Papel: Fibra curta revela futuro promisor

Fornecedores de produtos químicos e serviços disputam suprimentos para as novas unidades de celulose do Brasil

A capacidade de inovação da indústria brasileira de celulose branqueada de eucalipto parece, no entanto, não ter fim. Destacada pelo porte do empreendimento, a Veracel Celulose, de Eunápolis-BA, continua no foco das atenções do setor químico, o que ficou evidente pelo interesse despertado na ABTCP 2004 com o contrato de longo prazo firmado com a Eka Chemicals, visando pôr em prática um novo modelo de gerenciamento de insumos químicos.

Batizada “ilha química”, ou “overthefence”, como preferem alguns, trata-se de acordo que resultou na criação em junho deste ano da Eka Bahia, empresa a ser instalada junto ao empreendimento de US$ 1,25 bilhão da Veracel Celulose, no sul da Bahia, que irá oferecer suporte total à produção, incluindo planta de clorato de sódio e unidades de dióxido de cloro e oxigênio. A planta de clorato de sódio terá capacidade para 50 mil toneladas/ano. Já as unidades de dióxido de cloro e oxigênio foram programadas para produzir 45 toneladas/dia e 69 toneladas/dia, respectivamente.

Além de abrigar as fábricas, a ilha química irá abranger tancagens de todos os demais químicos necessários para produzir celulose, envolvendo 73 toneladas/dia de soda cáustica, 26 toneladas/dia de peróxido de hidrogênio, 67 toneladas/dia de ácido sulfúrico, 8 toneladas/dia de metanol, entre outras substâncias, como dióxido de enxofre e ácido clorídrico.

Avaliada no valor de US$ 50 milhões, a ilha química entrará em operação a partir de maio de 2005 em regime just-in-time, mantendo todas as ligações via tubulações com o complexo da Veracel e prevendo o fornecimento de todos os insumos nos volumes determinados pelo ritmo da produção.

“Estamos abertos ao diálogo com todas as empresas interessadas em participar desse novo projeto, que representa uma nova maneira de fazer negócios, possibilitando à Veracel se concentrar na produção de celulose, sem ter preocupação com o fornecimento de insumos químicos”, afirmou Nobuyuki Fujiwara, gerente comercial da área de químicos para celulose da Eka.

Considerada líder mundial e local no fornecimento de clorato de sódio, matériaprima para a fabricação de dióxido de cloro, com 12 fábricas instaladas em várias partes do mundo, somando capacidade total em torno de 900 mil toneladas/ano – a 13ª fábrica será a baiana –, a Eka Chemicals instalou ao longo dos últimos dez anos novas plantas de dióxido de cloro em várias fábricas de celulose no Brasil, tendo já 15 plantas de dióxido de cloro atuando em sistema “overthefence”. Mas pela primeira vez concretiza projeto nesses moldes, para atuar como gerenciadora dos insumos para a produção.

Com matriz na Suécia, a Eka Chemicals, que integra o grupo Akzo Nobel, sediado na Holanda, também fabrica químicos para papel, inclusive na fábrica de Jundiaí–SP, como agentes de colagem para uso interno nas massas e colagens superficiais, amaciantes para papéis tissue e celulose fluff, aditivos para “coatings”, agentes de retenção e drenagem, para resistência a úmido e para incremento da resistência a seco, entre outros. A empresa também possui fábricas focadas na produção de peróxido de hidrogênio na Suécia, Noruega, Estados Unidos e Venezuela, operando à capacidade de 250 mil toneladas/ano.

Serviços customizados – Ofertar serviços de gerenciamento químico, visando unificar condutas e administrar toda a cadeia de suprimentos/fornecimentos, está se tornando prática no o setor de papel e celulose, conforme observado nos acordos entabulados pela GE Infrastructure Water & Process Technologies. Presente no ABTCP 2004, a empresa apresentou sua nova plataforma global de serviços customiza-dos, abrangendo desde manutenções até operações completas, com o propósito de oferecer soluções globais para sistemas de água pura e/ou provenientes de processos.

Na divisão GE Betz, são ofertados programas de tratamento de águas de caldeiras, prevendo proteção contra deposição e corrosão em todas as aplicações, além de maior segurança e produções confiáveis de vapor por intermédio de tratamentos químicos com sistemas de dosagem, monitoração e controle. Em aplicações de separação de membrana, os programas incluem pré-filtração, antiincrustantes, biocidas, agentes de limpeza e produtos para regeneração.

