Papel e Celulose: Brasil ganha espaço no mercado externo

As 250 empresas nacionais do setor de celulose e papel entram em ciclo de investimentos que geram projeções otimistas para 2003, com destaque para o provável aumento das exportações

A importância do Brasil no cenário internacional da produção de papel e celulose, prenunciando um novo ciclo de alta, confirmou-se no 35° Congresso e Exposição Anual, promovido pela ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel, de 14 a 17 de outubro, no ITM Expo, na capital paulista.

Somados os investimentos realizados em 2002 e programados para 2003, as projeções indicam aumentos de l,5 milhão de toneladas para a celulose e 250 mil toneladas para o papel, com as exportações se elevando de US$ 2,2 bilhões, em 2002, para US$ 3,1 bilhões, em 2003.

Delineado por um parque industrial integrado por mais de 250 empresas, onde pouco mais de uma dezena de grandes lideranças são responsáveis por 90% da produção, o setor deverá responder em 2002 por uma produção estimada em 7,6 milhões de toneladas de celulose e papel, ocupando a 7ª posição entre os maiores produtores mundiais de celulose e 11ª classificação no ranking mundial do papel.

Ao tratar-se, porém, da produção mundial de celulose de eucalipto, o Brasil desponta na liderança absoluta, ao gerar 5,5 milhões de toneladas/ano, enquanto o mundo todo produz 11 milhões de toneladas/ano.

Baseando-se nessa conjuntura, muitos acreditam não faltar motivos para que o País possa dobrar sua capacidade setorial instalada no espaço de uma década.

Essa perspectiva, anunciada pela Bracelpa – Associação Brasileira de Celulose e Papel, alimenta uma verdadeira corrida em busca da eficiência máxima nos ativos e na produção, trazendo reflexos para toda a cadeia de fornecedores de sistemas, matérias-primas e equipamentos que integraram a exposição deste ano.

A CBC Indústrias Pesadas, subsidiária da Mitsubishi Heavy Industries, é um dos bons exemplos da retomada dos investimentos no setor.

A empresa comemorava na exposição ter superado seus próprios recordes com a construção simultânea, na fábrica de Jundiaí, de três caldeiras de recuperação química para grandes indústrias do setor, e que foram finalizadas em período de 18 meses.

Um dos projetos mais recentes e arrojados executados pela empresa foi para o grupo VCP, Votorantim Celulose e Papel, no site de Jacareí-SP, e resultou em novo parâmetro de operação, envolvendo 2.500 tss (toneladas de sólido seco) ao dia.

Outros dois grandes projetos foram executados para a Ripasa e Lwarcel, elevando, respectivamente, as capacidades para 1.100 tss/dia e 700 tss/dia.

Química e Derivados: Papel: Rodrigues - retomada de grandes projetos.
Rodrigues – retomada de grandes projetos.

“Os três projetos surgiram de encomendas feitas no início de 2001 e já estão todos em fase de start-up”, informou Rodolfo Rodrigues, gerente comercial e de marketing da empresa considerada a maior fabricante de bens de capital sob encomenda da América Latina.

Segundo enfatizou, as novas tecnologias para a construção de caldeiras, executadas em aço carbono, em alturas superiores a 25 metros e envolvendo mais de 2.500 itens, entre componentes, matérias-primas e acessórios, oferecem prioridade à instalação de sistemas para controle ambiental, incluindo precipitadores eletrostáticos, capazes de captar os particulados gerados durante a queima do licor negro, líquido resultante do ataque da soda cáustica à lignina contida nos cavacos de madeira.

A Kvaerner do Brasil, empresa do grupo norueguês Aker Kvaerner que desenvolve projetos recentes de modernização e reforma para grandes indústrias do setor, também apresentou resultados muito positivos na exposição.

Com sede em Curitiba-PR e operando no País há três décadas, nas áreas de fibras, recuperação química e energética, evaporação, caustificação, plantas químicas e controle ambiental, a empresa promoveu novos patamares para a produção de celulose no Brasil.

Um deles, realizado para a VCP, envolvendo linhas de cozimento e lavagem, resultou na expansão de 1.300 toneladas/dia para 3.200 toneladas/dia. Um segundo grande projeto, realizado para a Aracruz, envolveu todas as instâncias correlatas à E.P.C. (Engineering Procurement Construction), instalando-se um novo sistema de cozimento, lavagem e reforma de duas caldeiras de recuperação, que permitirá produzir 700 mil toneladas/ano de celulose branqueada.

