Limpeza: Faturamento cresce com a redução da informalidade

Perspectivas 2010: Faturamento cresce com a redução da informalidade e mudança na demanda

As indústrias de produtos de limpeza superaram mais uma vez as expectativas de desempenho setorial e devem fechar o ano de 2009 com faturamento de R$ 12 bilhões.

Sob o aspecto das finanças, registraram 7% de crescimento em relação a 2008, quando o setor movimentou R$ 11,4 bilhões.

Em volume de produtos comercializados, alcançaram 8% de crescimento, avanço considerado muito positivo perante a crise econômica mundial e por se tratar de setor extremamente sensível à renda da população, mas também em pleno ciclo de expansão.

De acordo com estudos realizados pelo instituto internacional de pesquisas Euromonitor, as vendas mundiais de produtos de limpeza deverão alcançar patamar de mais de US$ 138 bilhões em 2013.

Tal montante oferece ao setor a perspectiva de poder contar com crescimento contínuo do mercado mundial, na casa dos 10% anuais, nos próximos anos.

Química e Derivados, Maria Eugenia Proença Saldanha, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins(Abipla), Perspectivas 2010: Limpeza - Faturamento cresce com a redução da informalidade e mudança na demanda
Maria Eugenia: clandestinos põem em risco a saúde pública

“Em 2010, o nosso setor deverá continuar crescendo acima do Produto Interno Bruto (PIB), tal qual ocorreu nos últimos cinco anos, e a crise econômica de 2009 acabou produzindo efeito muito positivo, pois o consumidor ficou mais em casa e passou a utilizar mais produtos de limpeza”, comentou a diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla), Maria Eugenia Proença Saldanha.

Segundo pesquisas divulgadas pela entidade, boa parte dos lares brasileiros já utiliza detergentes em pó para a lavagem de roupas. Mais recentemente, o consumidor brasileiro também passou a contar com inovações, como a oferta de detergentes líquidos.

A categoria de produtos para a lavagem de roupas, na qual também se incluem amaciantes e itens para pré-lavagem, detém a liderança do setor do ponto de vista do faturamento, correspondendo à maior fatia, de 40%.

“Os produtos para cuidados com as roupas têm mantido ritmo de crescimento contínuo nos últimos anos e devem continuar em crescimento em 2010, pois o mercado interno ainda tem muito a crescer”, afirmou a diretora da Abipla. Os amaciantes também têm contado com maiores vendas nos últimos anos graças à diversidade de fragrâncias oferecidas ao consumidor.

No segmento de sabões em barra, o sebo, matéria-prima para a sua fabricação, já havia alcançado alta de 50% no consumo em 2008, em virtude de sua utilização em biocombustíveis. A demanda relativa a 2009, porém, ainda está prestes a ser divulgada pela Abipla.

No segmento de águas sanitárias, os aumentos em volume em 2008 chegaram a 3,7%. Somados ao desempenho dos dois anos anteriores, o crescimento em volume foi de 9,4%, percentual atribuído ao fato de o produto ser utilizado cada vez mais para desinfecção dos lares.

Já os detergentes líquidos para lavagem de louças, de acordo com os últimos dados divulgados pela Abipla, alcançaram 1,4% de crescimento em 2008, somando, porém, 6,2% de crescimento, se forem consideradas também as vendas de 2007 e 2006. Em detergentes líquidos, é importante observar que a categoria vem conquistando maior espaço no mercado ao competir com os sabões em barra, sendo alvo de inovações permanentes, oferecendo, por exemplo, ao consumidor novas fragrâncias, que têm servido de estímulo às vendas.

Outra categoria que vem mantendo altas taxas de crescimento é a de purificadores de ar. Em volume, o crescimento registrado nesse segmento foi de 9,3% em 2008, mas, no acumulado, entre os anos de 2006 até 2008, esses produtos alcançaram excepcional desempenho, com 15,5% de crescimento.

Os limpadores multiuso constituem outra categoria que vem apresentando crescimento significativo a cada ano, respondendo por 8,9 % de aumento em volume e 14,8% de aumento em faturamento, no período de 2006 até 2008.

Segundo observadores do setor, os inseticidas constituem produtos cujo consumo tem apresentado crescimento praticamente em todas as faixas de renda da população, principalmente perante a ocorrência de surtos de doenças transmissíveis por insetos, como a dengue, entre outras, das quais o país ainda tenta se livrar.