Na GE Osmonics, onde mais de cem patentes são colocadas a serviço das indústrias, existe uma ampla oferta de equipamentos e componentes para purificação de água, separação e manipulação de fluidos, como membranas de filtro cruzado, filtros desenvolvidos com tecnologias de osmose reversa, nano-filtração, ultrafiltração, micro-filtração e filtração de partículas.

Peróxido amigável

Reforçando as vantagens técnicas e ambientais da substituição do cloro e seus derivados por peróxido de hidrogênio para branquear a celulose, a Degussa, segunda maior produtora do insumo no mundo, também foi presença de destaque no ABTCP 2004, comunicando ao público estar operando com 90% de sua capacidade na planta de Barra do Riacho, no município de Aracruz–ES, dimensionada para produzir 60 mil toneladas/ano.

Para o atual diretor da unidade de negócios químicos peroxidados da Degussa, Jürgen Meier, a empresa não poupa esforços para desenvolver novas aplicações junto aos clientes. Em matéria de novas aplicações, estudo desenvolvido em parceria com a Veracel Celulose revelou que a utilização de estágios de ozônio e peróxido de hidrogênio para a produção de polpa celulósica de eucalipto de alta alvura apresenta baixo impacto ambiental.

Em outra pesquisa, surgiram novas alternativas para se obter celulose com baixo impacto ambiental e alta alvura, utilizando-se peróxido de hidrogênio e estágios de dióxido de cloro a quente.

Com mais de 60% da produção mundial de peróxidos de hidrogênio já comprometidos com o branqueamento da celulose, Meier prevê que a partir de 2005 a demanda poderá se equiparar à oferta, iniciando-se um ciclo de carência deste insumo. “O mercado mundial de peróxidos é crescente. Hoje estimamos que a capacidade de produção seja superior a 3 milhões de toneladas/ano, sendo que 90% desse volume já comprometidos”, considerou o diretor.

Química e Derivados: Papel: Baron - branqueador evita contaminar o circuito. ©QD Foto - Cuca Jorge
Baron – branqueador evita contaminar o circuito.

Alvura é total

Entre as novas tecnologias para produção de papéis, destacaram-se novidades apresentadas pela Clariant, com o lançamento da terceira geração de branqueadores ópticos dissulfonados (Leucophor APB) para aplicações em massa. Sucessora dos alvejantes tetrassulfonados, essa linha possui carga iônica mais neutra, permitindo não só fabricar papéis com altos níveis de brancura, mas também reduzir a contaminação no circuito das águas residuais das máquinas de papel.

Com vários usuários no Brasil, no segmento de papéis para imprimir e escrever, como o grupo Ripasa, “a nova geração de alvejantes tornou-se especialidade extremamente necessária em virtude do alto grau de brancura alcançado pelos papéis brasileiros”, considerou Alexandre Baron, responsável técnico pela área de papel e celulose da Clariant.

Preocupada com a oferta de alternativas aos fluorquímicos sobre os quais já pesam várias restrições mundiais, a Clariant também promoveu nova linha de fluorpolímeros, desenvolvida para acentuar a performance de papéis especiais e não-tecidos (nonwovens).

Na linha de químicos mais amigáveis, levando em conta restrições ambientais também incidindo sobre as resinas à base de uréia formaldeído e melamina formaldeído, a Clariant decidiu produzir localmente resinas à base de zircônio e glioxal, para conferir maior resistência a papéis revestidos e elevar a resistência superficial a úmido de papéis e papelões.

Entre os principais campos de aplicação dessa nova linha (Cartabond), que já possui aprovação americana do FDA e alemã do BGW, estão os papéis para impressão offset, antiadesivos, auto-copiativos, multiuso, além de papéis para embrulho, bem como direcionados a cartões revestidos por processos como sizepress e coatings.

Novidades também foram apresentadas no segmento de corantes para papéis tissue, fine paper e kraft, onde a empresa colocou em produção nacional duas linhas de produtos, a Carta e a Cartasol. Classsificados como corantes diretos e com ampla gama de combinações de cor, podem ser empregados no tingimento de papéis colados ou não, sendo apropriados para tingir papéis e cartões com pouca ou nenhuma carga mineral, tanto em massas, como em sizepress.

