Papel das entidades setoriais na democracia – Abifina

Cada ciclo eleitoral, como o que estamos vivendo neste momento, é uma grande oportunidade para todos usufruírem dos benefícios da democracia, abrindo frentes de discussões para a construção de um país melhor, sobretudo, priorizando o bem coletivo.

E é nessa direção que cada setor, através de suas entidades setoriais, pode e deve contribuir com sugestões e propostas para as políticas públicas dos futuros governos.

O fortalecimento da sociedade civil é importante para o país e o papel das entidades setoriais é fundamental neste contexto, pois, se cada um fizer a sua parte, a democracia se fortalecerá cada vez mais.

Mais do que pensar no ciclo político que se inicia a cada quatro anos, o dever de casa a ser feito é traçar estratégias que possam contemplar o longo prazo, ou seja, planejamentos técnicos e profissionais, baseados na inteligência e numa gestão que contemplem etapas plausíveis e consistentes que possam conduzir o país num desenvolvimento crescente e sustentável em cada setor.

Nesse contexto, as entidades têm papel fundamental, pois, no geral, reúnem os principais atores de cada setor em que atuam, acompanhando o dia a dia e estando cientes das principais demandas e agendas, conhecendo os gargalos, as dificuldades e oportunidades a serem potencializadas.

Nunca é pouco lembrarmos que durante o período de chumbo, a censura e a violência eram práticas utilizadas contra cidadãos e entidades que tentavam se expressar, essencialmente se as ideias fossem contrárias ao governo.

Reconquistar essa liberdade não foi fácil e demandou anos de muita luta, porém chegamos lá.

Chegamos até aqui e a participação da sociedade civil nas decisões políticas tem um fator a mais, que é a possibilidade de contribuir com a diminuição das desigualdades.

A indústria nacional é um exemplo disso. Fomentá-la significa lhe dar maior competitividade num mundo globalizado.

Pensando nisso, em relação à indústria da química fina foi produzido um documento detalhado com a agenda setorial e a composição do Complexo Industrial da Química Fina (CIQF), assim como seus impactos econômicos e as sinergias com outras cadeias industriais.

Trata-se de propostas para os segmentos representados e também para propriedade intelectual, biodiversidade, comércio exterior, tributos e pesquisa, desenvolvimento e inovação.

O objetivo é, efetivamente, cooperar com a criação de uma política de Estado abrangente e robusta para reindustrializar o setor, promover seu crescimento e desenvolver essas indústrias de modo a gerar riqueza e compartilhá-la com a população.

Esse documento foi minuciosamente elaborado e conduzido por equipe técnica e entregue aos principais candidatos à presidência da república, apresentando a cada um que o Complexo Industrial da Química Fina é capaz de ativar a economia e protagonizar a retomada da industrialização nacional.

Nesse documento, reunindo mais de 50 proposições, é comprovado, entre outras coisas, que, para cada real investido é possível oferecer retorno de até dois reais, dependendo do segmento.

Um setor que gera saúde com seus insumos farmacêuticos, medicamentos e vacinas gera milhares de empregos e abastece outras indústrias e o agronegócio.

Para fortalecer a produção local – nossa pauta histórica –, propomos o uso das compras governamentais e a cooperação tecnológica com outros países, caminhos que sabidamente dão resultados.

Para promover o desenvolvimento científico e tecnológico, a regulação sanitária e a inovação, propomos fortalecer as redes e infraestruturas de pesquisa, formar recursos humanos, criar linhas de incentivo e revisar os marcos regulatórios.

Encampamos também a responsabilidade socioambiental, reivindicando a preservação da nossa biodiversidade e o incentivo a práticas sustentáveis na indústria.

Não nos restringimos a lançar ideias gerais, pelo contrário, fomos além e indicamos propostas concretas.

Papel das entidades setoriais na democracia - Abifina ©QD Foto: iStockPhoto
Antonio Bezerra é presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e Suas Especialidades (Abifina).

As empresas da química fina estão engajadas no tema, com exemplos de atuação sustentável tanto no que se refere à biodiversidade como em outras áreas que são consideradas pilares da indústria verde pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), como transição energética, mercado de carbono, conservação florestal e economia circular.

Enfim, as necessidades tocantes ao setor da química fina estão amplamente contempladas neste documento entregue para os candidatos à Presidência da República.

Independente do vencedor do pleito, vamos seguir lutando para incluir nossa agenda nas prioridades do novo governo, somando-se às grandes reformas imprescindíveis para solucionarmos o Custo Brasil e melhorarmos o ambiente de negócios.

Antonio Bezerra é presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e Suas Especialidades (Abifina).

Papel das entidades setoriais na democracia - Abifina ©QD Foto: iStockPhoto

ABIFINA:

A Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (ABIFINA) trabalha há 36 anos pelo desenvolvimento do parque industrial do setor no Brasil comprometida com a transparência, a ética e o avanço econômico nacional.

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