Química

Perspectivas 2010: Ambiente – Empresas de serviços e tecnologias ambientais mantêm taxas de crescimento acima de 10%

Marcelo Furtado
15 de janeiro de 2010
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    Química e Derivados, Diógenes Del Bel, diretor-presidente da Abetre, Perspectivas 2010: Ambiente - Empresas de serviços e tecnologias ambientais mantêm taxas de crescimento acima de 10%

    Del Bel: mercado de resíduos passou incólume à crise

    A aprovação da política, porém, na opinião do presidente da Abetre, não deve significar uma revolução no setor. Pelo contrário, para ele, isso apenas oficializará nacionalmente o que já ocorre no país, sem ir muito além disso. “Não precisa de uma política para se saber que o lixão é um crime”, disse. Além disso, segundo Del Bel, a política desperdiçou a chance de incluir medidas mais contundentes, como a de estipular metas para a extinção definitiva dos lixões no Brasil, como fez São Paulo. “Os pontos mais importantes eles deixaram para a regulamentação, o que tende a dificultar as tomadas de decisão no futuro”, afirmou. Del Bel também chama a atenção para incentivos fiscais criados para a reciclagem, que poderiam ser estendidos para outras tecnologias de tratamento. “Além de não significar grandes avanços para a gestão de resíduos, há casos em que o plano pode criar insegurança jurídica”, disse.

    Remediar é preciso – Um outro segmento da área de meio ambiente com possibilidade de ser afetado por causa de uma nova legislação é o de remediação de áreas contaminadas. Em dezembro de 2009 foi publicada no Diário Oficial da União a resolução Conama 420, que dispõe sobre critérios e valores orientadores de qualidade do solo quanto à presença de substâncias químicas e estabelece diretrizes para o gerenciamento ambiental de áreas contaminadas em decorrência de atividades antrópicas. A resolução, segundo Rivaldo Mello, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Diagnóstico e Remediação de Solos e Águas Subterrâneas (Aesas), foi feita nos moldes de lei estadual de São Paulo e pode favorecer ações mais contundentes em regiões do país ainda descobertas por legislações específicas.

    Ponto fundamental da nova resolução consta do artigo 34, no qual fica determinado que os responsáveis pela contaminação dos solos deverão submeter ao órgão ambiental competente proposta para a ação de intervenção a ser executada sob sua responsabilidade. A norma ainda prevê a instituição de um cadastro nacional para o órgão competente definir ações emergenciais em casos de identificação de condições de perigo. Além disso, caberá aos fiscalizadores determinar os procedimentos de identificação e diagnóstico e avaliar o diagnóstico ambiental – decisões fundamentais para o gerenciamento e monitoramento. “São essas medidas que fizeram o estado paulista se adiantar bastante no controle de áreas contaminadas”, disse Mello.

    A resolução esteve em debate no Conama por três anos. Aprovada em novembro de 2009, pela primeira vez estabelece uma regulamentação para a qualidade do solo, a exemplo do que já ocorre com resoluções para a qualidade da água e do ar. Para Rivaldo Mello, a expectativa é a nacionalização normativa criar mais mercado para as empresas do ramo. Mas, da mesma forma, ela pode também criar problemas. Isso porque o novo potencial de negócios gerado costuma atrair muitos oportunistas de ocasião, o que pode manchar a imagem dos consultores e empresas mais sérias.

    A constatação de Rivaldo Mello se baseia no ocorrido depois de publicada a resolução Conama 273, que em 2000 estabeleceu aos estados criarem uma política de controle de vazamentos e contaminação de postos de combustíveis. “Depois disso, em virtude da grande demanda surgida entre os postos de gasolina, uma centena de empresas apareceu para se aproveitar da situação”, disse. “E infelizmente boa parte delas não tinha condições técnicas para executar o serviço.”

    Mas o surgimento de problemas faz parte da evolução desse serviço essencial para o meio ambiente, que hoje atende a pedidos não só na indústria e em postos de combustíveis, mas também na construção civil, que precisa remediar áreas contaminadas para levantar prédios comerciais, industriais ou até residenciais. Em 2010, depois de uma leve diminuída nos projetos dessas áreas, Mello já sente uma recuperação em curso e prevê a continuidade do ritmo de crescimento registrado na última década.

    Química e Derivados, Rivaldo Mello, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Diagnóstico e Remediação de Solos e Águas Subterrâneas(Aesas), Perspectivas 2010: Ambiente - Empresas de serviços e tecnologias ambientais mantêm taxas de crescimento acima de 10%

    Mello: nova resolução deve criar mais demanda pela remediação

    Água com o PAC – O mercado de tratamento de água também encontra motivos para ânimo em 2010. De acordo com José Eduardo Gobbi, coordenador da comissão setorial de saneamento e tratamento de água da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), os fornecedores de produtos químicos para água acreditam que o ano promete ser repleto de novas obras do famigerado PAC, o programa federal de aceleração do crescimento. “Há várias estações para sair em todo o Brasil, ampliações de ETAs e novas ETEs”, disse.

    Em avaliação feita entre os associados da comissão setorial da Abiquim a expectativa é a de que as novas obras elevem o consumo de produtos químicos na área em até 30% em 2010. São desde commodities como a cal utilizada para controle de pH, passando pelos sulfatos de alumínio, de ferro até o cloro e produtos mais especializados como os polímeros.

    “Cada nova estação significa um volume considerável de produtos, sobretudo em razão da poluição de nossos rios e, no curto prazo, em virtude das chuvas”, disse Gobbi. Não custa ressaltar que dado do Ministério das Cidades, lembrado pelo coordenador, estima que, do custo do tratamento de água para abastecimento, o produto químico representa de 5% a 15% dos gastos. Um “pequeno” percentual que constitui uma receita considerável.



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