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Química

Perspectivas 2010: Limpeza – Faturamento cresce com a redução da informalidade e mudança na demanda

Rose de Moraes
15 de janeiro de 2010
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    O preocupante cenário de informalidade vem motivando uma série de ações de conscientização e de combate por parte da Abipla e do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos de Limpeza (o Sipla), sendo a mais recente a representada pela parceria entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para instituir programa de mobilização para a regularização de empresas do setor de saneantes. A ideia, segundo a diretora, é mostrar a importância da adequação das empresas à legislação, introduzir boas práticas de fabricação nas empresas e contribuir para o aumento da competitividade e da lucratividade, garantindo a concorrência leal no mercado.

    Química e Derivados, Maria Eugenia Proença Saldanha,  diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins(Abipla), Perspectivas 2010: Limpeza - Faturamento cresce com a redução da informalidade e mudança na demanda

    Maria Eugenia: clandestinos põem em risco a saúde pública

    Formado basicamente por micros, pequenas e médias empresas, que correspondem a 95% do universo total de players, o setor de produtos de limpeza trabalha, segundo Maria Eugenia, em prol do estabelecimento de uma agenda tributária competitiva, e nutre grandes expectativas em relação às futuras ações do governo, considerando como extremamente importante estabelecer um conceito de desenvolvimento sustentável que seja economicamente próspero, socialmente justo e ambientalmente adequado.

    Em apoio às indústrias do setor, a Abipla criou vários grupos de trabalho, com o objetivo de discutir os principais desafios e soluções, estabelecendo metas e elaborando planos de ação sobre questões mais relevantes. Instalados a partir de 2008, foram instituídos onze grupos organizados por grandes temáticas: produtos profissionais, micro, pequenas e médias empresas, informalidade, assuntos regulatórios, estudos tributários, meio ambiente, fósforo, comissão de relações de trabalho, comércio exterior, padronização internacional de produtos químicos e especialidades químicas.

    O grupo de trabalho focado em produtos profissionais, criado em virtude das diferenças com os de uso doméstico, vem colocando na pauta das discussões questões como concentração de produtos, métodos de utilização, assuntos regulatórios, entre outras, sendo tratados por áreas de aplicação, como automotiva e de tratamento de pisos, e inclui discussões sobre destinação correta de embalagens.

    As principais preocupações das micro, pequenas e médias empresas também são acolhidas e analisadas por grupo que tem por objetivo auxiliá-las nos órgãos reguladores, esclarecendo e oferecendo instruções sobre a importância de regularização de empresas informais, bem como orientações para a busca de fontes de financiamento em órgãos públicos.

    Já o grupo de assuntos regulatórios presta orientações às indústrias para a adoção de medidas de boas práticas de fabricação, notificação e registro de produtos, autorização de funcionamento, controle de qualidade e metrologia, de acordo com as normas já estabelecidas pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

    Ao promover estudos tributários, o grupo se aprofunda na legislação em vigor, bem como analisa o impacto das altas cargas tributárias para o setor, propondo várias ações com o objetivo de reduzir impostos, considerando principalmente a essencialidade dos produtos de limpeza para a saúde pública.

    Em 2008, o grupo dedicado a discutir a padronização internacional de produtos químicos colocou em pauta o GHS (The Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals), sistema que pretende promover a harmonização global dos conceitos e ações para a classificação e a rotulagem de produtos químicos. Em linhas gerais, segundo a Associação, o sistema GHS tem por objetivo definir os perigos dos produtos químicos, disseminando informações em rótulos e fichas de segurança.

    A redução dos impactos causados pelos produtos de limpeza ao meio ambiente constitui outra preocupação do setor, que foi traduzida em 2009 pela criação do programa Movimento Limpeza Consciente, fixando quatro principais frentes de trabalho para melhorar o perfil ambiental do setor, como redução dos produtos químicos em geral, redução da geração de embalagens, redução das emissões de CO2 e otimização no uso de água.

    Por fim, o grupo dedicado ao tema “fósforo” tem por objetivo acompanhar o cumprimento da resolução 359/05, baixada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e que estabelece a redução gradual do teor de fosfato nos detergentes em pó. Atualmente, o limite máximo permitido de fósforo por formulação de detergente é de 4,80%. Porém, também está em vigor a média ponderada máxima de STPP (Tripolifosfato de Sódio) por grupo importador, que é de 12,5%.

    O fósforo, via STPP, é adicionado aos detergentes em pó há mais de meio século. Os detergentes em pó, segundo ensinam os técnicos da Abipla, são compostos basicamente de três grandes grupos de substâncias com funções bem específicas. Ou seja, por tensoativos (também conhecidos como surfactantes), por builders, como o STPP, e por ingredientes auxiliares.

    Os tensoativos removem as sujidades, os builders facilitam o processo de limpeza e os ingredientes auxiliares perfumam, oferecem coloração e também atuam como cargas, promovendo balanceamento na formulação dos produtos.

    “Na visão da indústria, o STPP é uma opção de builder para a lavagem segura das roupas ao ser humano e ao meio ambiente. Em primeiro lugar, por sua capacidade de evitar que a sujeira retirada das roupas de molho retorne aos tecidos e por tornar o pH da água mais adequado às lavagens. Além disso, o componente químico também ajuda a remover a sujeira e aumenta a molhabilidade, ou seja, torna o tecido mais úmido durante as lavagens, facilitando a ação do produto de limpeza, enquanto os demais
    builders não realizam esses trabalhos isoladamente e precisam de componentes adicionais denominados cobuilders”, comentou.



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