Quando empregados em papéis kraft, esses produtos dispensam fixadores, substituindo os corantes básicos, sujeitos às flutuações de cor e reversões. Em papéis tissue, as formulações aniônicas aplicam-se particularmente a papéis finos e produções envolvendo processos alcalinos, mantendo a alta fixação das cores.

Concorrendo no segmento de tratamento de águas industriais com a oferta de tecnologias, produtos e serviços, a Clariant ainda destacou soluções para tratamento de caldeiras, incluindo produtos como sequestrantes de oxigênio, formulações com polímeros para controle de depósitos e inibidores de corrosão para linhas de condensado, bem como tratamentos específicos para água e efluentes.

“Nossa tecnologia para tratamento de águas industriais, empregada em empresas como Petrobrás e setores de mineração e fertilizantes, está ao acesso do setor de papel e celulose, com biocidas, oxidantes e prestação de serviços de laboratório, monitoramento e controle de todas as etapas de produção”, destacou Baron.

Outra presença de destaque neste ABTC foi a da Rohm and Haas, que apresentou amplo portfólio de produtos para o setor de papel, principalmente direcionados a revestimentos de papéis e cartões. “Nossa linha se tornou completa graças à joint venture firmada com a Omnova, originando a RohmNova”, declarou Max Yoshioka, gerente da área de papel da Rohm and Haas.

Novos agentes de colagem

Com ampla gama de soluções químicas para papéis e celulose, a finlandesa Kemira estreou no ABTCP destacando vários itens produzidos em Telêmaco Borba–PR, como agentes de colagem interna utilizados como matérias-primas para a fabricação de papéis à base de ASA (Alquil Acetil Succínico), AKD (Alquil Dimetil Ceteno) e colas de breu em emulsão, incluindo misturas especiais.

Química e Derivados: Papel: Daniela - Insumo para incrementar produtividade. ©QD Foto - Cuca Jorge
Daniela – Insumo para incrementar produtividade.

Como principal fornecedora de insumos para a Klabin, na fabricação de papéis cartonados para embalagem de líquidos (Liquid Packaging Board), a empresa, segundo Daniela Ohnemüller, gerente de vendas da Kemira Chemicals Brasil, desenvolveu tecnologia para colagem em base AKD e breu, visando conferir maior produtividade, aumentar as capacidades de retenção, drenagem e secagem, além de oferecer mais alta resistência à água, ácido lático e peróxidos, e compatibilidade com fibras recicladas e celulose virgem.

No portfólio também se incluem aditivos para a parte úmida do processo de fabricação de papéis, agentes de retenção, controle de depósitos, antiespumantes e polímeros para tratamento de águas e efluentes. Com curas rápidas e sem restrições quanto ao uso de cargas minerais e alvejantes ópticos, os agentes de colagem em base ASA, segundo Daniela, melhoram a produtividade nas máquinas de papel e as propriedades dos papéis finos, testliners, LWC e cartões.

Já os agentes de colagem à base de breu, constituídos por dispersões aniônicas ou catiônicas, podem ser utilizados em papéis-cartão, para capas e miolos, papéis kraft e outros para embalagens, produzidos tanto em processos ácidos como neutros.

Além de soluções para colagem, a empresa também produz químicos para controle de depósitos, como slime, pitch, incrustrações e stickies, incluindo antiespumantes formulados com ampla variedade de ingredientes ativos, em base água, óleo, emulsões de silicone, compostos de silicone, concentrados à base de surfactantes e polímeros e produtos em base sílica.

Nos programas de gerenciamento da qualidade das águas estabelecidos com a Kemira também são oferecidas soluções para purificação de água bruta, tratamento de águas de processo, purificação de água de efluente e desaguamento de vários tipos de lodo.

No segmento de amidos e derivados para aplicações nas indústrias de papel, um dos destaques do ABTCP 2004 ficou por conta das novas tecnologias apresentadas pela Avebe. A tradicional empresa holandesa, fornecedora de amidos de batata e mandioca para o setor papeleiro mundial, destacou amidos catiônicos e aniônicos, para aplicações superficiais, para coatings e amidos especiais. As mais novas soluções, no entanto, estão voltadas para amidos aniônicos e para conversões enzimáticas in situ, combinando produtos e equipamentos desenvolvidos pela própria Avebe.

