Química

Papel: Fibra curta revela futuro promisor

Rose de Moraes
5 de novembro de 2004
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    Fornecedores de produtos químicos e serviços disputam suprimentos para as novas unidades de celulose do Brasil

    Química e Derivados: Papel: abre_papel_celulose. ©QD Foto - Cuca JorgeO 37º Congresso e Exposição Anual de Celulose e Papel, o ABTCP 2004, promovido pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel, de 18 a 21 de outubro, no Transamérica Expo, em São Paulo, revelou empresas químicas e de bens de capital cada vez mais comprometidas com o crescimento do setor. Grandes perspectivas são depositadas no crescimento do segmento de celulose, no qual o Brasil já ocupa a sétima posição entre os maiores produtores mundiais. Mas começam a se viabilizar também maiores chances de desempenho na produção de papéis não-revestidos, onde o País deverá consolidar melhores posições nos próximos anos.

    Química e Derivados: Papel: abertura_2. ©QD Foto - Cuca JorgeA capacidade de inovação da indústria brasileira de celulose branqueada de eucalipto parece, no entanto, não ter fim. Destacada pelo porte do empreendimento, a Veracel Celulose, de Eunápolis-BA, continua no foco das atenções do setor químico, o que ficou evidente pelo interesse despertado na ABTCP 2004 com o contrato de longo prazo firmado com a Eka Chemicals, visando pôr em prática um novo modelo de gerenciamento de insumos químicos.

    Batizada “ilha química”, ou “overthefence”, como preferem alguns, trata-se de acordo que resultou na criação em junho deste ano da Eka Bahia, empresa a ser instalada junto ao empreendimento de US$ 1,25 bilhão da Veracel Celulose, no sul da Bahia, que irá oferecer suporte total à produção, incluindo planta de clorato de sódio e unidades de dióxido de cloro e oxigênio. A planta de clorato de sódio terá capacidade para 50 mil toneladas/ano. Já as unidades de dióxido de cloro e oxigênio foram programadas para produzir 45 toneladas/dia e 69 toneladas/dia, respectivamente.

    Além de abrigar as fábricas, a ilha química irá abranger tancagens de todos os demais químicos necessários para produzir celulose, envolvendo 73 toneladas/dia de soda cáustica, 26 toneladas/dia de peróxido de hidrogênio, 67 toneladas/dia de ácido sulfúrico, 8 toneladas/dia de metanol, entre outras substâncias, como dióxido de enxofre e ácido clorídrico.

    Avaliada no valor de US$ 50 milhões, a ilha química entrará em operação a partir de maio de 2005 em regime just-in-time, mantendo todas as ligações via tubulações com o complexo da Veracel e prevendo o fornecimento de todos os insumos nos volumes determinados pelo ritmo da produção.

    “Estamos abertos ao diálogo com todas as empresas interessadas em participar desse novo projeto, que representa uma nova maneira de fazer negócios, possibilitando à Veracel se concentrar na produção de celulose, sem ter preocupação com o fornecimento de insumos químicos”, afirmou Nobuyuki Fujiwara, gerente comercial da área de químicos para celulose da Eka.

    Considerada líder mundial e local no fornecimento de clorato de sódio, matériaprima para a fabricação de dióxido de cloro, com 12 fábricas instaladas em várias partes do mundo, somando capacidade total em torno de 900 mil toneladas/ano – a 13ª fábrica será a baiana –, a Eka Chemicals instalou ao longo dos últimos dez anos novas plantas de dióxido de cloro em várias fábricas de celulose no Brasil, tendo já 15 plantas de dióxido de cloro atuando em sistema “overthefence”. Mas pela primeira vez concretiza projeto nesses moldes, para atuar como gerenciadora dos insumos para a produção.

    Com matriz na Suécia, a Eka Chemicals, que integra o grupo Akzo Nobel, sediado na Holanda, também fabrica químicos para papel, inclusive na fábrica de Jundiaí–SP, como agentes de colagem para uso interno nas massas e colagens superficiais, amaciantes para papéis tissue e celulose fluff, aditivos para “coatings”, agentes de retenção e drenagem, para resistência a úmido e para incremento da resistência a seco, entre outros. A empresa também possui fábricas focadas na produção de peróxido de hidrogênio na Suécia, Noruega, Estados Unidos e Venezuela, operando à capacidade de 250 mil toneladas/ano.

    Serviços customizados – Ofertar serviços de gerenciamento químico, visando unificar condutas e administrar toda a cadeia de suprimentos/fornecimentos, está se tornando prática no o setor de papel e celulose, conforme observado nos acordos entabulados pela GE Infrastructure Water & Process Technologies. Presente no ABTCP 2004, a empresa apresentou sua nova plataforma global de serviços customiza-dos, abrangendo desde manutenções até operações completas, com o propósito de oferecer soluções globais para sistemas de água pura e/ou provenientes de processos.

    Na divisão GE Betz, são ofertados programas de tratamento de águas de caldeiras, prevendo proteção contra deposição e corrosão em todas as aplicações, além de maior segurança e produções confiáveis de vapor por intermédio de tratamentos químicos com sistemas de dosagem, monitoração e controle. Em aplicações de separação de membrana, os programas incluem pré-filtração, antiincrustantes, biocidas, agentes de limpeza e produtos para regeneração.

    Na GE Osmonics, onde mais de cem patentes são colocadas a serviço das indústrias, existe uma ampla oferta de equipamentos e componentes para purificação de água, separação e manipulação de fluidos, como membranas de filtro cruzado, filtros desenvolvidos com tecnologias de osmose reversa, nano-filtração, ultrafiltração, micro-filtração e filtração de partículas.



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