Papel e celulose – Fibra curta em alta faz setor desengavetar grandes projetos

Química e Derivados: Papel Celulose: Demanda por celuloseNo caso do inédito pigmento oco, trata-se de aditivo que melhora o brilho e substitui parte das cargas minerais da formulação do papel. “É uma tendência nos Estados Unidos e permite gramaturas menores do papel com a mesma ou melhor qualidade final”, diz Lollato. Bom lembrar que a formulação do revestimento, além do látex, leva cargas como caulim, CMC, modificadores reológicos, biocidas, agentes suavizantes, entre outros.

De acordo com o gerente de marketing e vendas para a América Latina, Fernando Gimenez, a nova fábrica vai dobrar a capacidade da Dow na região. Segundo ele, apesar da alta do preço do estireno de até 80% e do butadieno em 70%, no último ano, e da baixa remuneração desse mercado, a confiança nas vendas é total. Sobretudo ao se levar em conta que, ao contrário de muitas empresas ao redor do mundo, a Dow é back-integrated, ou seja, tem garantia de fornecimento de estireno cativo.
“A falta do insumo fez muitas empresas nos EUA fecharem e o mesmo poderá ocorrer com vários produtores latinos, sobrando mais espaço para a nova fábrica da Dow”, diz.

Para Armando Bighetti, os investimentos do grupo americano atendem à observação global desse mercado: as duas regiões em ascensão ganham fábricas novas. Além do Guarujá, há um projeto também na China para atender o continente asiático. A brasileira se encarregará do Mercosul e reforçará seu poder de fogo contra dois principais concorrentes: Basf e Rhodia.

Química e Derivados: Papel Celulose: Gisleine Rhodia uniu látex com a finlandesa Raisio.
Gisleine Rhodia uniu látex com a finlandesa Raisio.

Latexia – A Rhodia, por sinal, também está se fortalecendo mundialmente para a concorrência. A partir de 1º de setembro passou a valer uma joint venture com a finlandesa Raisio, especializada em aditivos, incluindo o látex, para papel e celulose. Segundo a gerente de mercado de química de perfomance da Rhodia, Gisleine Bellini, a nova empresa, denominada Latexia, é agora a segunda maior do mundo no setor, atrás apenas da Dow. “A Raisio queria se fortalecer no Hemisfério Sul e a Rhodia no Norte”, explica Gisleine.

Com fábrica em operação desde 1994 em Paulínia-SP, como Latexia a Rhodia também ampliará seu portfólio. “A Raisio possui muitos outros monômeros, além do estireno-butadieno, e vamos colocá-los no mercado brasileiro”, diz. Para Gisleine, a alta demanda brasileira por produtos com mais brilho, alvura, com grau alimentício para embalagens e maquinabilidade, está exigindo essas sofisticações dos fornecedores de látex no Brasil. “Em breve estaremos quase sem gap com os países desenvolvidos”.

Os desenvolvimentos podem ser aperfeiçoados no laboratório de aplicações da unidade de Paulínia. Lá há um equipamento coater (o aplicador do látex) piloto, que simula o revestimento dos clientes, e ainda sistemas de microscopia eletrônica. Também de olho no aumento de quase 10% ao ano na produção de papéis especiais, a unidade já começa a ser alvo de estudos de desgargalamento. Sua capacidade de produção, assim como a dos demais fabricantes, não é revelada por questão estratégica. Sigilo, aliás, que sugere um mercado de papel provavelmente bastante lucrativo nos próximos anos.

Conheça as principais etapas químicas na indústria de celulose e papel

– Polpação química: os cavacos são cozidos em licores ou lixívias, isto é, em soluções aquosas contendo um ou diversos reagentes e em alta temperatura.Os processos químicos podem ser classificados em: ácido (pH entre 1 e 3), bissulfito (4,5), neutro (entre 6 e 10) e alcalino (entre 11 e 14). Entre os alcalinos, há o sulfito, soda e sulfato ou kraft. No Brasil, a grande maioria é pelo processo kraft que mistura hidróxido e sulfeto de sódio e carbonato, sulfito e tiossulfato de sódio. A polpação visa separar as fibras das madeiras umas das outros e da lignina, que aglutina as fibras, com o mínimo prejuízo às propriedades das fibras.

– Branqueamento das pastas celulósicas: é uma seqüência de tratamentos físicos e químico para melhora de algumas propriedades celulósicas, como alvura, limpeza e pureza química. No branqueamento de pastas químicas, das quais a maior parte da lignina foi removida na polpação, a remoção de cor atinge apenas a lignina remanescente e seus derivados. É um mercado antes dominado pelo cloro e com ascensão para o peróxido de hidrogênio, oxigênio, dióxido de cloro e ozônio.

– Colagem interna: para ganhar a propriedade de resistência à penetração de líquidos, os papéis precisam passar pelo processo chamado colagem interna, no qual colas à base de breu, silicones , polietilenos, perfluorcarbonetos e colas sintéticas são adicionados à massa, ainda durante sua preparação, para impermeabilizar o papel. Hoje, porém, a maioria das empresas aderiu à chamada colagem alcalina, na qual uma formulação à base de carbonato de cálcio ou de caulim com pH alto, com agentes colantes como o AKD e o ASA substituindo os breus, permitem papéis mais alvos, com menor gramatura e menor geração de efluentes, entre outras vantagens.

– Colagem superficial: envolve a aplicação de substâncias que formam película na superfície das folhas de papéis e papelões em fase de acabamento. São utilizados amidos modificados, gomas, alginatos, álcool vinílico, metil celulose, carboximetilcelulose, entre outros.

– Adição de corantes e pigmentos: há duas maneiras de colorir o papel. A primeira é adicionar o corante à massa antes da formação da folha, ou amplicá-lo superficialmente após a formação. Já o pigmento, menos usado, é fixado sobre as fibras mediante ligações eletrostáticas.

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