Controle enzimático

Outros desenvolvimentos recentes, envolvendo sínteses químicas, foram apresentados pela Logos Química, com fábrica em Leme-SP, que destacou formulações como a de um talco para ser utilizado em programas de combate a pitch em fábricas de celulose, incluindo novos agentes de resistência a úmido para aplicações nas indústrias de papel tissue.

No rol das novidades, também se destacaram os itens apresentados pela Quimipel e Nalco. A Quimipel deu ênfase à linha de produtos para desagregação de aparas, comunicando ao mercado a possibilidade de uso de produtos biotecnológicos para controle de stickies, enquanto a Nalco destacou as linhas de floculantes, auxiliares de crepagem e vários produtos para limpeza dos componentes das máquinas de papel.

Também expondo na feira, o Buckman Laboratories, de SumaréSP, comunicou o recebimento em junho último do prêmio “Presidential Green Chemistry Challenge Award”. Outorgada pela agência de proteção ambiental dos Estados Unidos, a EPA, a premiação fez jus ao desenvolvimento da tecnologia Optmyze, baseada em produtos para controle enzimático de stickies em papéis reciclados.

Em parceria com o Novozymes, considerado líder mundial em biotecnologias à base de enzimas e microorganismos, o Buckman formula produtos da linha Optmyze, utilizando tecnologia patenteada de estabilização, empregada em misturas compostas de papéis de escritório, jornais velhos e papelão corrugado, que dispensa solventes nos processos de recuperação das fibras.

Química e Derivados: Papel: Nogueira - prensa de nips deságua melhor. ©QD Foto - Cuca Jorge
Nogueira – prensa de nips deságua melhor.

Participação aumenta – O alto grau de operação das indústrias de papel e celulose, estimado em mais de 90% da capacidade instalada, faz com que muitas empresas do setor de bens de capital vislumbrem oportunidades para aumentar sua participação nas produções de celulose e papel.

Como um dos maiores fornecedores de máquinas e equipamentos para o setor, o grupo Voith estreou no mercado brasileiro de papel em 1923, instalando máquina de cilindro monolúcido em empresa pertencente ao atual grupo Ripasa. Desde então, os negócios com a indústria papeleira tornaram-se crescentes, sendo corroborados pelas estimativas de que 80% da produção brasileira de papéis de escrever e imprimir sejam gerados por máquinas de papel produzidas pela Voith Paper.

Altos níveis de participação também são encontrados no fornecimento de máquinas desaguadoras para celulose, onde o percentual de marketshare estaria se aproximando de 85%, além de contar com uma expressiva participação na produção de papéis para embalagens, envolvendo papéis-cartão e Kraft, onde as máquinas Voith teriam participação de 44%.

Em meio ao amplo portfólio de tecnologias para o setor papeleiro, um dos focos atuais da Voith está voltado para o desenvolvimento de novas prensas de sapata. Com novas geometrias e maior capacidade de desaguamento, as prensas projetadas para a retirada da água do papel e da celulose, passaram a ter nips mais largos, resultando em maior economia de vapor nos processos de secagem, segundo esclareceu Guilherme Vaz G.Nogueira, gerente de marketing da Voith Paper.

Segundo ele, a próxima área a crescer em vendas é a de máquinas para papéis tissue. “A Voith escolheu o Brasil para instalar o único centro de tecnologia mundial para papéis, onde são realizados testes de desenvolvimento com fibras virgens ou recicladas, inclusive dispondo de sistemas deinking, para a retirada das tintas dos papéis”, informou Nogueira.

Com exportações já consolidadas em mercados como os da Austrália, Indonésia, Estados Unidos e América do Sul, além de fornecimentos em consórcio efetivados em conjunto com a matriz, na Alemanha, para atender ao mundo todo, a Voith Paper está trabalhando com a perspectiva de poder exportar 70% da produção já no próximo ano, alcançado volume de vendas internas em torno de 30%.

Química e Derivados: Papel: Floriani - depurador ganhou mais área aberta. ©QD Foto - Cuca Jorge
Floriani – depurador ganhou mais área aberta.

Automação cresce

Desenvolvendo soluções sob medida para as indústrias de papel e celulose, que abrangem desde automação, fornecimento de turbinas a vapor, até painéis de baixa tensão, a Siemens, também presente na feira, informou ter firmado recentemente contratos com a VCP (Votorantim Celulose e Papel) International Paper e Veracel Celulose.

