Química

Perspectivas 2004: Otimismo é geral, otimismo é geral mas com moderação

Marcelo Fairbanks
25 de dezembro de 2003
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    Química e Derivados: Perspectiva: Mariani - dissíduos podem recompor massa salarial.

    Mariani – dissíduos podem recompor massa salarial.

    Química vai bem – O faturamento líquido dolarizado do segmento de produtos químicos de uso industrial cresceu 20,3% em 2003, quando comparado ao ano anterior, embora a produção física só tenha sido ampliada em 4,5%. Além da recuperação de preços, houve sensível aumento das exportações dos itens desse grupo, que ficaram 24,2% maiores. Como as importações cresceram apenas 5% no ano, o déficit comercial químico foi reduzido de US$ 5,3 bilhões, em 2002, para US$ 3,9 bilhões. “O problema maior do déficit químico está nos intermediários para farmacêuticos, fertilizantes e defensivos agrícolas, que acabam por gerar superávit comercial em outras cadeias produtivas, em especial no agronegócio”, afirmou Carlos Mariani Bittencourt, presidente do conselho diretor da Abiquim. Ele salientou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior já criou grupo para estudar a questão dos intermediários e fomentar investimentos.

    Considerando toda a produção química nacional, Mariani manifesta expectativas as mais otimistas. No segmento petroquímico, a conjunção de fatores como os preços cadentes do petróleo, o reduzido número de novas capacidades produtivas e ampliações do parque mundial existente (ver QD-421) e o já previsto aumento de demanda mundial conduzem a um quadro de recuperação de negócios e ampliação de margens de lucros.

    Nem mesmo a débil situação do mercado interno obscurece as expectativas. “Caso o mercado local cresça, a exportação será diminuída; caso contrário, o setor continuará a exportar”, afirmou. Mariani aposta no primeiro caso. “Está começando a temporada de dissídios, e o índice básico de negociação fica por volta dos 16%”, afirmou. Além disso, ele frisou que o mercado mundial das resinas termoplásticas sempre acaba por encontrar um ponto de equilíbrio, manifestado no preço final e na concorrência entre materiais.

    Tamanho otimismo exige investimentos produtivos de monta para impedir a formação de déficits comerciais no futuro. “Falta resolver a questão do preço e disponibilidade das matérias-primas petroquímicas, além do problema tributário, em especial o ICMS, que onera demais o setor produtivo”, considerou. “A economia nacional precisa crescer entre 7% e 8% ao ano para evitar problemas sociais.”

    Dos segmentos a jusante, apenas o ramo farmacêutico teve desempenho ruim, crescendo 2,1% no faturamento líquido dolarizado, justificado pela retração do nível de renda da população e pela falta de políticas públicas para fornecimento de medicamentos, segundo Ciro Mortella, diretor-executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma).

    Ligados ao setor agrícola, os segmentos de adubos e fertilizantes e o de defensivos obtiveram aumentos de faturamento líquido dolarizado de 18,2% e 21%, respectivamente. Até mesmo suas exportações foram ampliadas, em 10% e 67%. Até 2007, a produção de fertilizantes deverá receber investimentos da ordem de US$ 367 milhões, enquanto a produção de defensivos, recentemente reforçada com a construção de fábrica integrada de glifosato na Bahia, vai receber US$ 60 milhões no mesmo período. A previsão de ambos é colher resultados ainda melhores, por causa dos bons preços e demanda favorável pela soja e pela carne produzidas no Brasil.

    O segmento de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos ampliou em 15,24% seu faturamento em dólares, principalmente com o reforço de 28,12% nas exportações. O segmento manifestou interesse em aplicar US$ 500 milhões em novos projetos até 2008.

    Química e Derivados: Perspectiva: Delben - redução do IPI e PIB maior animam setor.

    Delben – redução do IPI e PIB maior animam setor.

    Máquinas empatam – A indústria de máquinas e equipamentos fechou 2003 com faturamento nominal praticamente igual ao do ano anterior, da ordem de R$ 34,37 bilhões. Descontada a inflação, o resultado fica entre 7% e 8% abaixo de 2002. Como consolo para os empresários do setor, as exportações apresentaram excelente desempenho, com aumento de 31,6% entre janeiro e novembro. Os números finais de 2003 devem registrar um acumulado de US$ 4,8 bilhões em vendas internacionais. “Foi o melhor resultado de todos os segmentos industriais”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite.

    O resultado expressivo foi obtido a despeito da valorização do real frente ao dólar. “Conseguimos ganhar competitividade e, agora, nosso esforço é disseminar essa característica pelo maior número possível de empresas do setor”, afirmou.

    Para 2004, Delben Leite espera melhores resultados no mercado interno. “O PIB deve crescer por volta de 3,5%, elevando o faturamento das empresas do setor mecânico em 6%”, avaliou. Contribuirão para esse resultado a queda nas taxas de juros e o controle da inflação.

    Algumas linhas de máquinas e equipamentos, como os voltados para a indústria de petróleo, agricultura, têxteis e máquinas-ferramenta, tiveram demanda razoável mesmo em 2003, e devem manter-se muito ativas em 2004. A redução do IPI de 5% para 3,5%, com intenção oficial de redução a zero até 2006, também poderá alavancar negócios.

    A indústria eletroeletrônica nacional conseguiu faturamento 17% maior em 2003, apesar das dificuldades enfrentadas por vários setores industriais. “Muitas encomendas já haviam sido feitas em 2002 e não podiam ser canceladas”, explicou Nelson Ninin, diretor da Abinee. “Além disso, grande parte dos negócios realizados em 2003 foi relacionada a investimentos em aumento de produtividade, modernização e reposição de linhas.”

    A Abinee ainda não realizou a reunião de diretoria sobre os resultados finais do ano passado e montagem de perspectivas para 2004, mas Ninin, em caráter pessoal, entende que o setor espera uma recuperação de negócios a partir de março, contando com as vendas fechadas no final do ano passado e fatores como o controle da inflação, estabilidade cambial e o anúncio de investimentos produtivos. “Caso se concretizem esses anúncios, o setor poderá crescer 15% em 2004”, afirmou.



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