Química

Papel: Fibra curta revela futuro promisor

Rose de Moraes
5 de novembro de 2004
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    Segundo ele, a próxima área a crescer em vendas é a de máquinas para papéis tissue. “A Voith escolheu o Brasil para instalar o único centro de tecnologia mundial para papéis, onde são realizados testes de desenvolvimento com fibras virgens ou recicladas, inclusive dispondo de sistemas deinking, para a retirada das tintas dos papéis”, informou Nogueira.

    Com exportações já consolidadas em mercados como os da Austrália, Indonésia, Estados Unidos e América do Sul, além de fornecimentos em consórcio efetivados em conjunto com a matriz, na Alemanha, para atender ao mundo todo, a Voith Paper está trabalhando com a perspectiva de poder exportar 70% da produção já no próximo ano, alcançado volume de vendas internas em torno de 30%.

    Química e Derivados: Papel: Floriani - depurador ganhou mais área aberta. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Floriani – depurador ganhou mais área aberta.

    Automação cresce – Desenvolvendo soluções sob medida para as indústrias de papel e celulose, que abrangem desde automação, fornecimento de turbinas a vapor, até painéis de baixa tensão, a Siemens, também presente na feira, informou ter firmado recentemente contratos com a VCP (Votorantim Celulose e Papel) International Paper e Veracel Celulose.

    Na VCP, a instalação do sistema de automação com acionamentos elétricos, para comandar a nova rebobinadeira (Variplus) na planta de Piracicaba-SP, contou com software aplicativo desenvolvido em conjunto pelas equipes de engenharia do Brasil e Alemanha. Na International Paper, a empresa modernizou máquina de papel e rebobinadeira, substituindo os antigos acionamentos elétricos por comandos digitais. Já na Veracel Celulose, firmando contrato com a AkerKvaener, as soluções da Siemens – transformadores de força, centros de distribuição de carga, inversores de freqüência, dutos de barras, motores de baixa e média tensões, PLC de interface, além de sistema de ar condicionado e tratamento químico de ar para as salas elétricas – vão integrar as caldeiras de força e recuperação e participar da produção de 900 mil toneladas/ano.

    Especialmente projetado para o mercado de depuração de polpas de celulose, aparas e pastas químicas, o novo cesto de depuradores da Metso Paper, apresentado em réplica, foi um dos equipamentos em destaque na feira. Combinando solda a laser nas barras e anéis patenteados de ajuste por encolhimento, o novo cesto, confeccionado em aço inox 316 L (referência ANSI), é capaz de promover aumentos de capacidade de depuração das polpas em torno de 15% em relação aos modelos mais antigos.

    “Estreitamos a espessura das barras que, agora, abrangem desde 2 mm até 5 mm e, com isso, aumentamos a área aberta, elevando a capacidade de depuração e a qualidade das polpas”, afirmou Felipe Floriani, engenheiro de processo e vendas da Metso Paper. Além da Metso Paper, instalada em Sorocaba-SP, a Metso Automation, de Curitiba-PR, também exibiu a mais nova geração de válvulas de controle, envolvendo válvulas do tipo plug excêntrico, válvulas de segmento, borboleta e globo.

    Segundo Valcir Vieira Petiz, coordenador de vendas da Metso Automation, as principais inovações incorporadas às novas válvulas estão nos atuadores pneumáticos de diafragma menores e mais leves em relação aos atuadores de cilindro pneumático. Além disso, foram eliminados os tubos de ar comprimido, antes necessários para se fazer a interligação entre o atuador e o posicionador.

    “A comunicação pneumática entre o posicionador e o atuador agora é feita através de furos nas bases de acoplamento e foram utilizados posicionadores inteligentes que, possuindo display e quatro telas para configuração e calibração, possibilitam leituras de corrente, pressão e percentual de abertura da válvula através do próprio display, e também diagnósticos online de avaliação da performance da válvula de controle em operação”, explicou Petiz.

    Também estreante na exposição, a Semco destacou ampla linha de agitadores, aeradores, emulsificadores e dispersores, visando atender todas as etapas do processo produtivo, envolvendo desde o tratamento da celulose até a mistura de aditivos para a fabricação de papéis.

    No segmento de agitadores, a empresa fabrica desde modelos com entrada lateral, para emprego em linhas de tratamento de celulose, até equipamentos com hélices de fluxo axial (Low Shear), mais eficientes para aplicações em fluidos de baixa viscosidade. Além disso, conta com itens providos de impelidores do tipo HS (High Solidit), destinados a misturas de alta viscosidade, envolvendo preparo de massas, celulose, caulim, carbonato de cálcio, dióxido de titânio e colas de amido.

    Em matéria de equipamentos para dispersão, desde o ano passado estão sendo comercializados dispersores para pigmentos, amidos e caulim, projetados com novos discos dentados, para movimentos de bombeio axial, que provocam atritos mecânicos nas misturas e resultam em alto efeito cisalhador.

    Meta setorial exige ampliar florestas em 500 mil ha/ano

    Química e Derivados: Papel: Cinque - setor mantém investimentos em expansão. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Cinque – setor mantém investimentos em expansão.

    Aos olhos de países com reduzida base florestal, o Brasil é privilegiado. Tem 5 milhões de hectares de florestas plantadas de eucaliptos e pinus, 1,5 milhão servindo para alimentar a produção de celulose que alcançou recorde, em 2003, de 8,6 milhões de toneladas – 4,5 milhões das quais destinadas às exportações para a Europa (41,3%), Ásia e Oceania (31,9%), América do Norte (25,4%), América Latina (0,8%) e África (0,6%).

    A meta setorial de expandir a base florestal brasileira, no entanto, a ser cumprida com o plantio de 500 mil novos hectares de florestas ao ano, visando dobrar as exportações até 2012, continua a enfrentar sérios obstáculos. Este, pelo menos, foi o consenso entre algumas das principais lideranças do setor de papel e celulose presentes à cerimônia de abertura do ABTCP 2004, como a Boris Tabacof, presidente do conselho deliberativo da Bracelpa – Associação Brasileira de Celulose e Papel, e vice-presidente do conselho de administração do grupo Suzano; Carlos Aguiar, diretor presidente da Aracruz Celulose; Murilo Passos, diretor superintendente da Suzano Papel e Celulose; Carlos Farinha e Silva, vice-presidente de desenvolvimento para a América Latina da Jaakko Pöyry Tecnologia; Francisco Valério, diretor industrial da VCP – Votorantim Celulose e Papel; e Umberto Cinque, presidente da ABTCP.



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