Química

Papel: Fibra curta revela futuro promisor

Rose de Moraes
5 de novembro de 2004
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    Química e Derivados: Papel: Meier -  celulose já usa mais de 60% da produçao global de H2O2. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Meier – celulose já usa mais de 60% da produçao global de H2O2.

    Peróxido amigável – Reforçando as vantagens técnicas e ambientais da substituição do cloro e seus derivados por peróxido de hidrogênio para branquear a celulose, a Degussa, segunda maior produtora do insumo no mundo, também foi presença de destaque no ABTCP 2004, comunicando ao público estar operando com 90% de sua capacidade na planta de Barra do Riacho, no município de Aracruz–ES, dimensionada para produzir 60 mil toneladas/ano.

    Para o atual diretor da unidade de negócios químicos peroxidados da Degussa, Jürgen Meier, a empresa não poupa esforços para desenvolver novas aplicações junto aos clientes. Em matéria de novas aplicações, estudo desenvolvido em parceria com a Veracel Celulose revelou que a utilização de estágios de ozônio e peróxido de hidrogênio para a produção de polpa celulósica de eucalipto de alta alvura apresenta baixo impacto ambiental.

    Em outra pesquisa, surgiram novas alternativas para se obter celulose com baixo impacto ambiental e alta alvura, utilizando-se peróxido de hidrogênio e estágios de dióxido de cloro a quente.

    Com mais de 60% da produção mundial de peróxidos de hidrogênio já comprometidos com o branqueamento da celulose, Meier prevê que a partir de 2005 a demanda poderá se equiparar à oferta, iniciando-se um ciclo de carência deste insumo. “O mercado mundial de peróxidos é crescente. Hoje estimamos que a capacidade de produção seja superior a 3 milhões de toneladas/ano, sendo que 90% desse volume já comprometidos”, considerou o diretor.

    Química e Derivados: Papel: Baron -  branqueador evita contaminar o circuito. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Baron – branqueador evita contaminar o circuito.

    Alvura é total – Entre as novas tecnologias para produção de papéis, destacaram-se novidades apresentadas pela Clariant, com o lançamento da terceira geração de branqueadores ópticos dissulfonados (Leucophor APB) para aplicações em massa. Sucessora dos alvejantes tetrassulfonados, essa linha possui carga iônica mais neutra, permitindo não só fabricar papéis com altos níveis de brancura, mas também reduzir a contaminação no circuito das águas residuais das máquinas de papel.

    Com vários usuários no Brasil, no segmento de papéis para imprimir e escrever, como o grupo Ripasa, “a nova geração de alvejantes tornou-se especialidade extremamente necessária em virtude do alto grau de brancura alcançado pelos papéis brasileiros”, considerou Alexandre Baron, responsável técnico pela área de papel e celulose da Clariant.

    Preocupada com a oferta de alternativas aos fluorquímicos sobre os quais já pesam várias restrições mundiais, a Clariant também promoveu nova linha de fluorpolímeros, desenvolvida para acentuar a performance de papéis especiais e não-tecidos (nonwovens).

    Na linha de químicos mais amigáveis, levando em conta restrições ambientais também incidindo sobre as resinas à base de uréia formaldeído e melamina formaldeído, a Clariant decidiu produzir localmente resinas à base de zircônio e glioxal, para conferir maior resistência a papéis revestidos e elevar a resistência superficial a úmido de papéis e papelões.

    Entre os principais campos de aplicação dessa nova linha (Cartabond), que já possui aprovação americana do FDA e alemã do BGW, estão os papéis para impressão offset, antiadesivos, auto-copiativos, multiuso, além de papéis para embrulho, bem como direcionados a cartões revestidos por processos como sizepress e coatings.

    Novidades também foram apresentadas no segmento de corantes para papéis tissue, fine paper e kraft, onde a empresa colocou em produção nacional duas linhas de produtos, a Carta e a Cartasol. Classsificados como corantes diretos e com ampla gama de combinações de cor, podem ser empregados no tingimento de papéis colados ou não, sendo apropriados para tingir papéis e cartões com pouca ou nenhuma carga mineral, tanto em massas, como em sizepress.

    Quando empregados em papéis kraft, esses produtos dispensam fixadores, substituindo os corantes básicos, sujeitos às flutuações de cor e reversões. Em papéis tissue, as formulações aniônicas aplicam-se particularmente a papéis finos e produções envolvendo processos alcalinos, mantendo a alta fixação das cores.

    Concorrendo no segmento de tratamento de águas industriais com a oferta de tecnologias, produtos e serviços, a Clariant ainda destacou soluções para tratamento de caldeiras, incluindo produtos como sequestrantes de oxigênio, formulações com polímeros para controle de depósitos e inibidores de corrosão para linhas de condensado, bem como tratamentos específicos para água e efluentes.

    “Nossa tecnologia para tratamento de águas industriais, empregada em empresas como Petrobrás e setores de mineração e fertilizantes, está ao acesso do setor de papel e celulose, com biocidas, oxidantes e prestação de serviços de laboratório, monitoramento e controle de todas as etapas de produção”, destacou Baron.

    Outra presença de destaque neste ABTC foi a da Rohm and Haas, que apresentou amplo portfólio de produtos para o setor de papel, principalmente direcionados a revestimentos de papéis e cartões. “Nossa linha se tornou completa graças à joint venture firmada com a Omnova, originando a RohmNova”, declarou Max Yoshioka, gerente da área de papel da Rohm and Haas.

    Novos agentes de colagem – Com ampla gama de soluções químicas para papéis e celulose, a finlandesa Kemira estreou no ABTCP destacando vários itens produzidos em Telêmaco Borba–PR, como agentes de colagem interna utilizados como matérias-primas para a fabricação de papéis à base de ASA (Alquil Acetil Succínico), AKD (Alquil Dimetil Ceteno) e colas de breu em emulsão, incluindo misturas especiais.



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