Na VCP, a instalação do sistema de automação com acionamentos elétricos, para comandar a nova rebobinadeira (Variplus) na planta de Piracicaba-SP, contou com software aplicativo desenvolvido em conjunto pelas equipes de engenharia do Brasil e Alemanha. Na International Paper, a empresa modernizou máquina de papel e rebobinadeira, substituindo os antigos acionamentos elétricos por comandos digitais. Já na Veracel Celulose, firmando contrato com a AkerKvaener, as soluções da Siemens – transformadores de força, centros de distribuição de carga, inversores de freqüência, dutos de barras, motores de baixa e média tensões, PLC de interface, além de sistema de ar condicionado e tratamento químico de ar para as salas elétricas – vão integrar as caldeiras de força e recuperação e participar da produção de 900 mil toneladas/ano.

Especialmente projetado para o mercado de depuração de polpas de celulose, aparas e pastas químicas, o novo cesto de depuradores da Metso Paper, apresentado em réplica, foi um dos equipamentos em destaque na feira. Combinando solda a laser nas barras e anéis patenteados de ajuste por encolhimento, o novo cesto, confeccionado em aço inox 316 L (referência ANSI), é capaz de promover aumentos de capacidade de depuração das polpas em torno de 15% em relação aos modelos mais antigos.

“Estreitamos a espessura das barras que, agora, abrangem desde 2 mm até 5 mm e, com isso, aumentamos a área aberta, elevando a capacidade de depuração e a qualidade das polpas”, afirmou Felipe Floriani, engenheiro de processo e vendas da Metso Paper. Além da Metso Paper, instalada em Sorocaba-SP, a Metso Automation, de Curitiba-PR, também exibiu a mais nova geração de válvulas de controle, envolvendo válvulas do tipo plug excêntrico, válvulas de segmento, borboleta e globo.

Segundo Valcir Vieira Petiz, coordenador de vendas da Metso Automation, as principais inovações incorporadas às novas válvulas estão nos atuadores pneumáticos de diafragma menores e mais leves em relação aos atuadores de cilindro pneumático. Além disso, foram eliminados os tubos de ar comprimido, antes necessários para se fazer a interligação entre o atuador e o posicionador.

“A comunicação pneumática entre o posicionador e o atuador agora é feita através de furos nas bases de acoplamento e foram utilizados posicionadores inteligentes que, possuindo display e quatro telas para configuração e calibração, possibilitam leituras de corrente, pressão e percentual de abertura da válvula através do próprio display, e também diagnósticos online de avaliação da performance da válvula de controle em operação”, explicou Petiz.

Também estreante na exposição, a Semco destacou ampla linha de agitadores, aeradores, emulsificadores e dispersores, visando atender todas as etapas do processo produtivo, envolvendo desde o tratamento da celulose até a mistura de aditivos para a fabricação de papéis.

No segmento de agitadores, a empresa fabrica desde modelos com entrada lateral, para emprego em linhas de tratamento de celulose, até equipamentos com hélices de fluxo axial (Low Shear), mais eficientes para aplicações em fluidos de baixa viscosidade. Além disso, conta com itens providos de impelidores do tipo HS (High Solidit), destinados a misturas de alta viscosidade, envolvendo preparo de massas, celulose, caulim, carbonato de cálcio, dióxido de titânio e colas de amido.

Em matéria de equipamentos para dispersão, desde o ano passado estão sendo comercializados dispersores para pigmentos, amidos e caulim, projetados com novos discos dentados, para movimentos de bombeio axial, que provocam atritos mecânicos nas misturas e resultam em alto efeito cisalhador.

Meta setorial exige ampliar florestas em 500 mil ha/ano

Química e Derivados: Papel: Cinque - setor mantém investimentos em expansão. ©QD Foto - Cuca Jorge
Cinque – setor mantém investimentos em expansão.

Aos olhos de países com reduzida base florestal, o Brasil é privilegiado.

Tem 5 milhões de hectares de florestas plantadas de eucaliptos e pinus, 1,5 milhão servindo para alimentar a produção de celulose que alcançou recorde, em 2003, de 8,6 milhões de toneladas – 4,5 milhões das quais destinadas às exportações para a Europa (41,3%), Ásia e Oceania (31,9%), América do Norte (25,4%), América Latina (0,8%) e África (0,6%).

