Química

Papel e celulose – Fibra curta em alta faz setor desengavetar grandes projetos

Quimica e Derivados
10 de setembro de 2000
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    Química e Derivados: Papel Celulose: Leporini (esq) e Valentim - vendas de peróxido crescem para atender exportadores.

    Leporini (esq) e Valentim – vendas de peróxido crescem para atender exportadores

    “O que impulsiona as nossas vendas é o mercado externo”, afirmou o chefe de produto da Degussa-Hüls, Antonio Carlos Valentim. Do consumo total no País de 65 mil t/ano de H2O2, cerca de 50% destina-se à celulose. Nesse segmento, explica Valentim, a Degussa divide os fornecimentos com a Solvay (Peróxidos do Brasil).

    Já a Peróxidos, embora possua grandes clientes no Sudeste e Sul (Klabin, Suzano) próximos de sua fábrica em Curitiba-PR, tem percentual igual ao da Degussa por ter carteira de clientes bastante diversificada em pequenos e médios. Outro fator que ajuda a Solvay na conta final é fornecer para a única seqüência de TCF (total chlorine free) do Brasil, a da Klabin, divisão Paraná, com consumo muito maior de peróxido de hidrogênio, por ser isento também de dióxido de cloro. A unidade da Klabin trata-se de caso muito específico para atender fabricante de embalagem de alimentos para exportação.

    A singularidade desse fornecimento TCF se explica pela tendência do mercado em considerar o ECF como suficiente para atender as exigências ambientais até de países mais “ecorradicais”. “O custo do TCF é muito alto e o ECF evoluiu tanto que seu impacto praticamente é igual ao do totalmente isento de cloro”, disse o assessor técnico da Degussa, Cesar Leporini.

    De acordo com o colaborador estratégico da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), Celso Foelkel, até a Alemanha, que normalmente pende para atitudes mais radicais em meio ambiente, já começa a adotar o ECF. O espanto na atitude alemã, segundo Foelkel, é maior ainda quando se sabe que a produção de celulose daquele país é normalmente pelo processo sulfito, melhor branqueado pela seqüência TCF.

    Química e Derivados: Papel Celulose: Foelkel - ECF provou ser o branqueamento mais adequado.

    Foelkel – ECF provou ser o branqueamento mais adequado.

    A opção pelo ECF tem como principal conseqüência mais vendas de peróxido de hidrogênio. Praticamente todos os clientes nacionais já aderiram. A Cenibra foi a última das grandes produtoras de celulose de mercado a deixar de lado o cloro no branqueamento, no ano passado, passando a comprar H2O2 da Degussa para atender a nova exigência do Japão, seu principal cliente. No Brasil, aliás, mesmo não havendo exigência direta de substituição, muitos órgãos ambientais, segundo Celso Foelkel, têm restringido o uso do cloro no branqueamento por meio de exigências em emissões de efluentes. “Para não descartar cloro, a empresa acaba tendo de abolir o seu uso no processo”, diz.

    Ozônio em alta – A extinção do cloro nas seqüências traz oportunidades também para outras tecnologias. Uma delas é o ozônio, que pode ser conjugado com o dióxido de cloro e o próprio peróxido de hidrogênio no branqueamento. Conforme explica Foelkel, porém, seu único entrave, possível de ser solucionado com o tempo, é o alto consumo de energia. Mas, por outro lado, o gás empregado, mais oxidante que o peróxido, confere excelentes propriedades de alvura à polpa. Outras opções tecnológicas citadas pelo especialista são o emprego de ácidos e enzimas.

    O ozônio, porém, cresce mais nitidamente no mercado brasileiro. A Votorantim Celulose e Papel (VCP), por exemplo, está aos poucos reduzindo o uso de dióxido de cloro em seqüências das unidades de Luiz Antônio-SP e Jacareí-SP e adotando no seu lugar o ozônio. De olho nessa e em outras oportunidades, as principais empresas da área, como a francesa Ozonia (Degrémont e Air Liquide) e a alemã Wedeco, fazem propostas a vários grupos.

    Química e Derivados: Papel Celulose: Kalervo - propostas de ozônio da empresa alemã Wedeco.

    Kalervo – propostas de ozônio da empresa alemã Wedeco.

    A Wedeco, fabricante de geradores recentemente desmembrada da controladora Messer Griesheim, passou a ser representada desde setembro no Brasil pela Okte, de São Paulo. Mas, antes desse contrato, a empresa já havia instalado unidades diretamente no Brasil. Há uma unidade desde outubro de 1995 de 60 kg/h na Bacell, em Camaçari-BA, e outra também com a mesma capacidade de geração na Klabin, de Telêmaco Borba, no Paraná, inaugurada em abril de 1997.

    Segundo o diretor da Okte, Olli Kalervo Tikkanen, o desmembramento da Wedeco da Messer, produtora de oxigênio e outros gases, tornará a empresa mais competitiva.

    “Fazer proposta atrelado ao gás da empresa controladora tira a mobilidade na hora da venda do equipamento; sem essa condição o cliente pode escolher o fornecedor”, diz. Outras grandes do gás, aliás, possuem acordos com fabricantes de geradores de ozônio. A Praxair, controladora da White Martins, tem aliança global com a Trailigaz, do grupo francês Vivendi.

    Solução completa – O futuro promissor do mercado de papel fez também a principal fornecedora química da área, a americana Hercules, passar por uma fase de reestruturação. O marco inicial dessa mudança foi a compra da BetzDearborn, cujos produtos de processo de papel, controle microbiólogico, digestão e, sobretudo, os de água, foram integrados à nova divisão PPD (pulp and paper division) da Hercules. Aliás, apenas com a especialidade de água da Betz a transação já se justificaria, pois a indústria de celulose e papel é uma das maiores consumidoras de água de processo.



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