Química

Papel e celulose – Fibra curta em alta faz setor desengavetar grandes projetos

Quimica e Derivados
10 de setembro de 2000
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    Com preços recuperados, indústria de papel e celulose ocupa quase toda a sua capacidade instalada e inicia desgargalamento para atender explosão da demanda mundial prevista para os próximos anos, na qual o Brasil deverá conseguir destaque

    Química e Derivados: Celulose de mercadoDifícil encontrar um setor com perspectivas mais animadoras do que o de papel e celulose. Após quatro anos com preços aviltados, a tonelada da fibra curta de eucalipto, cuja produção o Brasil lidera mundialmente, começa a recuperar sua média histórica e hoje está cotada no bom patamar de US$ 690 CIF.

    O lucro rápido com essa retomada iniciada no final do ano passado tem feito as grandes empresas operar à plena carga e desengavetar projetos antigos de ampliação.

    Mas apenas a ocupação de 98% das máquinas dos produtores de celulose de mercado e de 92% para os de papel pode-se considerar como fruto de necessidades mais imediatas. As fábricas a todo vapor atendem à explosão da demanda mundial por vários tipos de papel, provocada pela prosperidade americana, pela recuperação do Sudeste Asiático e pelo crescimento econômico chinês. Já os projetos desengavetados são para atender estimativas otimistas de longo prazo.

    Uma dessas previsões, contida em pesquisa da consultoria Jaakko Pöyry, prevê que a demanda mundial de celulose, no período de 1997 a 2015, deve crescer a uma taxa média de 2,7% ao ano, percentual elevado a 4,6% quando se trata das fibras curtas de eucalipto, a especialidade brasileira. A demanda maior por estas últimas se explica por sua grande variedade de aplicação e, logicamente, por suas florestas altamente produtivas, que precisam de muito menos tempo para o corte: 7 anos contra até 30 das de celulose de Pinus.

    Química e Derivados: Papel Celulose: Demanda adicionalEssa estimativa da Jaakko Pöyry, aliás, foi até mesmo superada e, novamente, com maiores vantagens para os fabricantes nacionais, que se utilizam em quase a totalidade das florestas de eucalipto para extração da celulose. Na década de 90, o consumo médio mundial de celulose e pastas cresceu na verdade 4,1% ao ano e, especificamente o de fibras curtas, elevou-se em 8,5%. De 1998 para 1999, o número foi ainda mais surpreendente: o acréscimo no consumo total alcançou 6,3% e, no caso do eucalipto, 13,1%.

    Segundo estudo da gerência de produtos florestais do BNDES, o volume comercializado mundialmente em 1999 atingiu 39,9 milhões de toneladas, sendo 18,5 milhões em fibra longa (Pinus), 15,7 milhões na curta e o restante das fabricadas em processo sulfito, nas não-branqueadas e outras. Bom lembrar que o Brasil é o maior fornecedor da celulose de fibra curta de mercado, com cerca de 3,7 milhões de t/ano.

    De forma geral, todos os 75 ofertantes mundiais de celulose precisam de investimentos. Mas, apesar de a celulose de fibra longa, extraída de pinheiros e predominante nos países nórdicos, estar por volta de US$ 20/t mais cara que a de eucalipto, a demanda adicional prevista para os próximos anos é maior nesta última. A se guiar pelas projeções, até 2015 haverá a necessidade de mais 15 milhões de toneladas da fibra curta e de “apenas” 7,4 milhões de t da fibra longa.

    Química e Derivados: Papel Celulose: Produção nacional de papelInvestimentos – Para atender à demanda adicional, que ainda conta a seu favor o aumento contínuo do preço da celulose (até 2002 deve chegar a US$ 850), os grandes grupos nacionais e internacionais investem de forma avassaladora. Um exemplo recente, com influência global no setor, foi a compra da americana Champion pela International Paper (IP) por US$ 10,1 bilhões. Dessa transação se originou um conglomerado com vendas anuais de US$ 30,5 bilhões, o maior do mundo em papel e celulose. A negociação espelha ainda o interesse que as vantagens competitivas do Brasil despertam nos estrangeiros: a Champion é importante player local: o 5º em celulose e o 3º em papel.

    Mas essa compra é apenas um dos indicadores de que o mercado brasileiro será palco de megainvestimentos. Não obstante o reforço de caixa que a Champion recebeu com o novo controlador, outros grandes grupos, e mais especificamente os de origem nacional, possuem planos de investimentos bem definidos. Segundo uma estimativa da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), nos próximos cinco anos o montante investido pelas principais empresas deve ultrapassar os US$ 5,5 bilhões. Só para se ter uma idéia, apenas no primeiro semestre de 2000 os pedidos de financiamento ao BNDES para projetos do setor totalizaram R$ 2,04 bilhões.

    Os projetos são urgentes. Formado por 220 empresas de papel e celulose, e empregando 100 mil pessoas em 255 unidades industriais, o setor exporta 90% da sua celulose de mercado (a não integrada com a produção do papel).

    Para sobreviver sob a competição internacional, as empresas exportadoras como Aracruz, Bahia Sul e VCP, precisarão desses aportes, vindos sobretudos pelas linhas de financiamento do BNDES. Em escala menor, os projetos também ajudarão para desenvolver o mercado interno, cujo consumo per capita de papel é considerado baixo (38,8 kg). Bom lembrar que 50% de toda a celulose produzida (7,2 milhões de t) é consumida no Brasil e 82% do papel fica em território nacional.

    Quando saírem do papel, os projetos de ampliação e as novas unidades anunciadas devem fazer o parque nacional passar da atual capacidade de 7,2 milhões de toneladas de pastas celulósicas para 10 milhões em 2005. Para o gerente de produtos florestais do BNDES, Antônio Valença, o reequilíbrio entre oferta e demanda já será perceptível quando os primeiros grandes projetos entrarem em operação em 2002.


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