O maior empreendimento, porém, segundo assinalou o engenheiro Leonardo R.de Figueiredo, da divisão comercial Fiberline, envolveu a Ripasa onde a empresa deu consecução a vários projetos, como a reforma da caldeira de recuperação, instalando uma nova linha de celulose branqueada com capacidade para 800 toneladas/dia, além de um novo sistema de evaporação e reforma das máquinas de caustificação para recuperação do licor branco.

Nacionalizações – Um dos pontos altos da exposição foi contar com a participação institucional de grandes lideranças mundiais em especialidades químicas, focadas no setor, e que aproveitaram a oportunidade para anunciar várias novidades tecnológicas, nacionalizações e novos acordos, envolvendo tanto investimentos em fábricas, como nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, evidenciando disposição para acompanhar a retomada do crescimento.

Um dos benefícios para as indústrias do setor será decorrente dos investimentos da Degussa, que inaugurou no dia 13 de novembro, em Americana-SP, o maior empreendimento latino-americano voltado à produção de polímeros e dispersantes para aplicações em papel e celulose.

Com produção inicial planejada para 7 mil toneladas/ano, a nova unidade consumiu investimentos de US$ 5 milhões e permitirá ao País tornar-se independente das importações antes realizadas das unidades instaladas na Alemanha e Estados Unidos.

Essenciais aos processos de separação de sólidos e líquidos, essa categoria de polímeros, catiônicos e aniônicos, à base de poliacrilamida, será disponibilizada em vários pesos moleculares e diferentes cadeias, visando facilitar ampla gama de aplicações previstas tanto no tratamento de águas residuais e águas de desaguamento de lodos, como na recuperação de fibras de celulose nas máquinas de papel, onde também podem atuar como auxiliares de retenção e drenagem.

Focados em todos os segmentos do papel, envolvendo brancos para impressão e embalagens, papel-cartão e uma gama de papéis especiais, esses produtos, segundo a diretoria técnica da Degussa, trarão benefícios imediatos ao mercado brasileiro em virtude dos altos índices de nacionalização.

Envolvendo os insumos, trazem conseqüências imediatas para várias aplicações, uma vez que seus custos estarão livres das variações cambiais, segundo considerou o engenheiro de aplicações da divisão Papel da Degussa, Nicolau Ferdinando Cury. “Os produtos nacionalizados trarão um novo patamar de competitividade em preço e qualidade para o mercado latino-americano”, ponderou também o gerente de negócios da divisão Papel, José Sérgio Perecin.

Segundo ele, as novas fórmulas de dispersantes em base orgânica deverão substituir rapidamente todos os produtos tóxicos que atuam no controle de microorganismos nos circuitos de águas, envolvendo todo o ciclo de fabricação do papel.

Química e Derivados: Papel: Cury (esq.) e Perecin - fábrica de polímeros.
Cury (esq.) e Perecin – fábrica de polímeros.

“Nossos desenvolvimentos seguem os novos conceitos mundiais cuja ordem é fabricar produtos biodegradáveis e amigáveis ao meioambiente”, afirmou Perecin.

Tecnologia inovadora – A Dow Química, líder mundial em látex e serviços para os segmentos de papel/cartão e carpetes, anunciou no evento a formalização de acordo de cooperação com o grupo Metso Paper, concretizando parceria envolvendo a unidade de negócios globais de polímeros de emulsão.

Química e Derivados: Papel: Gimenez - polimero de emulsão revoluciona mercado de papel.
Gimenez – polimero de emulsão revoluciona mercado de papel.

O acordo, oficializado e comunicado em âmbito mundial no dia 14 de outubro, em Midland, Michigan, nos EUA, prevê o desenvolvimento de novo processo de revestimento para papéis e cartões, cabendo à Dow desenvolver a química do revestimento, enquanto a Metso faria o desenvolvimento da tecnologia da estação de revestimento, incluindo o fornecimento dos sistemas de secagem e os processos de automação.

Segundo informou Ted Cosse, vice-presidente da Dow Polímeros de Emulsão, por ocasião da divulgação feita nos EUA, a nova tecnologia trará significativas melhorias de qualidade e eficiência na produção de papéis e cartões revestidos, permitindo que várias camadas de tinta de revestimento sejam aplicadas diretamente, e ao mesmo tempo, nos substratos, sem qualquer contato mecânico direto.

Para Kaj Lindroos, vice-presidente e gerente geral da Metso Paper, Coaters and Reels, o acordo irá permitir o aprimoramento tecnológico nesse campo e sua introdução no mercado se dará de maneira rápida e eficiente, a partir da realização de testes piloto, utilizando-se todos os principais tipos de impressão e de papel e cartão revestidos.