A meta setorial de expandir a base florestal brasileira, no entanto, a ser cumprida com o plantio de 500 mil novos hectares de florestas ao ano, visando dobrar as exportações até 2012, continua a enfrentar sérios obstáculos. Este, pelo menos, foi o consenso entre algumas das principais lideranças do setor de papel e celulose presentes à cerimônia de abertura do ABTCP 2004, como a Boris Tabacof, presidente do conselho deliberativo da Bracelpa – Associação Brasileira de Celulose e Papel, e vice-presidente do conselho de administração do grupo Suzano; Carlos Aguiar, diretor presidente da Aracruz Celulose; Murilo Passos, diretor superintendente da Suzano Papel e Celulose; Carlos Farinha e Silva, vice-presidente de desenvolvimento para a América Latina da Jaakko Pöyry Tecnologia; Francisco Valério, diretor industrial da VCP – Votorantim Celulose e Papel; e Umberto Cinque, presidente da ABTCP.

“O setor florestal brasileiro tem importância inestimável para o País e para o mundo, pois o cenário mundial aponta para uma escassez crescente de madeira e fibras. A produção brasileira não tem a mesma expressão quantitativa em comparação com os níveis alcançados nos Estados Unidos, que produzem dez vezes mais do que nós, mas temos clima, terra para plantar e tecnologia a nosso favor.

Porém, perdemos boa parte da nossa competitividade ao arcar com as altas cargas tributárias e com os problemas logísticos”, analisou Tabacof.

Segundo levantamento realizado no setor, a carga tributária brasileira para investimentos produtivos no setor de papel e celulose estaria consumindo mais de 19% do investimento. Já a infraestrutura, representada pela rede de portos e malha rodoviária, em muitos casos ineficiente, obriga as empresas a arcar com investimentos em novos modais de transporte e até mesmo com instalações portuárias, conforme observado em empreendimentos realizados ao sul da Bahia e Espírito Santo.

Segundo consenso entre as lideranças, a necessidade de incrementar o plantio de novas florestas é essencial para a competitividade do setor, mas é preciso contar com políticas mais favoráveis, estímulos ao financiamento e parcerias. Dos US$ 14,4 bilhões em investimentos programados até 2012, US$ 1,9 bilhão já estaria reservado para ampliar as áreas florestais. Mas faltam contra partidas relacionadas com uma efetiva política de incentivos.

Como presidente do comitê consultivo de florestas da FAO, Tabacof cogitou até da possibilidade de negociar créditos de carbono para o setor florestal brasileiro junto à União Européia. “A nossa atividade sequestra carbono da atmosfera e pode contribuir para o esforço mundial voltado à redução do efeito estufa, posicionando nossas indústrias em posição pró-ativa no cenário internacional”, diz. Apesar de todos os entraves apontados por Tabacof, o setor deverá fechar o ano de 2004 com superávit na balança comercial de US$ 2,5 bilhões.

Sucesso extensivo aos papéis

Graças ao desempenho observado na produção de celulose de fibras curtas branqueadas, a produção brasileira de celulose alcançou 8,6 milhões de toneladas, 6,8 milhões de toneladas das quais em fibras curtas, onde os resultados foram mais do que dobrados nos últimos dez anos, considerando-se os 3,3 milhões de toneladas produzidos em 1993.

Altas marcas também foram alcançadas na produção de papéis não-revestidos para imprimir e escrever, onde o Brasil já é considerado líder na América do Sul, promovendo exportações de cerca de 750 mil toneladas em 2003 e com crescimento estimado em cerca de 3% ao ano.

“No Brasil, as melhores máquinas de papel batem recordes de velocidade e eficiência operacional, mas ainda falta maior dimensão quanto às escalas de produção para que possam ser comparadas com as novas máquinas projetadas para a Ásia, cujas produções alcançam 500 mil toneladas ao ano”, avaliou Carlos Farinha e Silva, vice-presidente da Jaakko Pöyry Tecnologia.

“Para lançar máquinas nesses volumes, além de todo um trabalho minucioso de preparação, é preciso repensar todo o circuito de acabamento, inclusive a localização geográfica das instalações de corte e embalagem, como também otimizar a ‘supply chain’, para atender aos requisitos cada vez mais exigentes do consumidor final”, complementa Farinha. “Nossa convicção é a de que algumas empresas brasileiras líderes já apresentem condições para se projetar no exterior de maneira planejada, repetindo a história de sucesso da celulose de eucalipto”.

