Química

Perspectivas 2004: Otimismo é geral, otimismo é geral mas com moderação

Marcelo Fairbanks
25 de dezembro de 2003
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    Como o setor importa componentes, a estabilidade cambial se torna fator crucial. “As variações abruptas significam risco elevado para as operações”, considerou. Como a taxa de câmbio atual pode ser considerada baixa, há uma tendência de redução de preços finais aos compradores.

    Química e Derivados: Perspectiva: Ninin - automação pode crescer 15% em 2004.

    Ninin – automação pode crescer 15% em 2004.

    Um complicador é a atual mudança de valor relativo entre o dólar e as demais moedas fortes, como o euro e o iene. Também presidente na América do Sul da japonesa Yokogawa, Ninin verifica que alguns produtos japoneses e europeus tornaram-se menos competitivos em relação aos norte-americanos. “Não acredito que isso perdure, porque a economia americana está reagindo, fato que deve devolver valor à sua divisa. Além disso, as companhias internacionais possuem fábricas em vários países, com diferentes estruturas de custos que podem absorver essa diferença”, ponderou.

    Ao contrário de outros anos, Ninin não identifica algum setor com desempenho muito superior ou inferior, aos demais. “Todos os segmentos estão mais ou menos equilibrados, exigindo acompanhamento atento”, disse. A agroindústria detém bons resultados, principalmente na exportação, mantendo sua atratividade para novos investimentos.

    Tradicional líder de compras no Brasil, a Petrobrás dispõe de um vultoso plano de investimentos para os próximos anos. “A estatal já anunciou que vai ampliar as compras a partir de empresas com produção local, com as quais está contribuindo para capacitação tecnológica”, comentou. Em 2003, a companhia promoveu uma revisão de prioridades no plano de investimentos, sem grandes alterações. Em março de 2004, deve ser divulgada a revisão de planejamento até 2015, talvez trazendo algumas alterações. “Os investimentos serão feitos, isso já está garantido”, disse.

    O ano de 2004 começa livre de grandes preocupações macroeconômicas e com cenário internacional favorável. “Este ano vai definir os rumos do governo Lula; as coisas precisam acontecer tal qual prometidas”, afirmou.

    Cautela no comércio – O setor de comércio de produtos químicos inicia o ano com uma visão otimista, porém cautelosa. “O ano passado foi muito difícil, dominado pelos ajustes necessários ao controle da inflação”, avaliou Rubens Medrano, presidente do sindicato estadual e da associação brasileira das empresas de comércio químico (Sincoquim e Associquim), além de diretor da Federação Nacional do Comércio (Fecomércio). “Temos a esperança de que o governo incentive investimentos e também o crescimento da renda interna da população, de modo a permitir a evolução do consumo; mas, até agora, não vemos medidas concretas nesse sentido.”

    Química e Derivados: Perspectiva: Medrano - juros e tributos oneram setor produtivo.

    Medrano – juros e tributos oneram setor produtivo.

    Ao contrário, a eliminação da cumulatividade da Cofins (contribuição para a seguridade social) foi acompanhada pela majoração da alíquota, quase duplicada. Para o setor de serviços, o repasse da pancada tributária é impossível. Para comércio e indústria, a transferência do tributo para o consumidor, embora complicada, será inevitável. “Mais uma vez a renda está sendo transferida do setor produtivo para o setor público”, lamentou Medrano. O dirigente setorial preferia que o estado brasileiro, em todos os níveis, se preocupasse mais em cortar custos do que em ampliar a arrecadação. “Não dá mais para segurar a inflação com recessão”, afirmou.

    Mesmo assim, Medrano ainda encontra razões para alimentar a postura otimista. No âmbito internacional, a recuperação americana e o crescimento dos negócios na Ásia garantem boa demanda por produtos químicos, cujas cotações devem apresentar alguma recuperação ao longo do ano. “A indústria química local se beneficiará disso, pois poderá exportar excedentes”, comentou. O setor comercial terá a oportunidade de também melhorar suas margens, caso a demanda interna reaja satisfatoriamente. “O poder de compra da população continua muito baixo, basta verificar o desempenho das vendas do comércio no final do ano passado”, afirmou.

    A grosso modo, Medrano acredita que 2004 traga melhores resultados que 2003, mas não espera um desempenho fantástico. “O câmbio precisa ficar estável e também a inflação, para que possamos trabalhar com mais segurança”, disse. As taxas de juros seguem altas, a despeito da redução da taxa básica (Selic) que só é aplicada aos títulos do governo. “Os juros cobrados das empresas e das pessoas físicas é pelo menos o dobro da Selic, são insuportáveis”, avaliou.

    Segundo ele, os setores exportadores seguem muito ativos, sustentando a demanda por insumos. Com a agroindústria ativa, as vendas de tratores, máquinas e equipamentos vão bem, consumindo tintas industriais, entre outros produtos com forte participação química (lubrificantes, plásticos especiais etc.). “O ânimo das empresas de comércio está muito mais elevado que no começo do ano passado, quando a insegurança com o novo governo era muito grande”, avaliou.

    Nota-se o entusiasmo da platéia ao abrir das cortinas do ano de 2004. Resta acompanhar o enredo para ver, ao baixar o pano no último ato do ano, se a peça era um drama épico de final glorioso ou uma comédia pastelão de gosto duvidoso.



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