Na opinião de Fernando Gimenez, gerente comercial da Dow Polímeros de Emulsão, a nova tecnologia deverá revolucionar o conceito de revestimento de papéis e cartões.

A nova planta de polímeros para emulsão da Dow no Guarujá, no litoral paulista, inaugurada em outubro de 2001 e dimensionada para comportar dois reatores, substituiu a fábrica antiga, totalmente demolida, e já opera à plena capacidade.

Os sites do Guarujá e da China representam os dois últimos e mais modernos empreendimentos concluídos pela Dow Química para o segmento.

Com produção específica nas áreas de estirenos e butadienos altamente modificados e agregados com monômeros mais funcionais, a fábrica do Guarujá gera polímeros de alta performance para revestimentos (coatings) que oferecem alto grau de cobertura às fibras e alto poder ligante, resultando papéis de maior alvura, brilho e coloração, segundo comentou Gimenez.

Novas especialidades – Após inaugurar em julho deste ano sua mais nova unidade de produção de agentes expansores de resistência a úmido e a seco, da linha Baystrength, série 2000, e agentes de colagem superficial, da linha Baysize S BMP, a Bayer também marcou presença na exposição.

“Procuramos inovar e buscar alternativas que atendam às necessidades do mercado e, por isso, promovemos um investimento inicial em torno de US$ 500 mil na nova unidade, com capacidade para produzir 5 mil toneladas/ano, podendo sofrer ampliação imediata. Estamos seguindo um rígido controle de qualidade, vinculando-nos ao programa de Atuação Responsável”, informou Carlos Moreno, gerente de marketing da área de papel para a América Latina da empresa.

A unidade de negócio de papel da Basf também acentuou na exposição seu fornecimento ao mercado de amplo portfólio de produtos para todas as etapas de fabricação do papel, envolvendo as produções de celulose, papel e de tintas de revestimento, sendo as principais linhas constituídas por antiespumantes e desareadores para papel e celulose, agentes sintéticos de colagem para massa e superfície, corantes básicos, corantes diretos, ligantes para revestimento de papel, agentes de retenção e drenagem, além de microcápsulas para papéis autocopiativos.

Corantes inéditos – Vários lançamentos inéditos desenvolvidos para a indústria papeleira deverão incrementar ainda mais as aplicações no setor.

Alguns deles foram apresentados pela Clariant, considerada a líder de mercado no segmento de branqueadores ópticos, que lançou simultaneamente na Europa e no Brasil a nova linha de corantes aniônicos líquidos (Cartasol HP), classificada com resistência 5,0, segundo os padrões de qualidade Xenon Test.

Ou seja, enquanto a maior parte dos corantes disponíveis apresentam índices que vão de 1,0 a 2,5, a nova linha obteve grau 5,0 de solidez à luz, segundo informou Paulo Hoffmann, gerente da área de Papel e Celulose da empresa.

Apropriados para colorações de papéis em base alcalina ou neutra, os novos corantes atendem a praticamente todos os mercados do papel, envolvendo planos (fine-papers) e tissues (higiênicos, papel-toalha, etc.), e são de fácil aderência às fibras de celulose, provocando baixos índices de sangria.

Química e Derivados: Papel: Hoffmann - corante com alto grau de solidez à luz.
Hoffmann – corante com alto grau de solidez à luz.

“Além de permitir alta produtividade, essa categoria de corantes permite tingimentos contínuos, sem ser preciso interromper as operações das máquinas, sendo ainda, altamente ecológica, pois apresenta baixíssimos níveis de metais pesados, de acordo com os rigorosos padrões europeus, ao contrário dos corantes básicos que são alvo de sérias restrições para as exportações”, acrescentou Hofffmann.

Vários outros produtos da Clariant exploraram também os novos conceitos de revestimento (coating) com barreira à água em diferentes graduações.

Uma das linhas promove a impermeabilização de papéis e cartões, devendo concorrer diretamente com as aplicações de filmes de polietileno.

Dentro dessa categoria, enquadram-se emulsões líquidas e aniônicas, constituídas por co-polímeros acrílicos modificados, com viscosidade entre 45 a 60 s, diluíveis em água fria nas mais variadas proporções, com a finalidade de se obter diferentes graus de barreira.

Outra inovação química apresentada pela Clariant atua como agente de barreira aos vapores d’água. Trata-se de revestimento, um composto aquoso de emulsões acrílicas, fornecido com viscosidade adequada a cada tipo de equipamento, na faixa de 800 até 3.000 mPa, e que foi desenvolvido para embalagens que serão acondicionadas em freezers, mantendo estabilidade dos substratos por um período de seis meses durante a armazenagem.