No segmento de papéis de imprimir e escrever revestidos, o crescimento no mercado internacional deverá se apresentar igualmente acentuado, mas as vantagens competitivas brasileiras no caso, segundo Farinha, não são tão evidentes em virtude da menor participação das fibras na composição dos papéis.

Ao analisar o consumo de papel para cartão ondulado, o executivo considerou que o crescimento deverá ocorrer à taxa global de cerca de 2,6% ano ano, superior à média projetada de cerca de 2,1% para o conjunto de todos os papéis e cartões.

Em cartões para embalagens, a penetração brasileira no mercado internacional é considerada por ele “bastante difícil”. “O Brasil exportou cerca de 100 mil toneladas em 2002 e cerca de 175 mil toneladas em 2003 para nichos muito específicos e talvez surjam novidades nesse sentido”, comentou.

O crescimento no segmento de papéis sanitários (tissue) continua atrelado ao mercado doméstico e ao poder aquisitivo do consumidor final. No segmento de papel imprensa, onde a produção não alcança nem a metade dos volumes consumidos, o País continua, na visão de Farinha, perdendo a chance de passar de importador a exportador.

Já a demanda mundial por papéis e cartões continuará crescendo, mas de forma concentrada em algumas áreas geográficas e países, pois nos mercados mais desenvolvidos, como os da Europa Ocidental, Estados Unidos e Japão, o crescimento, segundo analisou, deverá ser relativamente pequeno.

Até 2015, porém, deverá ocorrer aumento de 130 milhões de toneladas no consumo de papéis e cartões – o consumo mundial no ano 2000 era de cerca de 325 milhões. Desse total, 60 milhões de toneladas seriam originadas na Ásia, 35 milhões de toneladas sendo destinadas só ao consumo da China.

A China começa a dar os primeiros passos no sentido de montar uma base florestal própria extremamente ambiciosa, mas enfrenta problemas com relação ao uso da terra e formação de grandes blocos florestais. Por isso, o plano anunciado de aumentar a área de plantações de alto rendimento de cerca de 1,5 mihão de hectares em 2000 para mais de 7 milhões de hectares em 2015 parece pouco viável. É importante observar que o aumento na demanda chinesa representa praticamente a somatória dos aumentos previstos em todo o conjunto de países desenvolvidos da Europa Ocidental, América do Norte e Japão.

Segundo as estimativas, a demanda por fibras deverá crescer em todos os segmentos. As fibras recicladas já representam cerca de 47% do total empregado na fabricação de papéis e cartões. As importações asiáticas de fibras recicladas, especialmente dos Estados Unidos, responsável pela esmagadora maioria das exportações, crescem a níveis que poderiam desestabilizar o mercado mundial e provocar uma crise de abastecimento e preços.

“A reciclagem nos Estados Unidos que era de cerca de 46% em 2000 deverá alcançar 58% em 2015, aumentando o custo de coleta sobre as quantidades marginais. O aumento de preços das fibras recicladas colocará maiores pressões sobre a demanda de fibras virgens”, analisou Farinha.

No caso das fibras curtas branqueadas de eucalipto, a demanda crescerá muito mais em comparação com as outras fibras. Para o diretor da JY, a entrada de capacidades no curto prazo poderá motivar oscilações pontuais nos preços praticados e só poderão sobreviver neste cenário aqueles que promoverem investimentos e cuja estrutura de custos operacionais seja capaz de resistir às oscilações de curto prazo, mantendo margens operacionais aceitáveis.

Na opinião de Umberto Cinque, da ABTCP, o mercado de papel e celulose não se intimidará com volatilidades e dará prosseguimento às expansões, realizando investimentos. Em 2005, a ABTCP deverá realizar novos ajustes no plano estratégico e parcerias, a exemplo da firmada em 2004 com a Éfeso Consulting, visando alcançar melhorias de produtividade e otimização de processos nas indústrias, permitindo a criação de convênios para melhor capacitar as empresas associadas à entidade.

Atualmente com 960 associados, a entidade é integrada por fornecedores de equipamentos, máquinas e serviços (39%), fabricantes de celulose, papel e embalagens (27%), profissionais do setor (30%), instituições governamentais e financeiras (4%). No próximo ano, uma das novidades planejadas para o ABTCP 2005 é contar com parceria de entidade congênere da Finlândia.

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