Química

Papel e Celulose: Brasil ganha espaço no mercado externo

Quimica e Derivados
14 de novembro de 2002
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    Em outubro de 2000, a Aracruz adquiriu 45% do capital da Veracel, e passou a ser a nova parceira do grupo Stora Enso. Em 2001, a Votorantim Celulose e Papel adquiriu 33% do capital da Aracruz.

    “Só venceremos no longo prazo se conseguirmos aliar nossa eficiência operacional com nossa capacidade de gestão das organizações”, considerou Celso Foelkel, presidente da ABTCP. Por esse motivo, segundo ele, o setor tem apostado alto na modernização de suas máquinas, processos e tecnologias, em busca de melhorias na sua competitividade.

    “As grandes empresas apostam no aumento de escala de produção, com audaciosos projetos de expansão da capacidade”, afirmou. Mas é comum também encontrar novas obras e instalações nas pequenas e médias empresas, que também estão investindo nas áreas de máquinas de papel, principalmente visando a remoção de gargalos nos sistemas de preparação de massa, alimentação e secagem e também nas áreas de produção de polpa e recuperação de licores, aprimorando as estações de tratamento de efluentes e resíduos sólidos, para recuperar desperdícios de fibras e de águas.

    No âmbito tecnológico, segundo observou, as preocupações com eficiência energética e operacional aumentaram no setor, que vem reduzindo os consumos e adotando processos de mais baixa geração de resíduos.

    Mandioca toma mercado do milho na colagem de papel

    O amido de mandioca (fécula) substitui o amido de milho, atualmente, em mais de 90% dos papéis de impressão (na colagem interna), 40% a 60% dos sacos/sacolas de papel, e em 30% das caixas onduladas. Esses índices foram apresentados pelo presidente da Inpal S/A, Manoel Zauberman, empresa associada da ABAM (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca). O uso de fécula de mandioca no setor papeleiro ganhou evidência no 35º Congresso e Exposição Anual de Celulose e Papel da ABTCP

    A possibilidade do uso do amido de mandioca no lugar do amido de milho, ou de batata, na fabricação de papel atraiu para o segmento grandes potências mundiais como a norte-americana Cargill, que entrou nesse mercado no ano passado, tornando-se associada da ABAM. “Até maio do ano passado trabalhávamos com amido de milho. Passamos então a produzir amidos modificados para o setor papeleiro a partir do amido de mandioca”, relata o gerente de vendas da divisão de amidos industriais, Vinícius Teixeira.

    A Cargill produz amidos modificados para aplicação em massa e em superfície de papéis, entre outros. A empresa exporta para todos os continentes, com maior concentração na África, Europa e América do Norte. A empresa também esteve entre os expositores da ABTCP.

    A fécula de mandioca atraiu também a atenção da Avebe, uma cooperativa de produtores de batata e amido, da Holanda, que tinha a batata como principal matéria-prima para produzir fécula. Uma joint venture com a Pilão Química, de Guaíra-PR, empresa do grupo Fecularia Salto Pilão Ltda., associada da ABAM, propiciou o ingresso da Avebe no mercado brasileiro de amido de mandioca.

    De acordo com o presidente do grupo Pilão, Nilton Jacobsen, a estrutura fabril e a logística de transporte oferecida pelo grupo favoreceram o ingresso da Avebe no mercado brasileiro de amido de mandioca. A cooperativa comercializa todos os tipos de amido quimicamente modificados produzidos pela Pilão, que também foram apresentados na Feira.

    Produção – O Grupo Pilão conta hoje com oito fábricas, duas no Paraguai, quatro no Mato Grosso do Sul, duas no Paraná, e está implantando uma unidade no Estado de São Paulo. Juntas, elas devem produzir 60 mil t/ano de amido de mandioca. A previsão é aumentar a produção para 300 mil toneladas até o ano 2007. Da produção total do grupo, 60% são destinados à exportação para países como Holanda, Chile, Argentina, Peru e Turquia, entre outros.

    Outra presença importante na feira da ABTCP foi da National Starch Brasil (empresa do grupo norte-americano National Starch & Chemical Ind.Ltda/ICI), também associada da ABAM. Do total de amidos modificados de mandioca produzido por um pool de cinco empresas (fecularias), das quais a National faz parte, destina hoje 70% da sua produção ao setor papeleiro. O mercado interno absorve 80% da produção, o restante vai para o exterior, a exemplo de Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, Estados Unidos e África do Sul.

    As utilizações do amido na produção de papel vão do acabamento da superfície, contribuindo para determinar características como cor, absorção de água e textura, à massa que dá origem à folha. Nesse aspecto o amido de mandioca é importante para a garantia de características mecânicas do papel como resistência a tração, rasgo e estouro.

    Wilson Molinaro, diretor comercial de amidos industriais da National Starch Brasil, cita como exemplo do uso do amido pelo setor papeleiro, os papéis de superfície: LWC – um tipo de papel lustroso, revestido, de baixa gramatura, muito usado para a produção de catálogos, boletins, informativos, entre outros itens que requerem acabamento mais avançado.

    O amido é utilizado amplamente na fabricação de papel para imprimir e escrever; em papéis de embrulho, papel de aparas, papel Kraft, sacolas em geral, e papelão ondulado, este último em expansão no mundo. Conforme dados da Fefco (Fédération Européenne des Fabricantes de Carton Ondulé) as vendas de papelão ondulado representaram 62% do mercado de embalagens de transporte da Europa.



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