Química

Papel e celulose – Fibra curta em alta faz setor desengavetar grandes projetos

Quimica e Derivados
10 de setembro de 2000
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    Brasileiros também – Nesse mercado competitivo, em que grandes grupos como Hercules, Nalco e Cytec brigam internacionalmente, também há espaço para empresas nacionais. Para começar, a IQT, de Taubaté-SP, tornou-se a primeira a produzir o agente ASA para colagem no Brasil. Mas a produção é, na verdade, um serviço de terceirização para a Cytec. Já em outro mercado, o de revestimento de látex para papel couché, a mesma empresa compete no Brasil com grandes empresas como Basf, Dow e Rhodia.

    Química e Derivados: Papel Celulose: Gabrielli aproveita a pesquisa local para desenvolver.

    Gabrielli aproveita a pesquisa local para desenvolver.

    Participação brasileira mais emblemática é a da Logos, de Barueri-SP, que se utiliza de pesquisa nacional para fornecer aditivos para grandes produtores de celulose e papel. Fornecedora de insumos para vários setores, a empresa tem conseguido obter importantes clientes, sobretudo exportadores de celulose, para os quais vende principalmente dispersantes orgânicos de pitch (incrustração orgânica dos extrativos), antiespumantes base água e antiincrustantes para lavagem e cozimento. E isso muitas vezes depois de criar produtos com o apoio das universidades locais.

    “Desenvolver produtos para o Brasil é fundamental, pois com exceção da Península Ibérica, da Indonésia e da Austrália, o restante do mundo não utiliza as florestas de eucalipto”, afirmou o diretor da Logos, Valério Gabrielli. Segundo ele, a indústria local sabe disso e procura apoiá-los.

    Um exemplo é a Aracruz ter cooperado, com testes de implantação, um desenvolvimento recente da Logos de quelantes polifuncionais.

    Pesquisa de três anos financiada pelo Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em conjunto com a Universidade de São Paulo (USP), o quelante à base de fosfonatos já está sendo comercializado a um ano para a própria Aracruz e para a Jarcel (ex-Projeto Jari). O aditivo, segundo explica Gabrielli, é aplicado para evitar a ação de metais de transição provenientes da madeira e que decompõem mais rapidamente o peróxido de hidrogênio usado no branqueamento. “Grandes empresas produzem quelantes, mas não com a especificidade para o eucalipto do nosso”, completa o diretor.

    Outro desenvolvimento envolve a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), com quem a Logos realiza programa de inibidores de corrosão para máquinas papeleiras que, com o tempo, passaram a mudar suas condições de processo. O projeto, coordenado pelo laboratório de fenômenos de superfície, está em teste em algumas empresas do setor.

    Ainda de acordo com Gabrielli, essa preocupação em pesquisar provocou a contratação do primeiro doutor em papel e celulose do Brasil, José Mauro de Almeida, da Universidade Federal de Viçosa-MG, agora responsável pelo corpo técnico da área. Com a mesma UFV (onde conforme diz o diretor “com freqüência há estagiários estrangeiros aprendendo com os brasileiros”), a Logos mantém um contrato de prestação de serviços para desenvolvimento de produtos e ensaios laboratoriais. “Queremos criar massa crítica para começar a exportar com mais força“, diz.

    A intenção de Gabrielli é fazer a “rota do eucalipto”, ou seja, passar a vender para os países que também extraem a celulose dessas florestas no mundo, aproveitando a experiência local. Para começar, o aditivo quelante já encontrou comprador em Portugal, na unidade Celbi-Stora Enso. Depois disso, os alvos são Chile, Espanha, Austrália e os demais. Para atender as novas demandas, que fazem do setor de papel responsável por 70% das vendas da Logos, a empresa no início de 2001 inaugura sua nova fábrica em Leme-SP para dobrar sua atual capacidade para 1.200 t/mês.

    Papéis especiais – Apesar de muitas conjecturas em torno de uma possível substituição dos papéis pela mídia eletrônica, nas quais a Internet e os computadores tomariam o lugar de jornais e revistas, a realidade mostrou-se diferente. Mesmo que haja para 2003 a previsão de um impacto da nova mídia em 1,4% do consumo total de 340 milhões t de papel, o consumo mundial de papéis cresce a uma taxa média anual de 2,9%. E com destaque para os mercados da Ásia e América Latina, cuja taxa média de crescimento sobe para 5% ao ano.

    Química e Derivados: Papel Celulose : (Da esq. para dir.) Bighetti, Lollato e Gimenez - Dow constrói nova fábrica de látex no Guarujá-SP.

    Da esq. para dir.) Bighetti, Lollato e Gimenez – Dow constrói nova fábrica de látex no Guarujá-SP.

    Quando se fala no papel de impressão revestido de látex, o chamado couché, utilizado em papéis de impressão, as perspectivas são das melhores. Mais especificamente no Brasil, que ainda importa 30% desses papéis, o crescimento na produção oscila entre 8% e 10% ao ano.

    Produzidos pela Ripasa, Suzano, Inpacel (Champion) e VCP, a tendência nesses papéis é de o País se tornar auto-suficiente a médio prazo e, a longo, até exportar. A VCP, por exemplo, além de aumentar sua capacidade de papel de imprimir e escrever para 40 mil t/ano, acabou de elevar a de couché para os mesmos 40 mil t, sob investimentos de US$ 190 milhões. As demais provavelmente também promoverão expansões.

    De olho nesse filão, os produtores de látex, o estireno-butadieno, usado no revestimento, estão se preparando. Para começar, a Dow Química, líder mundial com pouco mais de 50% da demanda em suas mãos, anunciou a construção de nova fábrica de látex no Guarujá-SP. Na verdade, segundo explica o gerente comercial de química de perfomance da Dow, Armando Bighetti, a atual unidade, em operação desde 1976, será descontinuada para dar lugar a uma nova com equipamentos de última geração e capaz de produzir uma linha mais diversificada.

    Com start-up planejado para o primeiro semestre de 2002, conforme diz o gerente industrial de papel e celulose, Carlos Lollato, a fábrica passará a disponibilizar látex especiais, estireno-acrílicos, terpolímeros e aditivos de pigmentos plásticos sólidos e ocos. “Sabemos que os fabricantes já começam a demandar produtos especiais, para competir com os estrangeiros, que ainda não existem no Brasil”, diz.



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