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Química

Papel: Fibra curta revela futuro promisor

Rose de Moraes
5 de novembro de 2004
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    “O setor florestal brasileiro tem importância inestimável para o País e para o mundo, pois o cenário mundial aponta para uma escassez crescente de madeira e fibras. A produção brasileira não tem a mesma expressão quantitativa em comparação com os níveis alcançados nos Estados Unidos, que produzem dez vezes mais do que nós, mas temos clima, terra para plantar e tecnologia a nosso favor.

    Porém, perdemos boa parte da nossa competitividade ao arcar com as altas cargas tributárias e com os problemas logísticos”, analisou Tabacof.

    Segundo levantamento realizado no setor, a carga tributária brasileira para investimentos produtivos no setor de papel e celulose estaria consumindo mais de 19% do investimento. Já a infraestrutura, representada pela rede de portos e malha rodoviária, em muitos casos ineficiente, obriga as empresas a arcar com investimentos em novos modais de transporte e até mesmo com instalações portuárias, conforme observado em empreendimentos realizados ao sul da Bahia e Espírito Santo.

    Segundo consenso entre as lideranças, a necessidade de incrementar o plantio de novas florestas é essencial para a competitividade do setor, mas é preciso contar com políticas mais favoráveis, estímulos ao financiamento e parcerias. Dos US$ 14,4 bilhões em investimentos programados até 2012, US$ 1,9 bilhão já estaria reservado para ampliar as áreas florestais. Mas faltam contra partidas relacionadas com uma efetiva política de incentivos.

    Como presidente do comitê consultivo de florestas da FAO, Tabacof cogitou até da possibilidade de negociar créditos de carbono para o setor florestal brasileiro junto à União Européia. “A nossa atividade sequestra carbono da atmosfera e pode contribuir para o esforço mundial voltado à redução do efeito estufa, posicionando nossas indústrias em posição pró-ativa no cenário internacional”, diz. Apesar de todos os entraves apontados por Tabacof, o setor deverá fechar o ano de 2004 com superávit na balança comercial de US$ 2,5 bilhões.

    Sucesso extensivo aos papéis – Graças ao desempenho observado na produção de celulose de fibras curtas branqueadas, a produção brasileira de celulose alcançou 8,6 milhões de toneladas, 6,8 milhões de toneladas das quais em fibras curtas, onde os resultados foram mais do que dobrados nos últimos dez anos, considerando-se os 3,3 milhões de toneladas produzidos em 1993.

    Altas marcas também foram alcançadas na produção de papéis não-revestidos para imprimir e escrever, onde o Brasil já é considerado líder na América do Sul, promovendo exportações de cerca de 750 mil toneladas em 2003 e com crescimento estimado em cerca de 3% ao ano.

    “No Brasil, as melhores máquinas de papel batem recordes de velocidade e eficiência operacional, mas ainda falta maior dimensão quanto às escalas de produção para que possam ser comparadas com as novas máquinas projetadas para a Ásia, cujas produções alcançam 500 mil toneladas ao ano”, avaliou Carlos Farinha e Silva, vice-presidente da Jaakko Pöyry Tecnologia.

    “Para lançar máquinas nesses volumes, além de todo um trabalho minucioso de preparação, é preciso repensar todo o circuito de acabamento, inclusive a localização geográfica das instalações de corte e embalagem, como também otimizar a ‘supply chain’, para atender aos requisitos cada vez mais exigentes do consumidor final”, complementa Farinha. “Nossa convicção é a de que algumas empresas brasileiras líderes já apresentem condições para se projetar no exterior de maneira planejada, repetindo a história de sucesso da celulose de eucalipto”.

    No segmento de papéis de imprimir e escrever revestidos, o crescimento no mercado internacional deverá se apresentar igualmente acentuado, mas as vantagens competitivas brasileiras no caso, segundo Farinha, não são tão evidentes em virtude da menor participação das fibras na composição dos papéis.

    Ao analisar o consumo de papel para cartão ondulado, o executivo considerou que o crescimento deverá ocorrer à taxa global de cerca de 2,6% ano ano, superior à média projetada de cerca de 2,1% para o conjunto de todos os papéis e cartões.

    Em cartões para embalagens, a penetração brasileira no mercado internacional é considerada por ele “bastante difícil”. “O Brasil exportou cerca de 100 mil toneladas em 2002 e cerca de 175 mil toneladas em 2003 para nichos muito específicos e talvez surjam novidades nesse sentido”, comentou.

    O crescimento no segmento de papéis sanitários (tissue) continua atrelado ao mercado doméstico e ao poder aquisitivo do consumidor final. No segmento de papel imprensa, onde a produção não alcança nem a metade dos volumes consumidos, o País continua, na visão de Farinha, perdendo a chance de passar de importador a exportador.

    Já a demanda mundial por papéis e cartões continuará crescendo, mas de forma concentrada em algumas áreas geográficas e países, pois nos mercados mais desenvolvidos, como os da Europa Ocidental, Estados Unidos e Japão, o crescimento, segundo analisou, deverá ser relativamente pequeno.



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