Uma nova emulsão aquosa, formulada a partir de um composto de co-polímero estirenado e cargas inorgânicas, também foi outra novidade apresentada pela empresa, trazendo um novo conceito de revestimento de bloqueio, que confere propriedades antiescorregamento a papéis e cartões, sendo inclusive aprovada para ter contato com gêneros alimentícios e indicada para embalagens de produtos empilháveis.

Outro desenvolvimento da empresa que também deverá substituir filmes de polietileno confere aos papéis e cartões alta barreira à gordura, devendo beneficiar o setor de embalagens de alimentos processados, como sanduíches, batatas fritas, pipocas, etc.

Segundo Hoffmann, trata-se de um fluorquímico, compatível com grande variedade de aditivos aniônicos e não-iônicos, que pode ser empregado em papéis com ou sem tratamento superficial, e que não age como formador de filmes, mas atua por absorção nas fibras individuais, proporcionando superfícies com baixa energia, sobre as quais líquidos não-polares tendem a reticular.

Uma nova geração de agentes que melhoram a resistência física dos papéis a úmido, apresentando baixo teor de organoclorados, e constituída por resinas poliamidaminas e epicloridrina, também destacou-se entre as novidades desta exposição.

Desenvolvida para uma grande variedade de papéis (kraft, toalha, lenço, higiênico, decorativo, filtro, de segurança, etc.), essa linha, de acordo com Hoffmann, praticamente não exerce influência negativa sobre a “hidrofilidade”, mas permite trabalhar com pH mais altos, o que confere ao papel maior estabilidade, tornando-o menos quebradiço.

Na área de pigmentos brancos, insumos minerais destinados às indústrias de papel, tintas, plásticos, cremes dentais, cosméticos e cerâmica, o grupo francês Imerys, que também atua com carbonato de cálcio e caulim, anunciou na exposição investimentos de US$ 50 milhões no País até 2006.

Depois de ter investido US$ 10 milhões na modernização da Quimbarra, adquirida em junho de 2000 do grupo americano Praxair, o grupo firmou joint-venture com o investidor brasileiro Cláudio Roberto Hoff, criando a White Claytech, em julho de 2001 em Embu-Guaçu-SP, projetando dar base ao lançamento de novos produtos.

Fuga da capital – A Logos Química escolheu o interior paulista para sediar todas as suas operações industriais, incluindo o laboratório de pesquisa e desenvolvimento, responsável por todas as sínteses efetuadas pela empresa, levando em conta as necessidades e aplicações específicas dos clientes.

Química e Derivados: Papel: Moura - Logos transfere fábrica para Leme - SP.
Logos transfere fábrica para Leme – SP.

“Até o final do ano, nossa fábrica de Barueri-SP será transferida para Leme-SP, a 200 quilômetros da capital, ocupando área construída de 8.500 m², onde daremos grande destaque à produção de aditivos utilizados pelas indústrias de papel e celulose”, afirmou o diretor José Paulo B. de Moura.

Nessa categoria, incluem-se os antiespumantes em base óleo e água, cada vez mais utilizados na lavagem e branqueamento da celulose e também empregados na evaporação de licor negro, em máquinas de papel e em banhos de revestimento.

Outras linhas de produtos cuja demanda deverá crescer, segundo avaliou o diretor, são constituídas por quelantes, utilizados no branqueamento de celulose e pastas e os inibidores de corrosão, além de empregados no branqueamento e secagem da celulose e nos circuitos das máquinas de papel.

Segundo assinalou Moura, as linhas de polímeros desenvolvidas pela empresa também sofrerão mais alta demanda nos próximos anos.

Empregadas no deságue de lodos, recuperação de fibras e clarificação de licores, esses produtos, formulados com base em poliacrilamidas e poliepicloridrinas, modificam as cargas iônicas, permitindo que as partículas sólidas sejam aglomeradas e removidas dos líquidos circulantes, apresentando especial interesse para o tratamento de efluentes, pela possibilidade de reduzir as perdas de água e os descartes.

Expansão em peróxidos – A oferta de peróxido de hidrogênio na região promete ficar bem mais aquecida em 2003 em virtude dos novos investimentos promovidos pela Peróxidos do Brasil, que anunciou na exposição estar em via de finalizar amplo projeto de expansão.

