Química

Papel e celulose – Fibra curta em alta faz setor desengavetar grandes projetos

Quimica e Derivados
10 de setembro de 2000
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    Ao lado da divisão BetzDearborn, de tratamento de água, e da Aqualon (carboximetilcelulose), o papel, para o qual a empresa fornece desde polímeros para água de captação e caldeira até auxiliares de colagem, agentes de resistência, drenagem, entre outros, é core business da Hercules. No universo desses três negócios (os demais, de gomas vegetais, resinas e fibras estão em processo de venda), cujo faturamento chega a US$ 2,3 bilhões, o papel responde por 38%, contra 37% da divisão BetzDearborn e 25% da Aqualon.

    Química e Derivados: Celulose e pastaCom market share mundial de 35%, na chamada especialidades de papel e celulose, a intenção da Hercules, segundo seu gerente nacional de vendas, José Armando Aguirre, é oferecer aos clientes uma solução química completa, “da captação da água do rio ao rolo do papel”.

    “Antes, a Hercules era muito focada em aditivos funcionais, sobretudo em agentes de resistência a seco e úmido para colagem, e não entrava em tratamento de água e processos”, diz. Daí a necessidade de procurar know-how no mercado, no caso a própria BetzDearborn.

    De acordo com o gerente de tecnologia, Wanderley Flosi, grande incentivadora da busca por integração foi a tendência de fechamento de circuitos de água pelos clientes. “Da massa para papel, 99% é água, e a necessidade de economia e de saber como usá-la de maneira racional é imprescindível”, diz. Ao se fechar o circuito, por exemplo, a alta concentração de sais pode afetar a função dos aditivos funcionais. “Quem trata da água precisa entender do processo”, resume Flosi.

    Química e Derivados: Papel Celulose: Flasi (esq) e Aguirre - Hercules se reestruturou para propor solução completa ao setor.

    Flasi (esq) e Aguirre – Hercules se reestruturou para propor solução completa ao setor.

    Segundo o gerente, já existem no mundo cerca de 12 empresas do setor com zero por cento de efluentes. No Brasil, as companhias caminham para o mesmo, reduzindo cada vez mais o consumo de água. E quase toda a cadeia pode chegar ao nível considerado como de circuito fechado, de consumo de água de até 15 m³/t por produto, com exceção dos fabricantes de papel de imprimir e escrever, cujo processo é mais exigente com a qualidade da água.

    A preocupação com a química do processo, segundo Armando Aguirre, também abrange evitar danos aos caros equipamentos de processo. Qualquer mudança química pode afetá-los. Cita como exemplo o caso ocorrido na época em que as indústrias nacionais estavam mudando a colagem do papel (processo que evita penetração de líquidos) do processo ácido, com caulim, para o alcalino, com carbonato de cálcio. Este sal, mesmo com as vantagens de permitir operar com pH alto e melhorar a alvura e a printabilidade do papel, no princípio formava depósitos. A solução precisou ser pesquisada. “Aumentamos o nível de retenção com a tecnologia de micropartículas e com novos agentes de controle de depósito”, lembra Aguirre.

    As pesquisas da Hercules são realizadas em seus laboratórios nos Estados Unidos. Naquele país também há plantas piloto de papel para simular a produção de seus clientes por todo o mundo (no caso dos brasileiros é utilizado o de Jacksonville, Flórida). Mas a produção, depois da desvalorização cambial, está cada vez mais sendo realizada no Brasil, nas unidades de Sorocaba-SP e, principalmente, em Paulínia-SP. Desde janeiro a nacionalização aumentou 25%, representando hoje 60% do comercializado no Brasil.

    Para manter sua meta de crescimento mundial de dois dígitos, outra estratégia da Hercules é o lançamento de produtos. Recentemente, colocou no mercado a linha Zenix, de agentes de prevenção de depósitos orgânicos e inorgânicos em telas secadoras; sais de ácido Infinity, para limpeza química de equipamentos com baixa corrosivisidade; e a linha Spectrum, de biocidas, cujo grade XD-3899 de brominação foi aperfeiçoado. Além disso, lança novos tipos de agentes de colagem interna e superficial para papel e antiincrustantes específicos para o oxalato de cálcio gerado pelo ozônio no branqueamento e para sulfato de bário.

    Química e Derivados: Papel Celulose: Gamoeda - negócios comprados pela Bayer e Ciba.

    Gamoeda – negócios comprados pela Bayer e Ciba.

    Outra reestruturada – Outra empresa passando por reestruturação é a americana Cytec. Mas a motivação aí foi contrária à da Hercules, que classificou o mercado de papel e celulose como prioritário. Em março, depois de contratar um banco para fazer o realinhamento dos seus negócios, a empresa foi aconselhada a se desfazer de suas divisões cuja possibilidade de se tornar a primeira ou a segunda no mundo, em no máximo dois anos, fosse muito remota. O negócio em papel, do qual a Cytec é a sexta no ranking, foi condenado. Os prioritários são, por ordem de importância, o de componentes estruturais aeronáuticos e aeroespaciais (Fiberite), de mineração e água.

    De acordo com o diretor de vendas para a América Latina, Renato Gamoeda, a primeira ação do grupo foi tentar parcerias estratégicas ou mesmo comprar empresas menores. Na impossibilidade, a decisão foi ser posta à venda, o que acabou ocorrendo em setembro.

    A Bayer adquiriu por US$ 90 milhões os negócios de ASA (anidrido alfa-succínico), agente de colagem para o processo alcalino, e também os de colagem superficial e de agentes de resistência a úmido e a seco. O mercado de ASA é liderado mundialmente (e também no Brasil) pela Cytec, com cerca de 60% de market share.

    A parte restante de produtos para papel, de agentes poliméricos de retenção e drenagem, foi adquirida pela Ciba Especialidades por US$ 23 milhões. Ambas as vendas, a serem concluídas até o fim do ano, não incluem unidades fabris, apenas a compra de patentes e o fornecimento dos produtos a longo prazo. A propósito, a Cytec não poderia se desfazer das fábricas porque seus negócios de água, para o qual fornece vários polímeros, são feitos nos mesmos módulos.



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