As exportações do setor em 2009, segundo a Abipla, deverão ser 12,6% inferiores às de 2008, em razão da crise internacional. Entre os produtos brasileiros mais exportados, os destaques em 2009 deverão ficar por conta dos itens para limpeza de roupas (US$ 48,3 milhões), dos sabões em barra (US$ 28,07 milhões) e dos panos de limpeza (US$ 24,6 milhões).

Para a diretora-executiva da Abipla, uma das maiores preocupações do setor atualmente reside na falta de regulamentação de grande contingente de empresas. De acordo com o último levantamento realizado pela entidade, a informalidade abrangeu principalmente seis categorias de produtos: águas sanitárias, detergentes líquidos, desinfetantes, produtos de limpeza multiuso, amaciantes e detergentes em pó.

“Líderes entre os produtos clandestinos, somente a água sanitária atinge índice de 42% de informalidade, enquanto os desinfetantes, 30%, seguidos pelos amaciantes, 15%, e os detergentes líquidos, 7,7%, não havendo como atestar a eficácia desses produtos”, comentou Maria Eugenia. De acordo com a diretora-executiva da Abipla, isso tem prejudicado o país não só sob o ponto de vista econômico, mas também por violar preceitos fundamentais de saúde pública, colocando em risco a saúde da população que adquire produtos sem qualquer controle da vigilância sanitária e de outros órgãos de saúde pública.

O preocupante cenário de informalidade vem motivando uma série de ações de conscientização e de combate por parte da Abipla e do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos de Limpeza (o Sipla), sendo a mais recente a representada pela parceria entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para instituir programa de mobilização para a regularização de empresas do setor de saneantes. A ideia, segundo a diretora, é mostrar a importância da adequação das empresas à legislação, introduzir boas práticas de fabricação nas empresas e contribuir para o aumento da competitividade e da lucratividade, garantindo a concorrência leal no mercado.

Formado basicamente por micros, pequenas e médias empresas, que correspondem a 95% do universo total de players, o setor de produtos de limpeza trabalha, segundo Maria Eugenia, em prol do estabelecimento de uma agenda tributária competitiva, e nutre grandes expectativas em relação às futuras ações do governo, considerando como extremamente importante estabelecer um conceito de desenvolvimento sustentável que seja economicamente próspero, socialmente justo e ambientalmente adequado.

Em apoio às indústrias do setor, a Abipla criou vários grupos de trabalho, com o objetivo de discutir os principais desafios e soluções, estabelecendo metas e elaborando planos de ação sobre questões mais relevantes. Instalados a partir de 2008, foram instituídos onze grupos organizados por grandes temáticas: produtos profissionais, micro, pequenas e médias empresas, informalidade, assuntos regulatórios, estudos tributários, meio ambiente, fósforo, comissão de relações de trabalho, comércio exterior, padronização internacional de produtos químicos e especialidades químicas.

O grupo de trabalho focado em produtos profissionais, criado em virtude das diferenças com os de uso doméstico, vem colocando na pauta das discussões questões como concentração de produtos, métodos de utilização, assuntos regulatórios, entre outras, sendo tratados por áreas de aplicação, como automotiva e de tratamento de pisos, e inclui discussões sobre destinação correta de embalagens.

As principais preocupações das micro, pequenas e médias empresas também são acolhidas e analisadas por grupo que tem por objetivo auxiliá-las nos órgãos reguladores, esclarecendo e oferecendo instruções sobre a importância de regularização de empresas informais, bem como orientações para a busca de fontes de financiamento em órgãos públicos.

Já o grupo de assuntos regulatórios presta orientações às indústrias para a adoção de medidas de boas práticas de fabricação, notificação e registro de produtos, autorização de funcionamento, controle de qualidade e metrologia, de acordo com as normas já estabelecidas pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Ao promover estudos tributários, o grupo se aprofunda na legislação em vigor, bem como analisa o impacto das altas cargas tributárias para o setor, propondo várias ações com o objetivo de reduzir impostos, considerando principalmente a essencialidade dos produtos de limpeza para a saúde pública.