Considerada a maior produtora nacional e sul-americana do setor, a empresa do grupo Solvay confirmou elevar em mais de 50% a capacidade da sua fábrica, em Curitiba–PR, que deverá saltar de 60 mil toneladas/ano para 90 mil toneladas/ano, no início de 2003.

“A partir de janeiro, estaremos consagrando as operações dentro dos novos patamares, concluindo projeto iniciado há mais de dois anos, delineado para atender aos mercados de celulose e papel, entre outras aplicações químicas e voltadas ao meio ambiente”, informou Luiz Leonardo da Silva Filho, gerente de marketing da empresa.

Participante de toda a cadeia de produção do papel e celulose, o uso industrial do peróxido de hidrogênio está envolvido desde a preparação da madeira, onde o produto controla a contaminação por fungos. Age também no refino, abrangendo os processos de polpação química, polpação de alto rendimento, branqueamento de aparas e fibras recicladas, e pode ainda ser usado na descontaminação de áreas de armazenamento do papel.

A nova escala de produção projetada para a fábrica deverá acompanhar o crescimento da demanda, pois, segundo avaliações feitas pela empresa, o mercado latino-americano já estaria consumindo 100 mil toneladas de peróxido de hidrogênio ao ano, enquanto, no Brasil, a demanda por esse tipo de produto se aproxima de 65 mil toneladas/ano.

O aumento na oferta estaria, dessa forma, não só contribuindo para consolidar a posição de liderança da empresa na América Latina, hoje com 50% de participação nos vários mercados envolvidos, bem como possibilitaria ampliar sua participação no próprio mercado brasileiro, atualmente correspondendo a 65%.

A Degussa também tem investimentos previstos no valor de R$ 1 milhão, para a construção, em 2003, de um ramal ferroviário dentro da unidade de peróxido de hidrogênio, de Barra do Riacho, no município de Aracruz–ES.

Considerada o mais moderno empreendimento no gênero construído no mundo pela empresa, essa fábrica, com capacidade de produção para 40 mil toneladas/ano, teve suas operações iniciadas em 1998, devendo, agora, contar com maiores recursos de logística e distribuição para facilitar o escoamento da produção dessa linha de produtos essenciais ao branqueamento de celulose, polpas e papel reciclado.

Química e Derivados: Papel: Miranda - recuperação de energia no licor.
Miranda – recuperação de energia no licor.

Eficiência na oxidação de licor – Aumentos na escala de produção, economia de energia e maior comprometimento com o meio ambiente constituem aspectos também integrantes das novas tecnologias desenvolvidas pela Air Products para o setor do papel e celulose, e cujo maior destaque esteve por conta do STHR (Super Total Heat and Cover), sistema destinado a recuperar a energia gerada na oxidação do licor preto, residual proveniente do cozimento da madeira, possibilitando efetivo controle de emissões e aumentos de capacidade nas fábricas, e que promove a sua oxidação com oxigênio puro.

Segundo César Roberto Miranda, supervisor de processos da área de papel e celulose da Air Products, duas empresas no Brasil já se beneficiam dessa tecnologia e colheram aumentos de 4% na produção de celulose.

A tecnologia de oxidação do licor preto, segundo esclareceu Miranda, foi desenvolvida inicialmente junto às fábricas de papel kraft para controlar as perdas de enxofre no ciclo de recuperação.

Química e Derivados: Papel: Nancy - oferta de bicos spray para formação de papel.
Nancy – oferta de bicos spray para formação de papel.

Em seguida, o processo passou a ser empregado para controlar odor, pela redução das emissões de compostos de enxofre – TRS, Reducet Total Sulfur–, das caldeiras de recuperação, onde há evaporação por contato direto.

Mais recentemente, a tecnologia foi disseminada nas fábricas com limitação de queima nas caldeiras de recuperação, com ganhos no controle da emissão de TRS, para níveis inferiores a 5 ppm.

A estratégia de controle adotada é patenteada pela Air Products, e é representada por sistema que minimiza a oxidação de orgânicos e o consumo de álcali, sendo capaz de gerar menor volume de gases de exaustão e reduzir a demanda de ar para as caldeiras de recuperação.

Novos equipamentos – Inovações e novos acordos para facilitar a distribuição no Brasil também estão sendo promovidos no setor de máquinas e equipamentos, também empenhado em elevar o desempenho no setor, aumentando a velocidade e a eficiência da produção.

A Saint-Gobain Cerâmicas e Plásticos, empresa integrante de uma das divisões do grupo Saint-Gobain, instalada em Rio Claro-SP, começou a comercializar diretamente os rolos desfibradores de troncos que atuam no arrancamento da celulose, revestidos em cerâmica de alumina ou em carbeto de silício.

