência de GNL não é esperada para longo prazo, ninguém quer depender desse suprimento”, comentou. Ele mencionou que 85% do consumo de gás depende dos gasodutos, com preços definidos em contratos de longo prazo. Os 15% restantes usam o GNL, com negociações de curto prazo, voláteis. Além disso, a queda na demanda por derivados combustíveis e por petroquímicos ao redor do mundo também influenciou negativamente os preços dos hidrocarbonetos.

A entrada da produção do pré-sal, depois de 2013, vai aumentar a oferta da Petrobras, que terá antes disso a expansão dos campos de gás de Mexilhão e Manati (campos de gás não associados ao petróleo). O gás do pré-sal ainda é uma incógnita. “Não sabemos com certeza o comportamento do reservatório carbonático, quanto desse gás será preciso reinjetar para manter a produção de óleo, além de outros fatores logísticos”, explicou Gabrielli. Ele só disse que o teste de longa duração no campo de Tupi revelou uma relação gás/óleo superior à da Bacia de Campos.

Como prevê usar GNL, importado ou não, a estatal começou a construir unidades de expansão do gás, os terminais de GNL, e a investir na ampliação da malha de gasodutos. Até 2013, deverão estar em operação três terminais de GNL no Brasil, que terá malha de 9,6 mil km de gasodutos.

Petroquímica integrada – O presidente das Petrobras se eximiu de comentar as negociações entre Braskem e Quattor, das quais a estatal possui respectivamente 25,41% e 40% do capital total. Mas reafirmou a intenção da companhia de ser um ator importante no cenário petroquímico, com o objetivo de diversificar sua matriz de produtos, agregar valor à produção e contar com um hedge natural entre os ciclos de petróleo e petroquímica. Aos parceiros, a companhia oferece acesso a matérias-primas e insumos competitivos.

Química e Derivados, José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, Petróleo & Energia - Megainvestimentos da estatal não garantem gás para projetos do setor químico
Gabrielli: lei manda reservar gás para suprir termelétricas

Dentro do plano de negócios 2009-2013, a estatal pretende investir US$ 3 bilhões em projetos petroquímicos, com destaque para o complexo de Suape-PE e para o Comperj, no Rio. O projeto pernambucano representa investimento de R$ 4 bilhões em três fábricas integradas de 720 mil t/ano de ácido tereftálico purificado (PTA), 240 mil t/ano de fios de poliéster e 450 mil t/ano de polietileno tereftalato (PET), com partida prevista para o final de 2010. O Comperj tem partida prevista para 2012, pelo menos da refinaria para 150 mil barris de petróleo extrapesado por ano, gerando frações leves, com uso como combustível e/ou petroquímico. Neste último caso, ainda não foram definidos os parceiros para os projetos a jusante. “Estamos licitando os ‘epecistas’ que vão construir a obra, o cronograma está mantido”, afiançou Gabrielli.

No horizonte petroquímico mundial, o presidente da estatal acredita que o cenário de baixa persistirá por mais dois anos, por causa da lenta recuperação da economia norte-americana. Segundo Gabrielli, as indústrias dos países desenvolvidos tendem a focar mais no core business, deixando para outros atores os negócios menos rentáveis. Ele também aponta uma tendência irreversível de integração entre os negócios de refino e petroquímica. Espera-se que a capacidade mundial de produção petroquímica cresça 6% em 2010 e 5% em 2011, sendo reduzida nos anos seguintes, até um novo ciclo de expansão. No caso do Brasil, o mercado local apresentou sinal claro de reação no segundo semestre de 2009 e deve manter o ritmo de crescimento em 2010.

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