Química

Papel e Celulose

Marcelo Fairbanks
6 de outubro de 2001
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    Química e Derivados: Papel: Foelkel - setor precisa ver o consumidor dentro da cadeia de valor.

    Foelkel – setor precisa ver o consumidor dentro da cadeia de valor.

    Durante 2001, a indústria espera contar com mais 130 mil t/ano de capacidade produtiva nova. Segundo Haidar, isso deve trazer problemas adicionais, pois a ociosidade das linhas existentes já é elevada. O primeiro semestre de 2001 foi desastroso, redundando em prejuízos para os três maiores fabricantes. “A celulose é cotada em dólar, mas o cliente paga em reais”, explicou. A crise de energia atingiu pesadamente esse ramo papeleiro, obrigado a reduzir em 25% o consumo de eletricidade, tendo de recorrer ao mercado atacadista (MAE) para obter suprimento adicional. Para 2002, a expectativa de Haidar é de crescer de 3% a 5%.

    Outra dificuldade do segmento consiste na concentração de negócios das empresas varejistas (supermercados), as maiores compradores das fábricas. “Apenas cinco redes dominam 42% das vendas ao varejo, exercendo enorme pressão no preço de venda”, afirmou.

    E-commerce papeleiro – Durante a 34a. Exposição Industrial e Congresso Técnico de Papel e Celulose, realizados pela Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP) de 22 a 25 de outubro, em São Paulo, foi lançado o portal setorial Pakprint (www.pakprint.com.br), com o objetivo de promover a integração eletrônica de fornecedores, fabricantes de celulose e papel, indústrias gráficas e editoras, enfim, toda a cadeia de produção e consumo do setor.

    “O portal setorial é uma evolução dos marketplaces independentes, permitindo a adesão do setor a custos competitivos”, afirmou John Walter Freshel, presidente do Pakprint. Segundo ele, as compras eletrônicas das companhias (e-procurement) haviam migrado para os portais independentes, porém essa forma de atuação naufragou com os maus resultados obtidos no ano 2000 e em 2001. Com a existência do portal setorial, com potencial para agregar quase mil “lojas virtuais”, será possível montar estrutura logística para auxiliar os negócios da cadeia produtiva, permitindo economia de custos. “Haverá também uma convergência de plataformas, facilitando a integração”, comentou. O portal usa o padrão digital Papnet, considerado o melhor em âmbito mundial para as indústrias gráficas e papel.

    Valor em cadeia – Coerente com as mudanças ocorridas no setor, a 34a. Exposição e Congresso de Celulose e Papel rompeu a série de itens específicos que, por vezes, monopolizaram as atenções dos visitantes, como aconteceu com as seqüências de branqueamento ECF e TCF no passado. “Neste ano, a exposição está direcionada a promover a agregação de valor à cadeia produtiva”, disse Celso Foelkel. É tempo de cada empresa definir as melhores parcerias com entidades acadêmicas, fornecedores e clientes para gerar vantagens competitivas. Durante a mostra, os expositores destacaram suas competências mundiais de modo a entabular negociações.

    Há 34 anos, a ABTCP incentiva o desenvolvimento tecnológico do setor e também facilita o acesso dos membros às informações internacionais, inclusive econômicas e estatísticas, além de promover cursos, palestras e exposições. “A cada ano, as restrições ambientais ficam mais severas e cresce a responsabilidade social das companhias”, afirmou Foelkel. Nesse período, o Brasil apresentou salto tecnológico marcante, ao adotar o eucalipto como principal matéria-prima, rompendo paradigmas mundiais. “Precisamos dar novos saltos tecnológicos”, considerou.

    Ao mesmo tempo, o consultor e presidente da exposição salientou a necessidade de estender aos consumidores os focos das atenções. “O consumidor final deve ser visto dentro da cadeia de valor”, recomendou. A ABTCP enfatiza essa mentalidade. “A indústria já está se adaptando, deixando de orientar-se pela produção para seguir a necessidade do mercado”, comentou. Ele atribui à cadeia produtiva o papel de identificar inovações possíveis, inclusive educando a população para perceber as diferenças entre tipos e cores de papéis, de modo a gerar novas demandas. Isso é salientado no livro “Papel: Emoção e História”, lançado durante o encontro setorial. “O papel é um bem cultural”, finalizou Foelkel.



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