Outra novidade, segundo revelou Nancy Vizcaya Delatorre Penteado Kairalla, coordenadora de administração de vendas e comércio exterior, é que, a partir de janeiro de 2003, a empresa dará início à oferta local de bicos de spray para adaptação nos chuveiros das linhas de formação de papel (mesas formadoras), em modelos com jatos direcionados e difusos.

A Siemens, que também participa de vários projetos de modernização no setor, como da Ripasa, Aracruz (linha C) e VCP, apresentou como novidade uma estação de trabalho móvel e sem-fio para controle da produção na planta, lançada há pouco mais de um ano na Alemanha, mas só agora customizada para aplicações nas indústrias de papel.

Denominado Web Ped Móvel, o equipamento tem autonomia para distâncias de 300 metros, devendo estar em conexão com antenas que podem ser distrubuidas pela fábrica, para oferecer total mobilidade ao operador.

Química e Derivados: Papel: Gomes - estação móvel permite controle on line.
Gomes – estação móvel permite controle on line.

“Com o uso desse sistema, o operador consegue obter informações da fábrica em tempo real, transportando os dados de qualquer uma das telas do sistema de controle”, informou o engenheiro Walter Gomes Júnior, gerente de vendas da empresa e responsável por todas as operações desenvolvidas na América do Sul, na área de papel e celulose.

No segmento de automação, a Smar trouxe para a exposição um medidor de densidade e concentração de líquidos com aplicativos (softwares) para operar nas áreas de licores negro e verde.

Química e Derivados: Papel: Selegatto - medidor foi adaptado para celulose e papel.
Selegatto – medidor foi adaptado para celulose e papel.

Segundo o gerente da área de engenharia da empresa Gilberto Selegatto, o modelo foi originalmente desenvolvido para aplicações nas indústrias de alimentos, bebidas, envolvendo também o setor açucareiro, mas, após algumas adaptações, tornou-se configurável para as aplicações em papel e celulose.

Também atuando no segmento de automação para as indústrias químicas, a Honeywell apresentou a linha de controladores de processos para reatores, caldeiras, evaporadores e efluentes, destacando-se o controlador UMC 800 Multiloop e o modelo HC 900, em lançamento no Brasil.

Química e Derivados: Papel: Katia mostra capotas abertas.
Katia mostra capotas abertas.

No segmento de capotas para máquinas de papel, usadas na recuperação ou exaustão dos vapores liberados pelas máquinas durante a fabricação do papel, com o objetivo de reduzir o uso de vapor nos secadores e nivelar o desempenho da produção, a Bernauer, tradicional fornecedor de ventiladores, está colocando no mercado capotas abertas, de alta umidade, para máquinas de papel em geral e tissue.

Agregam à linha os sistemas de caixas de insuflamento (pocket ventilation) empregadas entre as bobinas, para tornar mais rápida a secagem do papel e que resultam em aumentos de produção de 11%, segundo informou Katia Bizan França, gerente de marketing da empresa.

Outro acréscimo na linha da Bernauer é constituído por tetos falsos construídos em alumínio ou aço inoxidável, para captação do excesso de calor e umidade, evitando o gotejamento nas extremidades úmidas ou sob as prensas.

Química e Derivados: Papel: Campos - ETE de plástico reforçado com fibra de vidro.
Campos – ETE de plástico reforçado com fibra de vidro.

Pela primeira vez participando do evento, a Edra, tradicional fabricante de tubulações, peças especiais e reservatórios estacionários para as indústrias de papel, levou à exposição o seu mais novo lançamento em plástico reforçado com fibras de vidro (PRFV).

Trata-se de estação de tratamento de esgotos sanitários, desenvolvida em parceria com a Empresa de Engenharia Ambiental, de Rio Claro–SP, para aplicações em indústrias e residências, possuindo capacidade para tratar desde 600 litros/dia até 32 mil litros/dia.

Fabricada em seis diferentes capacidades (600, 1.600, 4.000, 8.000, 16.000 e 32.000 litros/dia), a estação pode promover tratamento anaeróbio e/ou aeróbico, separadamente ou de forma conjugada, apresentando, segundo o engenheiro de aplicações Flávio Campos Júnior, especial interesse para condomínios, hotéis, canteiros de obra, escolas, etc.

