Óleo, Lubrificantes e Graxa

Óleos grupos 2 e 3 – Superoferta de vão forçar qualidade do produto final

Marcelo Furtado
21 de maio de 2014
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    O presidente do Simepetro compartilha da impressão de que as importações de óleos básicos dos grupos 2, 3 e 4 vão crescer muito nos próximos anos. Primeiro por causa da oferta abundante e do preço baixo, mas também em razão do aumento de níveis de desempenho dos lubrificantes no Brasil e por causa da renovação de frota. Nesse sentido, a melhor qualificação dos envasadores e misturadores provocada pela ANP 18 deve auxiliar na produção de lubrificantes sofisticados, cooperando com o que os grandes produtores de lubrificantes já estão fazendo.

    Incentivo dos aditivos – Outro sinal bastante significativo de que os lubrificantes de forma geral tendem a melhorar a qualidade, embora ainda deva continuar a existir mercado para produtos de mais baixo custo (principalmente em regiões mais pobres do país, com frota antiga, e no mercado de lubrificação industrial), é o posicionamento dos principais fornecedores de aditivos para lubrificantes – Chevron, Lubrizol, Infineum e Afton.

    Atendendo à demanda principalmente da indústria automobilística, que percorre metas de economia de combustível e de maior durabilidade dos lubrificantes, as quatro empresas quando testam novos produtos para homologação nas organizações de registro não mais se arriscam a utilizar óleos básicos do grupo 1, cuja qualidade não permite atingir os padrões de desempenho, em viscosidade e poder antioxidante principalmente. “Os testes são caros (até US$ 4 milhões) e não vamos usar óleo muito viscoso e contaminado com o risco de reprovação aos padrões”, afirmou o gerente nacional de vendas da Afton, Claudio Lopes.

    Segundo ele, hoje a indústria de aditivos, que no Brasil representa um volume médio de consumo de 100 mil t/ano para todas as aplicações (automotivas e industriais), também para homologação ANP segue esse padrão e, atualmente, toda ela se prepara para seguir novos índices de exigência de aditivação das normas ILSAC GF-6 para motores a gasolina e PC-11 para diesel, prometidas em um primeiro momento para 2015 e agora adiadas para 2017.

    Esses movimentos, segundo Lopes, e a queda dos preços dos óleos grupos 2 e 3, fazem os fornecedores internalizarem alternativas mais sofisticadas de aditivos no Brasil. “Em volume, as vendas são menores, pois se usa em média 15% menos aditivos em um óleo melhor, mas os valores são maiores”, disse Lopes. Só não é possível ter margens maiores nesses novos fornecimentos, porque segundo ele o poder de barganha dos clientes é muito forte, por se tratarem de grupos grandes como Petrobras, Shell, Total e por aí vai.

    Química e Derivados, Tabela: LUBRIFICANTES - PRODUÇÃOO momento que se forma para os fornecedores de aditivos – cujos quatro citados são os únicos com portfólio para todas as áreas da lubrificação – virá de encontro à estratégia dos grandes produtores, que esperam mundialmente, segundo estudo recém-publicado pela consultoria Kline & Co., manter o crescimento de consumo dos aditivos em 2,2% ao ano entre 2012 e 2017, a um ritmo superior ao do projetado para o mercado de lubrificantes de 1,7%. Segundo a consultoria, o consumo de aditivos para lubrificantes, nessa projeção, passará de 4 milhões de toneladas para 4,5 milhões t. Em valores, esse consumo equivale a US$ 13,3 bilhões.

    Para a consultoria, por categorias de funções, os aditivos com maior potencial de crescimento são, para começar, os antioxidantes, com taxa de 4,9% ao ano até 2017, seguidos pelos dispersantes com 3%, os modificadores de viscosidade com 2,5% e os inibidores de ponto de fluidez, com 2,4%. Ainda outros tipos de aditivos, como emulsificantes, detergentes e agentes antidesgaste, terão crescimento inferior de uso, abaixo de 2%. Informação também interessante do estudo dá conta de que apenas três tipos de aditivos – dispersantes, modificadores de viscosidade e detergentes – responderam por 70% de todo o consumo global desses insumos em 2012.

    Química e Derivados, Lubrificantes para veículos pesados: o maior mercado

    Lubrificantes para veículos pesados: o maior mercado

    Ainda de acordo com a Kline, a maior parte dos aditivos estão sendo consumidos para produção dos óleos de motores de veículos pesados (HDMO), para caminhões, ônibus e tratores, responsáveis por 33% da demanda global. Em seguida, os óleos para motores de automóveis leves ficam com 27% do consumo e aditivos para outras aplicações automotivas (transmissão etc), com 7%. Fluidos metalúrgicos respondem por 14% da demanda total de aditivos e óleos para engrenagens industriais, com 13%.

    O consumo global de lubrificantes, para a consultoria, foi de 39 milhões de toneladas em 2012, sendo que os segmentos de óleos para motores leves e pesados juntos respondem por 46% da demanda. O estudo revela, porém, que essas aplicações respondem por 60% das vendas de aditivos, porque são os lubrificantes que mais precisam ser modificados para atender diferentes exigências de qualidade ambiental e desempenho técnico.

    Como maior consumidor dos aditivos, o mercado HDMO mereceu maior foco no estudo da consultoria norte-americana. Por tipos de aditivos, em torno de 38% do uso é de dispersantes, 26% são modificadores de viscosidade e 23%, detergentes. Além disso, agentes antidesgaste respondem por 8% das necessidades e antioxidantes, por 4%.



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