Em 2008, o grupo dedicado a discutir a padronização internacional de produtos químicos colocou em pauta o GHS (The Globally Harmonized System of Classification and Labelling of Chemicals), sistema que pretende promover a harmonização global dos conceitos e ações para a classificação e a rotulagem de produtos químicos. Em linhas gerais, segundo a Associação, o sistema GHS tem por objetivo definir os perigos dos produtos químicos, disseminando informações em rótulos e fichas de segurança.

A redução dos impactos causados pelos produtos de limpeza ao meio ambiente constitui outra preocupação do setor, que foi traduzida em 2009 pela criação do programa Movimento Limpeza Consciente, fixando quatro principais frentes de trabalho para melhorar o perfil ambiental do setor, como redução dos produtos químicos em geral, redução da geração de embalagens, redução das emissões de CO2 e otimização no uso de água.

Por fim, o grupo dedicado ao tema “fósforo” tem por objetivo acompanhar o cumprimento da resolução 359/05, baixada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), e que estabelece a redução gradual do teor de fosfato nos detergentes em pó. Atualmente, o limite máximo permitido de fósforo por formulação de detergente é de 4,80%. Porém, também está em vigor a média ponderada máxima de STPP (Tripolifosfato de Sódio) por grupo importador, que é de 12,5%.

O fósforo, via STPP, é adicionado aos detergentes em pó há mais de meio século. Os detergentes em pó, segundo ensinam os técnicos da Abipla, são compostos basicamente de três grandes grupos de substâncias com funções bem específicas. Ou seja, por tensoativos (também conhecidos como surfactantes), por builders, como o STPP, e por ingredientes auxiliares.

Os tensoativos removem as sujidades, os builders facilitam o processo de limpeza e os ingredientes auxiliares perfumam, oferecem coloração e também atuam como cargas, promovendo balanceamento na formulação dos produtos.

“Na visão da indústria, o STPP é uma opção de builder para a lavagem segura das roupas ao ser humano e ao meio ambiente. Em primeiro lugar, por sua capacidade de evitar que a sujeira retirada das roupas de molho retorne aos tecidos e por tornar o pH da água mais adequado às lavagens. Além disso, o componente químico também ajuda a remover a sujeira e aumenta a molhabilidade, ou seja, torna o tecido mais úmido durante as lavagens, facilitando a ação do produto de limpeza, enquanto os demais
builders não realizam esses trabalhos isoladamente e precisam de componentes adicionais denominados cobuilders”, comentou.

Segundo a diretora da Abipla, uma das grandes fontes do aporte de fósforo nos rios é o esgoto doméstico, mas há outras fontes, como os efluentes industriais e os fertilizantes.

Presente nas águas de rios e lagos, o fósforo em alta concentração é uma das principais causas de um fenômeno de proliferação de algas chamado eutrofização. Essas algas consomem o oxigênio da água, matando os peixes e provocando um odor desagradável, além de criar o risco de toxinas geradas por alguns tipos de plantas aquáticas. Por isso, nosso setor vem colaborando com a redução do aporte de fósforo no meio ambiente. “No entanto, é preciso salientar que o STPP vem se mostrando seguro ao meio ambiente”, afirmou a diretora da Abipla. Ela entende ser imprescindível a análise das demais fontes de fósforo para solucionar definitivamente o problema da eutrofização no Brasil.

Segundo Maria Eugenia, as medidas internacionais adotadas para a retirada total ou parcial do fósforo na composição dos detergentes em pó não resolveram o problema da eutrofização. “As experiências de mais de três décadas de limitação ou banimento do STPP em detergentes em pó em diferentes regiões do mundo não resultaram em melhorias significativas ao meio ambiente e também não solucionaram o problema do excesso de algas na superfície dos mananciais”, afirmou.

“No Brasil, o lago Paranoá, em Brasília-DF, é um bom exemplo de recuperação de águas superficiais por conta da adoção de medidas combinadas no controle do aporte de fósforo. Na década de 80, esse lago estava em estado hipereutrófico, ou seja, com quantidade excessiva de nutrientes, resultando na proliferação de algas. A fim de solucionar o problema, foi implementado nos anos 90 um sistema terciário de tratamento de esgoto, um pouco mais complexo que o convencional, mas que permitiu a remoção do excesso de nutrientes, como fósforo, reduzindo a eutrofização”, concluiu a diretora da Abipla.

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