A Mettler Toledo apresentou novas linhas de eletrodos de pH, células de condutividade, sensores de oxigênio dissolvido, sistemas de turbidez, transmissores e sistemas de limpeza e calibração. Entre os equipamentos de maior destaque encontram-se os eletrodos com sensores de temperatura integrados InPro 4800 e InPro 4250, além do turbímetro Trb 8300.

O modelo InPro 4800 foi projetado para aplicações críticas em processos químicos, permitindo alto desempenho em altas temperaturas (130°C) e pressões (13 bar) devido à tecnologia de dupla câmara de eletrólito com compensação e temperatura. Já o InPro 4250 pode ser empregado nas mais diversas aplicações da indústria química, apresentando maior resistência a extremos ácidos, álcalis e solventes.

E, finalmente, o turbímetro Trb 8300 constitui sistema que opera por fibra ótica, com base no princípio de luz backscattering, reflexão em sentido inverso à emissão da luz, destinando-se a medições precisas nas indústrias de papel e celulose.

Mercado local se reestrutura

Fusões em âmbito mundial se refletem sobre as indústrias brasileiras de celulose e papel, que buscam novas sinergias e escalas de produção, para ampliar posições nos mercados interno e internacional.

O primeiro movimento em direção às reestruturações, segundo a ABTC, ocorreu no início do ano 2000, quando o grupo Orsa adquiriu a Jari Celulose.

No biênio 2000-2001, o grupo Klabin adquiriu a Igaras, estabelecendo joint-venture com a Kimberly-Clark, para aquisição da Lalekla e da Bacraft. Ao vender seus ativos florestais, a Companhia Vale do Rio Doce transferiu a Bahia Sul para a Companhia Suzano, e a Cenibra foi adquirida pelo grupo japonês JBP.

Em 2001, o grupo Suzano finalizou seu processo de reorganização, ao separar em duas holdings as atividades do setor petroquímico e do segmento de celulose e papel. No mesmo ano, a Bahia Sul associou-se ao grupo Sonae, adquirindo 28% do capital da estatal portuguesa Portucel.

Em outubro de 2000, a Aracruz adquiriu 45% do capital da Veracel, e passou a ser a nova parceira do grupo Stora Enso. Em 2001, a Votorantim Celulose e Papel adquiriu 33% do capital da Aracruz.

“Só venceremos no longo prazo se conseguirmos aliar nossa eficiência operacional com nossa capacidade de gestão das organizações”, considerou Celso Foelkel, presidente da ABTCP. Por esse motivo, segundo ele, o setor tem apostado alto na modernização de suas máquinas, processos e tecnologias, em busca de melhorias na sua competitividade.

“As grandes empresas apostam no aumento de escala de produção, com audaciosos projetos de expansão da capacidade”, afirmou.

Mas é comum também encontrar novas obras e instalações nas pequenas e médias empresas, que também estão investindo nas áreas de máquinas de papel, principalmente visando a remoção de gargalos nos sistemas de preparação de massa, alimentação e secagem e também nas áreas de produção de polpa e recuperação de licores, aprimorando as estações de tratamento de efluentes e resíduos sólidos, para recuperar desperdícios de fibras e de águas.

No âmbito tecnológico, segundo observou, as preocupações com eficiência energética e operacional aumentaram no setor, que vem reduzindo os consumos e adotando processos de mais baixa geração de resíduos.

Mandioca toma mercado do milho na colagem de papel

O amido de mandioca (fécula) substitui o amido de milho, atualmente, em mais de 90% dos papéis de impressão (na colagem interna), 40% a 60% dos sacos/sacolas de papel, e em 30% das caixas onduladas. Esses índices foram apresentados pelo presidente da Inpal S/A, Manoel Zauberman, empresa associada da ABAM (Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca).

O uso de fécula de mandioca no setor papeleiro ganhou evidência no 35º Congresso e Exposição Anual de Celulose e Papel da ABTCP

A possibilidade do uso do amido de mandioca no lugar do amido de milho, ou de batata, na fabricação de papel atraiu para o segmento grandes potências mundiais como a norte-americana Cargill, que entrou nesse mercado no ano passado, tornando-se associada da ABAM.

“Até maio do ano passado trabalhávamos com amido de milho. Passamos então a produzir amidos modificados para o setor papeleiro a partir do amido de mandioca”, relata o gerente de vendas da divisão de amidos industriais, Vinícius Teixeira.

A Cargill produz amidos modificados para aplicação em massa e em superfície de papéis, entre outros. A empresa exporta para todos os continentes, com maior concentração na África, Europa e América do Norte. A empresa também esteve entre os expositores da ABTCP.

