Papel e Celulose

Papel e Celulose – Alta competitividade faz produto nacional ganhar espaço na crise

Domingos Zaparolli
16 de agosto de 2009
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    China – Segundo a direção da Suzano, os investimentos em meio à crise internacional se justificam pela elevada demanda chinesa por celulose. Apenas no primeiro semestre de 2009, as importações da China aumentaram 60% em relação a igual período de 2008. Na Suzano, as vendas para a China, que representavam 25% das exportações da empresa há um ano, já respondem por 50% dos negócios no exterior. A rapidez do crescimento da demanda chinesa impressiona. No início dos anos 80, o consumo anual de papel na China era de 5 kg por habitante. Em 2007, o consumo chinês já havia superado a marca de 50 kg por habitante ao ano, posicionando o país como o segundo maior consumidor mundial. Mas se é na China onde está o dinamismo de demanda, o que faz Elizabeth de Carvalhaes crer que o Brasil suplantará justamente este país no posto de terceiro maior produtor mundial de celulose? “A produção chinesa de celulose não é tão qualificada tecnologicamente como a brasileira. Além disso, eles não possuem muita terra com qualidade disponível para o plantio de árvores e o clima lá é mais frio, o que retarda o ciclo produtivo das florestas. Na China praticamente não há florestas plantadas para uso industrial, há o corte de florestas naturais, que levam mais de vinte anos para chegar novamente ao ponto adequado ao corte”, explica a presidente da Bracelpa.

    Biorrefinarias – Alberto Mori, presidente da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), e o diretor-técnico Vail Manfredi são mais cautelosos em relação às possibilidades do Brasil ocupar a terceira posição mundial no mercado de celulose. “O Brasil possui vantagens estratégicas no setor, mas nossos concorrentes não estão parados. Até porque a celulose representa uma parcela significativa do PIB de países como a Finlândia e a Suécia, e os governos e as empresas desses países estão investindo muito em desenvolvimento tecnológico”, informa Alberto Mori. As iniciativas para ganhar competitividade na produção de celulose são inúmeras no mundo. A própria China, relata o executivo, tem desenvolvido o plantio de eucalipto no sul do país e em áreas periféricas ao deserto de Gobi. Assim como os Estados Unidos, que investem em melhoria genética em eucaliptos para obter resultados satisfatórios em plantações em regiões frias e também em regiões semiáridas. Outra área de desenvolvimento está relacionada à maior obtenção de fibras por metro cúbico de madeira.

    O maior avanço em curso, porém, está relacionado ao conceito de uso da matéria-prima. Como relata Vail Manfredi, hoje a madeira é utilizada em serrarias, na produção de celulose ou queimada em caldeiras, gerando vapor para a produção de eletricidade. O novo conceito que está surgindo privilegia também o uso da lignina. Biorrefinarias estão sendo montadas para produzir, por exemplo, álcool e bioplásticos. Plantas piloto com essa finalidade já estão em operação na Escandinávia e nos Estados Unidos e, como prevê Manfredi, em uma década a tecnologia deverá estar disponível para produção em escala comercial. Com o desenvolvimento de biorrefinarias, a celulose passa a ser um dos subprodutos da madeira, mudando o desenho do processo produtivo atual. As fábricas concebidas com base neste novo conceito deverão apresentar vantagens competitivas significativas. Mas, como dizem Mori e Manfredi, as indústrias brasileiras de celulose e a academia brasileira estão atentas e acompanhando de perto esses desenvolvimentos tecnológicos em curso. “Não vamos ficar para trás”, afirma Mori.

    Química e Derivados, O avanço da evolução brasileira, Papel e Celulose

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