Papel e Celulose

Papel e Celulose – Alta competitividade faz produto nacional ganhar espaço na crise

Domingos Zaparolli
16 de agosto de 2009
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    Real valorizado tira competitividade do papel brasileiro

    A indústria brasileira de papel encerrou 2008 com uma produção de 9,1 milhões de toneladas, total 1,6% superior ao ano anterior. As exportações, porém, caíram 1,2%, limitando-se a 1,98 milhão de toneladas, enquanto as importações cresceram 21,1%, chegando a 1,33 milhão de toneladas. Nos cinco primeiros meses de 2009, as vendas dos fabricantes locais no mercado interno caíram 10% em relação ao mesmo período do ano passado e as importações recuaram 31% em volume e 26% em valor. Já as exportações ficaram 18% menores. Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Bracelpa, relata que as quedas nas vendas no mercado interno ocorreram em consequência de um excesso de estoque existente no início do ano, tanto nas indústrias quanto no atacado. “Mas o ajuste desses estoques já foi feito e a produção tende a se recuperar no segundo semestre”, diz a executiva.
    A valorização do real perante o dólar, porém, pode facilitar as importações de papel no segundo semestre. Alberto Mori, presidente da ABTCP relata que na linha de papéis especiais, como o papel cuchê, papel-moeda, papéis fórmicos e papéis para filtros, por exemplo, a presença de produtores europeus no mercado local está se intensificando significativamente. Outra preocupação no setor é a entrada de papéis de forma ilegal no Brasil. Como relata Carvalhaes, a importação de papel para uso editorial (jornais e revistas) é imune de impostos. A falta de fiscalização, porém, tem permitido que esse papel imune seja vendido para outros fins, concorrendo de forma desleal com a produção local que é tributada.

    Química e Derivados, Alberto Mori, Presidente da ABTCP, Papel e Celulose

    Alberto Mori: competidores globais estão investindo em novas tecnologias

    No mercado externo, a valorização do real tem dificultado a atuação dos produtores brasileiros de papel, que estão sofrendo uma concorrência cada vez maior de produtores chineses em mercados vizinhos. A América Latina é o destino de 61% das exportações brasileiras de papel. Segundo Alberto Mori, uma série de fatores limita a competitividade brasileira no exterior. O primeiro é que o baixo consumo brasileiro, de 42 kg per capita ao ano – bem inferior ao registrado nos Estados Unidos, Japão e na maioria dos países europeus, entre 200 e 300 kg per capita – não gera escala produtiva que viabilize grandes investimentos. Outro ponto negativo é a alta taxação sobre os investimentos. “Investir em uma máquina de papel no Brasil custa de 20% a 30% mais que na Europa ou nos Estados Unidos”, diz o executivo. Além disso, a logística para exportar papel é desfavorável no país, tanto pelas más condições de infraestrutura, como também pela dificuldade inerente ao negócio, que exige cargas muito fracionadas, de acordo com cada item produzido e cada destino. Em compensação, o Brasil conta com a vantagem de ter um papel obtido de florestas certificadas, o que pode se tornar um ótimo apelo de marketing no exterior. “Sem dúvida, é um fator de competitividade que pode ser trabalhado a nosso favor”, diz Mori.

     



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