A fécula de mandioca atraiu também a atenção da Avebe, uma cooperativa de produtores de batata e amido, da Holanda, que tinha a batata como principal matéria-prima para produzir fécula.

Uma joint venture com a Pilão Química, de Guaíra-PR, empresa do grupo Fecularia Salto Pilão Ltda., associada da ABAM, propiciou o ingresso da Avebe no mercado brasileiro de amido de mandioca.

De acordo com o presidente do grupo Pilão, Nilton Jacobsen, a estrutura fabril e a logística de transporte oferecida pelo grupo favoreceram o ingresso da Avebe no mercado brasileiro de amido de mandioca.

A cooperativa comercializa todos os tipos de amido quimicamente modificados produzidos pela Pilão, que também foram apresentados na Feira.

Produção – O Grupo Pilão conta hoje com oito fábricas, duas no Paraguai, quatro no Mato Grosso do Sul, duas no Paraná, e está implantando uma unidade no Estado de São Paulo. Juntas, elas devem produzir 60 mil t/ano de amido de mandioca. A previsão é aumentar a produção para 300 mil toneladas até o ano 2007.

Da produção total do grupo, 60% são destinados à exportação para países como Holanda, Chile, Argentina, Peru e Turquia, entre outros.

Outra presença importante na feira da ABTCP foi da National Starch Brasil (empresa do grupo norte-americano National Starch & Chemical Ind.Ltda/ICI), também associada da ABAM.

Do total de amidos modificados de mandioca produzido por um pool de cinco empresas (fecularias), das quais a National faz parte, destina hoje 70% da sua produção ao setor papeleiro.

O mercado interno absorve 80% da produção, o restante vai para o exterior, a exemplo de Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, Estados Unidos e África do Sul.

As utilizações do amido na produção de papel vão do acabamento da superfície, contribuindo para determinar características como cor, absorção de água e textura, à massa que dá origem à folha. Nesse aspecto o amido de mandioca é importante para a garantia de características mecânicas do papel como resistência a tração, rasgo e estouro.

Wilson Molinaro, diretor comercial de amidos industriais da National Starch Brasil, cita como exemplo do uso do amido pelo setor papeleiro, os papéis de superfície: LWC – um tipo de papel lustroso, revestido, de baixa gramatura, muito usado para a produção de catálogos, boletins, informativos, entre outros itens que requerem acabamento mais avançado.

O amido é utilizado amplamente na fabricação de papel para imprimir e escrever; em papéis de embrulho, papel de aparas, papel Kraft, sacolas em geral, e papelão ondulado, este último em expansão no mundo. Conforme dados da Fefco (Fédération Européenne des Fabricantes de Carton Ondulé) as vendas de papelão ondulado representaram 62% do mercado de embalagens de transporte da Europa.

No Brasil o papelão ondulado também ganha mercado. Num comparativo das exportações brasileiras de papelão ondulado de abril deste ano com março do ano passado a ABPO (Associação Brasileira do Papelão Ondulado) detectou aumento de 566% nas exportações desse itens, que passou de 150 toneladas para 849 toneladas, conforme dados da ABTCP.

Para o futuro a tendência, na visão de Molinaro, é de aumento na procura por amido de mandioca. “O setor está em busca de redução de custo e o amido de mandioca contribui para isso”, salienta.

Na avaliação do Presidente da Inpal “a indústria de papel que não usar o amido de mandioca vai ficar de fora do processo de busca de competitividade”.

Ele considera que por sua qualidade e competitividade o insumo vem conquistando mercado cada vez maior no setor papeleiro.

“O amido de mandioca apresenta muitas vantagens técnicas, em relação a outros amidos. É extremamente importante na colagem interna e externa do papel.

A qualidade do papel de impressão, por exemplo, que é uma colagem alcalina, melhora muito com o uso de amido de mandioca”, compara.

O presidente da ABAM, Maurício Yamakawa, projeta para o ano 2006 a destinação de 250 mil toneladas de amido de mandioca para o setor papeleiro – 25% da produção brasileira.

O setor consome atualmente em torno de 10 mil toneladas/ano de play bond (amido comum para superfície); 40 mil toneladas/ano de amido modificado para massa; e 40 mil toneladas/ano de amido modificado para superfície.

Grandes potências da indústria papeleira do Brasil e exterior como Klabin, Suzano, Ripasa, Rigesa, Inpacel, Cia.Santista, VCP (pertencente ao grupo Votorantim), International Paper (proprietária da indústria de papéis Champion), entre outras indústrias de menor porte, já adotaram amidos modificados de mandioca para a produção de papel, em substituição ao amido de milho e de batata.

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